Tiroteio em Santa Cruz-Madalena

povo-de-santa-cruz.jpgAlguns tiros de caçadeira, e grande agitação popular quebraram este domingo a paz e a tranquilidade que caracterizam a zona de Santa Cruz, freguesia da Madalena. A população daquela região tomou de assalto parte do terreno a berma da estrada, que está a ser explorado pelo deputado António Quintas. Os guardas do deputado abriram fogo para intimidar a população que reclama um pedaço de terra para construção civil. A polícia de intervenção rápida interveio e prendeu dois elementos da população. É mais um conflito que eclode no país por causa do acesso a terra. Os populares dizem que não vão desistir da luta.

Carlos Mé Daua, antigo feitor da roça Pedra Maria, antiga dependência da ex-empresa Santa Margarida, garantiu para o Téla Nón que a luta dos habitantes de Santa Cruz e arredores para conseguirem um pedaço de terra para construção civil, é justa.

carlos-me-daua.jpgO antigo feitor, que conhece ponta a ponta os terrenos de Pedra Maria, onde o deputado António Quintas, beneficiou de 60 mil metros quadrados de terra, explicou que o espaço que a população está a reclamar para construir habitações, foi definido na altura em que Pedra Maria foi retalhado em lotes para exploração familiar, como sendo área reservada para habitações sociais. «O próprio senhor António Quintas um dia esteve a conversar comigo e disse que esta parte não é dele, e que ele só estava a assegurar. Neste caso a população criou uma comissão desde 2009 que enviou documentos a todos os sectores competentes pedindo a distribuição dessa terra para construção civil», confirmou Carlos Mé Daua.

Porque os sectores competentes não reagiram, a semelhança do que tem acontecido em várias localidades da ilha de São Tomé, onde se fez a distribuição de terras, sem ter em conta as necessidades da população crescente nas redondezas, o povo de Santa Cruz e arredores, decidiu retalhar a terra a beira da estrada, para resolver as dificuldades de espaço para construção civil. «Daqui há mais 10 anos, creio que vamos ter uma guerra aqui em São Tomé e Príncipe. Porque fizeram distribuição de terra e os grandes senhores tomaram 20, 30 hectares e os coitados não têm se quer um metro de terra. Eu por exemplo tenho terra, mas depois dos meus filhos virão os meus netos, como é que será? Temos um grande problema para o futuro», avisou Carlos Mé Daua.

santa-cruz.jpgCom catanas e machados, os habitantes de Santa Cruz entraram no terreno que está a ser explorado pelo deputado António Quintas, derrubaram cacaueiros e algumas árvores de sombreamento. Operação que gerou conflito. Os guardas do deputado António Quintas fizeram alguns disparos. «Quando a população entrou para ocupar a terra, os guardas do senhor António Quintas dispararam tiros. Depois disso veio o chamado corpo de intervenção rápida da polícia, talvez para caçar pombos aqui», afirmou o antigo feitor, também envolvido na gigantesca manifestação pela posse de terra.

guardas.jpgHomens armados estavam numa pequena elevação no interior do mato quando o Téla Nón chegou ao local. «Eles tinham 3 armas caçadeiras e pistolas. Ele não deveria fazer tiro contra a população. E se o tiro atingisse alguém?» interrogou Carlos Mé Daua.

A população de Santa Cruz que cresceu bastante últimos anos, diz que já não tem espaço para construir lar e futuro. Exigem apenas alguns metros do terreno que segundo eles inicialmente estava separado para habitações sociais, mas que acabou por ser integrado nos 60 mil metros quadrados de terra que o estado são-tomense deu ao deputado António Quintas. Não é a primeira vez que a população de Santa Cruz, luta por um pedaço de terra. Há alguns anos atrás, travou intensa batalha com outro deputado da Nação, Dionísio Dias, que também recebeu centenas de metros quadrados de terrenos da antiga roça Pedra Maria. «Os jovens estão a reivindicar e com todo o direito. Onde é que eles vão viver? Em cima do mar?» Mais uma interrogação de Carlos Mé Daua.

adelino-izidro-em-santa-cruz.jpgFuriosos e decididos os moradores de Santa Cruz, cortaram a estrada principal que liga Vila da Madalena a Potó, aliás o terreno da discórdia está mesmo a beira do troço de estrada. No meio da confusão uma figura de vulto se destacou. Trata-se do deputado da nação e advogado de profissão Adelino Izidro(na foto). Este que disse ser amigo pessoal do deputado António Quintas, entrou em confronto verbal com os habitantes de Santa Cruz.

Aliás Adelino Izidro, foi o único que teve a coragem de pôr-se a frente da população em fúria, em defesa do seu colega António Quintas. Ameaças foram feitas de parte a parte. Dos habitantes de Santa Cruz contra Adelino Izidro e António Quintas e de Adelino Izidro contra os habitantes de Santa Cruz. Alguns habitantes diziam que o advogado Adelino Izidro tinha no bolso uma arma Makarof, e que ele também estava na elevação onde estavam outros homens armados em posição para disparar contra a população.

santa-cruz-1.jpgDo lado contrário ao terreno que está a ser explorado pelo deputado António Quintas, está outra grande parcela de terra que confina com o cemitério da Vila da Madalena. Essa terra pertencia a Vila Graciosa, outra antiga dependência de Santa Margarida. O povo de Santa Cruz e arredores, disse que o terreno em causa pertence a deputada da nação Maria das Neves.

Com a população local a crescer, os manifestantes garantiram que as terras da Vila Graciosa, poderão ser as próximas a serem ocupadas pelos SEM TERRA.

O acesso a terra começa a ser um problema preocupante em São Tomé e Príncipe. O arquipélago de 1001 quilómetros quadrados já está totalmente retalhado em pequenos lotes e em médias empresas com milhares de metros quadrados, normalmente pertencentes a pessoas com influência política e económica. Ao mesmo tempo a população não pára de crescer.

Sinais preocupantes como o deste domingo em Santa Cruz, já se registaram noutras localidades do país, nomeadamente São Marcos onde o terreno do então deputado e actualmente ministro dos negócios estrangeiros Carlos Tiny foi assaltado pela população, na roça Agostinho Neto onde os moradores d da roça e das localidades vizinhas decidiram assaltar os talhões que foram entregues a alguns antigos dirigentes e deputados da nação.

Abel Veiga  

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    jaka doxi Responder

    Oh Povo da minha terra sagrada ninguem vos impedira de protestar contra os vossos direitos.
    Lutem por aquilo que vos pertence.Madalena é nosso e não podemos permitir que individuos como aquele senhor tome de assalto o nosso solo sagrado.
    Sejam corajosos e decididos.

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    antonio lonbá Responder

    Força meu povo de madalena catana,machado,gancho,caçadeira sempre na mao força este antonio quintas é um deputado ladrao fartou-se de roubar nos correios gatuno

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