Sociedade

AGRADECIMENTO A TODOS OS CANDIDATOS PRESIDENCIAIS

Vivo fora de S. Tomé e Príncipe e não me considero mal sucedido. Incomoda-me muito é sentir o ataque que faço a mim mesmo quando as pessoas manifestam apreço pelo que faço na comunidade onde vivo ou no meu posto de trabalho. Invariavelmente pergunto-me: “Por que não em S. Tomé?”

Por mais integrado que eu esteja, nunca deixo de ser o representante são-tomense quando surja uma conversa sobre o mundo, sobre a beleza ou as desgraças da terra onde nasci. É a minha terra.

Se as conversas forem boas sobre essa terra, orgulho-me; se as alusões forem más envergonho-me. Mas o amor se mantém. Defendo-a e tento justificar tudo o que nela se passa.

Quando se falou aqui em tantos candidatos para as eleições presidenciais, as pessoas não são-tomenses com quem convivo, quiseram insinuar que todos queriam “ir lá buscar algo”. Eu respondia que tudo se devia às qualidades da terra.

Imaginemos que ninguém se candidatasse. Diriam que era uma terra triste da qual ninguém queria nada. Eu não teria respostas.

Por isso, digo solenemente:

MUITO OBRIGADO a todos, CADA UM DOS CATORZE CANDIDATOS!

Peço-vos que me permitam partilhar convosco um sonho que tive.

Sonhei que nas quartas eleições presidenciais a seguir às que estão em curso, no ano de 2031, sob regime presidencialista, o povo esteve muito triste porque tivemos apenas 31 candidatos. As pessoas diziam:

– Que grande 31, já só há muito poucos interessados em se preocuparem com o povo. Nas eleições anteriores ainda eram 131 candidatos e nestas o número baixa tanto? Assim teremos menos ideias construtivas.

Verificava-se que artigos de sensibilização feitos nos nossos dias chegaram a ter qualidades que influenciaram às pessoas ricas, pobres, iletradas, doutoradas, cultas, simplórias… todas. As pessoas são-tomenses descobriram que ainda íamos a tempo de mudar o nosso rumo caótico e que para isso seria necessário abandonarmos a necessidade de excessos materiais e adoptarmos o espírito de construção e conservação de bens naturais e de boas práticas sociais.

Os 31 candidatos apresentaram projectos muito criativos, cada um era suficiente para tornar a ilha paradisíaca. Discutiram entre si e os que tinham ideias semelhantes achavam justo desistir um ou vários deles em apoio ao que tivesse um argumento, muitas vezes, ligeiramente superior. Houve casos de argumentos tão próximos que os candidatos combinaram entre si atirar moeda ao ar para ver quem seguiria em frente. Queriam tornar o processo mais simples e mais barato para o país. Apresentarem-se somente três às eleições. O único interesse era orgulhar os são-tomenses como senhores dum país onde a humildade alicerçava a realidade com que o resto do mundo sonhava.

Ouvi alguém gritar:

– A pobreza destas eleições deveu-se ao facto de só terem estado inicialmente 31 candidatos.

Acordei.

Vi a nossa realidade. Um povo revoltado por considerar 14 um número muito elevado para candidatos às eleições presidenciais.

Garanto-vos que o povo não está insatisfeito com o número. O povo está insatisfeito com a descrença gerada pelos nossos políticos e sente que quantos mais candidatos forem, maior é a ameaça. Mesmo que a nossa triste realidade possa não ter contribuição de vários dos candidatos presidenciais, espero que cada um de vós reconheça que se colocaram na linha de pessoas em quem o povo já não acredita.

Não esperemos pelo 2031.

Peço a cada um dos candidatos que não limite a sua participação cívica à candidatura presidencial, mas que tome esta candidatura como início de intervenção activa de cidadão que queira fazer uso da voz já conhecida para mudar a imagem da classe a quis pertencer, que queira olhar continuadamente para a construção do país e que queira fazer o povo são-tomense sentir:

QUANTO MAIS CANDIDATURAS, MELHOR

Abraços fraternos e esperançosos do

Horácio Will

    17 comentários

17 comentários

  1. Buzio sem pena

    26 de Julho de 2011 as 20:38

    viva

  2. Montecara

    27 de Julho de 2011 as 9:41

    Gostei!

  3. ECAS

    27 de Julho de 2011 as 12:10

    Muito interessante a história do seu sonho!
    Agora o k precisamos todos, inclusive o Sr. Horácio Will, é de facto contributo de todos, para fomentarmos o verdadeiro consenso e formamos uma verdadeira liderança e face a precariedade do país forjamos mais humildade para todos nós São Tomenses de modo a juntos conseguirmos reunir as ferramentas e combustíveis necessários para darmos passos mais consistentes em direcção ao Desenvolvimento. Estamos a perder os valores culturais, por exemplo, o Kitembú!

    O País precisa de um KITEMBÚ, k ninguém fique de fora, k ñ seja de lamentações, mas sim de juntos trabalharmos p/o melhor do nosso STP.

    Eu acredito em nós São Tomemses somos capazes,
    eu acredito num consenso em prol de STP

  4. Teresa Triste

    27 de Julho de 2011 as 13:10

    É o mesmo pensador de sempre. Desta vez escreveu pouco mas, os raciocínios continuam profundos. A mesma vontade de emprurrar a todos para um novo S. Tomé e Príncipe. Os seus artigos não são fáceis de ser comentados por todos, mas todos entendem. Vamos fazer votos que muitos possam ler este artigo e continuarmos todos juntos a dar o empurrão que o senhor Horácio quer dar.

  5. Mé-Zochi

    27 de Julho de 2011 as 15:48

    Andas a sonhar muito. 131 para 31 em que século foi este sonho, emque dimensão estavas?

    • Viegas1

      27 de Julho de 2011 as 22:52

      Seria mais compreensivo dizeres que não entendeste o texto porque nascemos ignorantes mas essa parvoíce é demais. Não estás em condições de comentares esse texto, procure um outro. Mas uma vez Horácio, tens como outros deixando bons instrumentos a essa sociedade mas chegará um dia as boas mãos. Continuação.

      • Mé-Zochi

        1 de Agosto de 2011 as 10:56

        Nesse caso quero que venhas dizer isso ao povo que sofre seu génio. O sonho não enche barriga e nem está a trazer as esperanças do povo de volta. O Povo está cansado de sonhar.
        Deve ser muito cómodo estar fora e achar que se está por dentro do que o povo está a passar aqui nestas ilhas.

        • De Longe

          1 de Agosto de 2011 as 11:54

          Mé-Zóchi,
          Nós todos sabemos que nas eleições os candidatos não têm revelado projectos para o desenvolvimento. Sabemos que têm feito por enriquecer sem respeito pela sociedade quando estão no poder.
          Sabemos também que a maneira mais fácil de lá chegarem é pagar às pessoas para votarem neles. Pois, sabem que recolherão o seu dinheiro de novo e tirarão muito mais. Tirarão o que seria dinheiro para construir estrurturas e tirar pessoas das dificuldades.
          O que o Horácio chamou de sonho pode não ser sonho mas sim um desejo. Ele deseja que muitas pessoas concorram a pensar no bem do país de modo a evitarmos que as pessoas que sofrem continuem a sofrer. Não é ninguém fora a mandar bocas mas sim alguém a querer dizer a quem souber ouvir que os nossos caminhos deviam ser outros.
          Não podemos dizer que o povo que sofre é burro. Mas o povo fica submetido às condições que lhe forem impostas pelo poder.
          Precisamos de pessoas como o Mé_Zochi que sabe ler e escrever, tem acesso à internet, para ajudar a contrariar a forma errada como se tem exercido o poder em S.Tomé.
          O Mé_Zóchi não acha que o povo está a precisar que os governantes se interessem mais pela construção?
          Não acha também que é nosso dever cívico lembrar-lhes isso?

        • Tristeza

          1 de Agosto de 2011 as 13:25

          Estar dentro do povo não significa saber mais do quem está fora. Sabia que por dificuladedades de interpretação algumas pessoas que estão dentro acabam por entender menos do que aqueles que apenas ouvem?

    • Tereresa Triste

      28 de Julho de 2011 as 8:35

      Afinal, nem todos entendem. É bom que apareçam mais artigos desses para os leitores como Mé-Zóchi se habituarem a outro nível de leitura. Também faz falta.

  6. Lucas

    28 de Julho de 2011 as 9:36

    Tem gente dormindo demais. Por isso tem tempo para sonhos esquizofrénicos.
    STP tem pressa!
    Vamos acordar para vida!
    Vamos trabalhar…

    • De Longe

      28 de Julho de 2011 as 10:09

      Lucas
      Analise o artigo outra vez com espírito de bonddade e de construção. A pressa é necessária mas é necessária também a visão. É com muita pressa que nos estão a destruir os sonhos.

    • Africa

      29 de Julho de 2011 as 6:55

      “O homem sonha e a obra nasce”, disse o peta. Se você não sonha, é como se não vivesse! Sabia que o que você deseja é um sonho?
      Olha, o activista negro norteamericano, Martin Lutter King, teve um dia um sonho, que se vai concretizando. Hoje, Obama é Presidente dos USA.
      Caro amigo, com humildade podemos abrir as nossas mentes!

      Bem-haja!

      • Ogimaykel da Costa

        2 de Agosto de 2011 as 17:40

        Estou 100% de acordo!

  7. TOMÉ DE CEITA

    29 de Julho de 2011 as 17:30

    Muinto bém Hóracio

  8. Digno de Respeito

    31 de Julho de 2011 as 22:23

    Quando olho para esse mar de gente ou de letras com sombras de “gente” perceptíveis e imperceptíveis, faz-me lembrar do velho ditado que agora transporto para essa auto-estrada de conhecimentos com “muita pêra e pouca uva” porque letras e palavras para se expôr são muitas mas a capacidade de interpretação é que são elas.

    Com o alerta textual do amigo Will é o motivo para liberta o semblante de alguns intervenientes com o “acordar para a vida” porque o tempo assim determina.

    Mais uma vez deixo o meu apreço ao Will – homem da cultura santomense. Espero que continues riscando a tela em óleo e acrílico metalizado para que possamos saborear com os olhos de ver o teu pensamento.

    Forte abraço.

    • Horácio Will

      1 de Agosto de 2011 as 12:07

      Digno de Respeito
      Foi um comentário com tendência poética. O conteúdo está profundo e particularmente agradável para mim. MUITO OBRIGADO.
      Escrevo neste espaço com vontade de ter comunicação activa com outros são-tomenses de modo a crescermos racionalmente uns com os outros. Gosto de ser contrariado por quem não concorda comigo de forma sincera porque faz-me repensar. Pensar de forma mais acertada é do que precisamos. Gosto também de quem manifesta não entender o que eu disse porque nunca me canso de esclarecer, pelo contrário agrada-me. Talvez por ter dado aulas e por saber que até com os alunos aprendo. Não me agrada é responder aos comentários intencionalmente agressivos. Embora já tenha respondido a alguns, são dos que mais ficam sem resposta.

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