Mulher, a 7ª costela do homem

A emancipação da mulher, coisa moderna nos corridos tempos primaveris da independência de São Tomé e Príncipe do domínio imperial português, insiste em permanecer nas veias pensantes do parceiro, o homem, como um bem que ela lhe usurpa em prejuízo dos valores morais da sociedade são-tomense. Que a verdade seja dita! Alguns comportamentos, mais recentes, em menosprezo social, adulterados pelas reclamações de condições de empregabilidade e de vida impuseram aos olhos do cidadão a proliferação de mães precoces, o abandono escolar, o fenómeno meninas de rua e até, a aventura do turismo sexual, chocando com os sagrados valores da sociedade são-tomense. Nada a ser generalizado.

Enquanto isso, testemunhamos não muito distante do tempo a um estalar de tinta institucionalizado que podia ter fechado a pancada de sete chaves, caso não fossem o estatuto profissional e o vulto literário advogados pela academia de uma cidadã da nossa praça. Estávamo-nos no fecho do ano de 2010, o Governo de jovens, ora engravatados, através do seu emissário, bateu-lhe com a porta na cara perante uma ilustre figura de “casa”, se olharmos o comum da história dos povos que se cruzam culturalmente e, não só, oferecendo a investidura do actual Presidente da República a presença do homólogo, amigo de longa caminhada.

No desfilar dos prós e contras a volta da maka, próprios do direito de expressão, não faltaram neste jornal do nosso tempo, quem ainda em pleno século XXI, escrevesse para as nossas leituras, que o “lugar de mulher é na cozinha” ou peça com a mesma máscara, apenas para gozar do tempo on-line que as novas tecnologias nos tornaram todos e ainda bem, sem refinar os estímulos da mente, seus subservientes.

Em São Tomé e Príncipe, as estatísticas falam por si. A distância dos números no feminino nas áreas sociais, Educação e Saúde, já ultrapassou as mulheres dos homens num espaço temporal até aceite de pequeno, se tivermos em nota as gerações que assistiram essa cambalhota dos números. A discrepância surge quando olharmos os lugares dos cargos de chefias, mesmo nas mais avançadas das sociedades do mundo globalizado, aí sim, os gráficos colocam as mulheres aquém do desejável, assim como ainda é inferior as recompensas salariais perante o parceiro do mesmo patamar profissional. Uma outra pedra no calçado feminino tem a ver com a rejeição laboral ou serem submetidas ao prazo contratual em que não devem assumir a gravidez para não pecarem a rentabilidade empresarial também nas grandes economias do mundo.

O Presidente da República cessante, no balanço a Nação do seu dobrado mandato presidencial, puxou para a sua sardinha de que foi da sua autoria ou pelo menos da sua assinatura enquanto Comandante em Chefe que as jovens mulheres ousaram a desfilar, pela primeira vez no solo pátrio, em paridade combativa com os homens das Forças Armadas. É ainda da iniciativa do seu palaiêciano, o lugar da história em que mais mulheres subiram ao debate das grandes questões e decisões do país, enfileirando-se num Executivo, embora chefiado pelo parceiro.   

Apesar dos discursos floridos dos políticos, elas ainda são relegadas ao segundo escalão e os homens é que dirigem os partidos democráticos. O número de saias no parlamento ainda está longe de ser uma conquista pluralista. O partido do Governo nas últimas legislativas para engajar o rebanho a sua volta, prometeu uma representação por quota a sua bancada feminina, mas não passou disso mesmo. Na realidade, a insuficiência de mulheres a altura das opções executivas de ADI, secundarizou as palavras a questão de circunstância, atribuindo, de mais de uma dezena de lugares disponíveis para a governação do país, apenas um lugar a mulher.

Tudo não pode ser escrito a cinzento. Tivemos a honra de levar ao Mundo no feminino a cara e a voz de uma jovem, Secretária da Mesa da Assembleia Nacional, que nos brindou o orgulho, aquando da recente cerimónia de tomada de posse do actual, o mais alto Magistrado da Nação. Parabéns Senhora Deputada!

Porque os acontecimentos são recentes e o paladar eventualmente ainda azeda a convivência partidária e os estímulos da simpatia, foi-nos oferecido pelo direito democrático, a fôkôtô das mulheres do MLSTP/PSD, a avançar para a corrida do lugar de Presidente da República, sem se preocuparem com os danos colaterais que a briga pudesse orquestrar nos números do espectro da cadeira do mais ilustre cidadão ou da cidadã, ao que nos parece merecer o lugar.

Em 1996, o PCD embalado pelo vento tempestuoso da época, avançou a corrida ao mais alto posto da Nação, com a figura incontestável de uma mulher que, sem ganhar, até saiu bem da disputa, forçando aos são-tomenses a anotar na sua agenda democrática que nos momentos de campanha eleitoral tudo é válido. “Muala ká tá kantxim di cama”, para o mundo extra socopé, “as mulheres são submissas dos homens”, daí não merecerem do povo a sua eleição para a presidência da República. Decorridos os anos, longos quinze anos na continuada marcha democrática, as nossas mulheres deram o sinal de renovar a ambição. Entraram pela segunda vez no pleito eleitoral numa barafunda de candidatos. Não há duas sem três!

As mulheres do MLSTP/PSD reclamaram o lugar que no Mundo já é das mulheres, orando a personalidades como Ellen Johnson, Dilma Rousseff, Angela Merkel, Hilary Clinton e outras que pousam profissional, política e intelectualmente para os homens obedecer-lhes a vénia do chapéu. Recordemos aqui que na História da Humanidade, as mulheres brancas adquiriram muito primeiro que os homens negros, o direito de votar nos EUA. Aliás, piscando olho na nossa História caseira, também as mulheres adquiriram primeiro o direito de liberdade, antes dos homens, por pertencerem-lhes os filhos de Alforria, mulatos, cruzamentos com os primeiros colonos.

As mulheres são-tomenses no Concerto das Nações, nem devem ter grandes razões de queixa, porque São Tomé e Príncipe até fica no topo, concernente aos mais altos cargos da Nação já ocupados pelas senhoras. Presidente do Parlamento, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Primeira-Ministra, Ministra dos Militares e Governadora do Banco Central, são registos no feminino são-tomense.     

Com toda essa animação feminina dos últimos anos a alterar os números de conhecimentos académicos ao seu favor, contrapondo o antigo lugar de doméstica, embora a Deus pertencer a virtude de atribuir aos humanos os genes que possibilitam a cada nascimento de três mulheres, nascer dois homens, as igrejas insistem em não equiparar as mulheres aos homens, subjugando as nossas irmãs ao papel secundário da fé e, não menos importante, da caridade e da assistência médica e educacional.

Neste mês de Setembro, o calendário atribui as mulheres são-tomenses especial dia 19, porque embaladas no fervor revolucionário de 1974, entenderam na rebeldia levantar as saias a cabeça e reclamar ao representante colonial, na sua Casa Nobre, de que não podia haver retrocesso no direito a autodeterminação do povo das ilhas a sua independência total e imediata, infelizmente hoje, alguns homens se sentem ameaçados pelo assalto feminino a esfera exclusiva masculina. Daí já ser recorrente, a luta dos homens a busca da sua emancipação, qualquer crença como, retroceder ao lugar de criação que Deus a sua imagem fez o homem e da costela tirou a Eva que lhe deve o respeito e a gratidão pela bondade.

As mulheres são-tomenses, mães, trabalhadoras e heroínas ainda coabitam um mesmo país a duas e mais velocidades. Umas gemendo dos gritos dos filhos, estudantes bolseiros, abandonados a sua sorte no estrangeiro, sem tecto, sem comida, sem cabeça para pôr os estudos em dia e defenderem a honra das ilhas do Equador. Outras sortudas convivendo o privilégio dos filhos, também na cadeira de bolseiros estudantes, juntarem-se-lhes na santa gravana para a grande féria lectiva sem queixa do cacau, com direitos de alguns até depois de licenciarem o diploma, mestrearem os conhecimentos e por lá no estrangeiro, doutorarem o saber sem sequer, apesar da mesma comunhão, assinarem por baixo os gritos de socorro, de fome e de abandono dos seus colegas no sufoco de Deus dará.

Setembro é o mês festivo das mulheres são-tomenses. Parabéns Mulheres de São Tomé e Príncipe! 

“… Da costela do homem o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem.” Livro do Génesis (gen 2, 18-24) Antigo Testamento

22.09.2011

José Maria Cardoso

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    Antonia Faria Responder

    agradecemos pelo elogio.Mas não contetamos como a forma como somos tratadas. para que STP possa desenvolver de forma equilibrada é preciso que a paarticipação cívica e polítlca da mulher seja mais notória e palpavel. vários homens de um mesmo partido concorerram mas quando se trata das mulheres já é fokotó.Mil vezes agradecida pela sua analise simplista e sexista.

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      Fruta Fruta Responder

      Olá Antonia
      Achas que ser a 7ª costela do Adão é um elogio? Lembro-me de uma colega que me dizia com alguma graça que antes de se fazer uma obra prima deve-se fazer o rascunho. Neste caso, com todo o respeito pelo que aparece nos livros sagrados, será que a interpretação tradicional machista ao longo dos anos não preverteu intencionalmente os valores ou a realidade? Mas afinal estamos a falar de uma tradição judeu cristã que se desenvolveu ao longo do tempo no médio oriente, com tradições e culturas e riquezas diversas das nossas? Afinal que é o garante da continuidade da humanidade? Não é a mulher? Quem transporta o filho durante 9 meses? Depois de nascer que garante o sutento e cuidados até que a criança atinja a sua autosuficiencia?. Afinal o conceitofamília é importante e é isso que não sinto na nossa terra. Face as dificuldades economicas do país, como é possível que um homem tenha 2 , 3, mulheres. Qual o seu contributo para a criação e formaçãodos seus filhos?
      Meu Bem Haja à Mulher que megarantiu a vida e o que sou.

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        Fijalatao Responder

        Fruta-Fruta, em S.tomé e Príncipe com todas as carências, falta de responsabilidade do homem santomense para com a família, deve-se mesmo às mulheres! Porque se elas fossem mais cautelosas com elas próprias não haveria esses desvaneios homem/mulher em S,Tomé! Que culpa tem eles de vocês serem ainda fracas? Responda-me!
        Este seria o melhor debate para esta sessão do telanon!A promiscuidade e carências não obriga-nos(homem ou mulher a ser vulnerável!

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    Susana Narciso Responder

    Vê-se mesmo que é mais um homem desocupado e ultrajado e pior ainda que não sabe valorizar quem lhe pos no mundo e lhe deu a vida…..
    mal agradecido isso é que voçês os homens são uma aberação da naturureza e ainda por cima se vangloriam de serem o sexo forte!!!!
    “Macho e fêmea, Deus os criou”….lembre-se.

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    Fijalatao Responder

    Seria bom que fizessem bem certos comentários, comparações análises e etc, com base na verdade!

    Deus quando criou o homem não mencionou a ordem da costela da qual ele extraiu a mulher!

    Investiguem bem a bíblia, porque quem faz investigações bíblicas, perde o mesmo tempo que aquele que faz investigação científica!

    Ambos devem informar do fruto da sua investigação com verdade para não correr o risco de ser identificado como blasfemador.

    Se feri alguma sensibilidade, peço desculpas.

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