Opinião

Médicos são-tomenses e a arte de salvar vidas humanas

Está aqui um comprimido para ela tomar. É para ajudar com as dores. Mas não temos água. A senhora tem que procurar água para ela tomar o medicamento.” “É assim que estamos, é a realidade do país.

Isto é inacreditável!
Palavras da equipa médica e de enfermagem do serviço de urgência do Hospital Central Ayres de Menezes no atendimento a mãe de Ariete Leite, criança de 10 anos com fractura no braço.
In Téla Nón de 24.05.10
Ainda não pusemos o grão-de-bico no fogo por falta de água.” Queixa do cozinheiro do Hospital Central Ayres de Menezes.
In TN de 20.06.10.
Segundo os médicos-cirurgiões não há fio para sutura. A direcção do hospital teve que suspender as cirurgias por falta de fio de sutura. Há mais de um mês que não há fio de sutura no hospital”.
Fui a TVS e a Rádio Nacional e eles não aceitaram que eu falasse sobre este assunto
Gostaria de perguntar ao Governo do nosso país, como é possível uma coisa destas? Porque todas as semanas chegam aviões da Europa. Não é possível colocar uma caixinha de materiais para o país?
Denúncia e indignação da jovem Edelvina Garrido cujos médicos suspenderam a cirurgia a um familiar por falta de fio de sutura.
TN de 29.06.11
No ano passado o fundo de maneio era de 420 milhões de dobras por mês. Já neste ano de 2011, tem sido de 225 milhões, portanto reduziu em metade”.
Os nossos cabelos brancos, por si só, já revelam o quanto temos lutado para aguentar isto. É preciso haver apoio porque com a vida humana não se brinca.”
Reclamação de José Luís, director do Hospital Central Dr. Ayres de Menezes.
In TN do dia 16.08.11
Tivemos de enviar pacientes para tratamento no exterior, por causa da falta destes equipamentos. Temos um especialista capaz de fazer determinadas intervenções a nível de otorrinolaringologia, mas faltavam os materiais.”
Revelação da Ministra de Saúde, Ângela Pinheiro, em agradecimentos a ajuda francesa com equipamentos para o sector de otorrino do Hospital Central Ayres de Menezes.
In TN do dia 21.10.11
«Após a passagem de pasta com o Primeiro-Ministro cessante Rafael Branco, o novo Chefe do Governo realizou a sua primeira missão oficial no país. O Hospital Ayres de Menezes foi o alvo de uma visita surpresa. Patrice Trovoada acompanhado pela Ministra da Saúde, Ângela Pinheiro e pelo Ministro Secretário do Governo, Afonso Varela, percorreu todas as instalações do Hospital Ayres de Menezes. Quando a direcção do principal centro de saúde, se despertou já Patrice Trovoada e a sua comitiva estavam a tomar contacto com os serviços e os pacientes.»
In Téla Non de 17.08.10
A Nação são-tomense entrou em pleno no ano de 2012 com as perspectivas normais de crescimento económico e o povo como reza a tradição, encheu as invejáveis praias para lavar o Velho Ano com o renovar de esperanças numa vida melhor. Pena, é momentos desses não serem aproveitados para a mentalidade dos homens sofrer uma lavagem que possa direccionar o pensamento dos são-tomenses para criar a riqueza mental e material ao bem das ilhas do Equador.
É lamentável, assistir impavidamente a certas atrocidades de alguns que têm acesso as novas tecnologias de informação e de comunicação que não sabem aproveitar a lavagem das malezas do Ano Velho para darem-se ao respeito que é a todos exigido pela liberdade e diversidade de pensamento. Em todo o mundo, os médicos recolhem mais simpatia por parte das populações a frente dos professores que formam a sociedade. Mesmo em teatros de guerra, os médicos beneficiam de mais votos, ficando a frente dos soldados que defendem com vida e armas a Nação.
Não deve ser por má-fé, mas sim pela carência de informações ou a pouca noção do país a que pertencem, que pessoas descendo ao nível do mais caricato e escondendo-se na máscara da suposta ignorância, conseguem de forma abusiva e até de linguagem selvagem acusar os médicos são-tomenses formados na antiga União Soviética e em Cuba de incompetentes, desconsiderando o seu papel milagroso de salvar as vidas humanas.
A Nação que nasceu da independência com duas orelhas de médicos ajudados pelos médicos cooperantes chineses da Grande China, coreanos do Norte e cubanos, especialmente, viu-se reforçada desse pessoal, jovem e nacional a partir do início dos anos oitenta do século passado com o profissionalismo e sobretudo, o humanismo dos oriundos academicamente da antiga União Soviética e de Cuba que deixaram e deixam a sua marca intangível por onde são chamados a desempenhar o serviço público.
Recordar o hospital de Monte Café, o hospital-maternidade de Agostinho Neto e tantos outros hospitais que proliferaram pelo país dentro, um por distrito, é ter na memória e render homenagem as jovens médicas e aos seus pares são-tomenses formados especificamente na ex-URSS e Cuba e, não só, que exemplarmente lidaram com a saúde humana do país que lhes viu nascer e deu formação com o apoio da cooperação internacional.
Muitos desses profissionais, passado a tensão ideológica da guerra fria, hoje emprestam os seus conhecimentos em hospitais ocidentais e tantos outros, não só transportando no coração e com orgulho, a humildade e a Bandeira de São Tomé e Príncipe como ainda usam os seus préstimos aos concidadãos que lhes batem a porta, atitude louvável e desconhecida de certa miudagem cibernauta, a acreditar no desnível das intervenções.
Por esse mundo fora não faltam erros dos médicos que roubam vidas humanas e São Tomé e Príncipe não deve ser a excepção, tendo em conta a comum ideia de que «só não erra quem nada faz.» A delicadeza da profissão de medicina, sim, exige que os riscos de erros sejam de zero.
Os médicos em África e em São Tomé e Príncipe lutam diariamente em situações adversas e de terror, sem meios de diagnósticos, técnicos e curativos que só a perícia e o humanismo, lhes servem de materiais com que milagrosamente salvam as vidas dos seus pacientes.
O erro de um médico ou de um qualquer profissional nunca deve ser generalizado a classe e, há instituições desde os tribunais e até as associações profissionais, em caso concreto, a Ordem dos Médicos, cujos lesados devem accionar mecanismos para salvaguardar o bem insubstituível, a vida humana.
Daí, não é de gente que se preze rever em intervenções inadequadas diabolizando os médicos são-tomenses, quando pelos testemunhos que serviram de abertura desta rubrica, nem era necessário rondar em mais palavras, senão a de agradecimentos aos médicos nacionais que no país enfermo de políticas desnorteadas, profissionalmente, continuam a salvar a vida dos são-tomenses.
É dever alastrar as mesmas palavras de reconhecimento a todo o pessoal de Saúde, desde o servente ao mais alto técnico que cuida directa ou indirectamente da saúde dos são-tomenses. Longe da ciência e das unidades de saúde, o país conta também com a ajuda imprescindível dos massagistas e das parteiras tradicionais, estas que na hora do milagre das mulheres em trazer ao mundo o novo ser humano, prestam o nobre serviço a Nação, merecendo a reconhecida nota de realce dos são-tomenses.
Não é menos verdade que diariamente pelas mãos dos médicos são-tomenses e no Hospital Central Ayres de Menezes são salvas vidas humanas distante das câmaras e da imprensa ou seja, longe dos olhares da opinião pública, tornando espectável que os médicos nacionais esperem de 2012 uma maior intervenção financeira das políticas do país com meios técnicos e tudo do mais para a saúde humana, para que lhes continue a ser reconhecido o esforço que desprendem com os ademais técnicos de Saúde para o bem dos são-tomenses.
Uma jovem de 23 anos morreu em Novembro, durante uma cirurgia, no Hospital de Leiria. A jovem era acompanhada há quatro anos no hospital, em consultas de obesidade. Ia colocar uma banda gástrica, que lhe iria permitir controlar o problema.
Algo correu mal e a jovem morreu
.”
In Google «jovem morre na mesa de operações»
04.01.12
José Maria Cardoso

    19 comentários

19 comentários

  1. Hiost. Vaz

    4 de Janeiro de 2012 as 10:38

    Na verdade, naverdade vos digo parecer impossivel que isto aconteça… agora esta acontecendo com apenas um unico hospital estatal de renome que nos resta, ainda assim; encontramos dificuldades serissimas ao ponto de nao haver agua (quase impossivel) Deus nos acuda enfim…

    • sunpepe

      14 de Janeiro de 2012 as 19:13

      pois é pois é esse é um tema que eu keria falar a muito tempo hospital nao tem agua pra tomar os medicamentos eu mesmo uma vez estive duente e fui ao hospital, me derão soro en po pra cumer ou seja nao podia beber o sor oral pk n havia agua tinha k cumer o soro imagem so.. mas isso tudo nao me surprende pk s.tome nao gosta de gente k fala Verdade.voces sabem quem saos os responsaveis por hospital nao ter agua? pois sao os mesmos elenco governamental ou seja os ngue godo da praça porque saos os que morram no famoso campo de milho que desviarão o curso da agua pra sua casa e pra eles que se dane o povo piqueno que depende do hospital central porque cuando filho deles ficam duentes aviao vem seja la donde ker vir buscar em menos de vinte cuatro horas pois é pois é meus caros irmaos. uma pessoa k sempre demunciou esse tipo de coisa é o famoso adelino izidro hoje fizerão de tudo pra lhe por a tras das grades. conselho nao lhe faltou os que sao seus amigos sempre o dizia : adelino cala boca os gajos nao gostão de quem fala verdade ainda vais dar mal” dito e feito. garanto vos que ele nao esta preso devido acontecimento de monte macaco porque se for assim que raio de justiça é essa em que prendem o autor intelectual e autor material nao? se fosse assim o guarda tambem estaria preso.se houvese somente dez adelino izidro no seu tempo de deputado denunciando eses tipos de coisas de certesa que as coisas mudariam. mas todo mundo tem medo de falar… enfim minha gente nao se deichem enganar abrem os olhos meu povinho isso de hospital sen agua, sem fio de sotura? VAMOS FAZER MANIFESTAÇÃO EM MASSA E GREVE NACIONAL

  2. awa mato

    4 de Janeiro de 2012 as 15:00

    Enfim..! Se fossem os hospitais para todos seria diferente vos garanto, mas como é só para pobres é o que é…se o Pm Patrice Trovada e companhia tivessem que ser operados ou precisarem de cuidados medicos estariam bem melhores…Deus é grande!

    Isto esta se não se morre da doença morresse da cura.

  3. opiniao realistica em geral!!!

    4 de Janeiro de 2012 as 15:55

    mas há fotos de jet 7 de sao tomé e principe dominado por libaneses, portugueses e santomenses da elite politica e seus filhos e filhas, muitas delas com roupas curtas e pernas cheias dem anchas de sarna,

    enquanto isso é o povo que está nos hospitais passando o que passa.

    enquanto o jet 7 das ilhas confraterniza em cocktails e eventos disfarcando as quizilas e querelas politicas, porque ao fim e ao cabo, todos eles comem do banho e bolo da exploracao nacional.

  4. nelson pontes

    4 de Janeiro de 2012 as 16:28

    As vezes ponho-me a pensar na situação do País e pergunto-me: Será que temos homens formados e com capacidade para dirigir este país? Mas infelizmente tenho de admitir que não…já há mais de 20 anos que só vejo incompetência, imaturidade, irresponsabilidade por parte dos nossos dirigentes sejam eles que partido for. Parece que nenhum deles gostam do seu próprio país, os nossos políticos ainda não aprenderam que ao roubarem os bens do país, é o mesmo que roubar dele próprio.

  5. nelson pontes

    4 de Janeiro de 2012 as 16:34

    Um país como nosso deve ter um hospital muito bem organizado e a oferecer um serviço público de grande qualidade…parece que já não existe vergonha nem patriotismo nas classe politica santomense…como é possivel não se conzinhar por falta de água no hospital? Como é possivel não haver fio de sutura? Isto é ridículo, é das coisas mais patéticas que alguma vez aconteceu em S.Tomé…Um país governado por criminosos e ladrões.

  6. Rio do Ouro

    4 de Janeiro de 2012 as 16:39

    Outr vez falta de água ? Não posso acreditar !!! Ao menos um camião cisterna não existe no país para minorar essas falhas ? Credo !

  7. Paracetamol 500mg

    4 de Janeiro de 2012 as 17:00

    Fechem o hospital. Acabem com as juntas. Já existe IRS, quem tem medico de família no exterior, que pague com o seu dinheiro. Ex: os deputados, e outros.
    Muitos vão a Portugal realizar exames e consultas e aproveitam e passam umas ferias, depois no final, quem paga é o Estado.
    Fechem o Hospital.

  8. Valentim Cravid

    5 de Janeiro de 2012 as 9:47

    Governantes incompetentes!!!

  9. Anjo do Céu

    5 de Janeiro de 2012 as 11:15

    Senhora MInistra põe mão na consciencia, procura forma e método de cativar os quadros nacionais k estão fora a trabalhar no ramo da saude pra poder dar uma contribuição,ajudando enriquecer o nosso sistema de saúde.Não tenha receio em mobilizar os quadros principalmente nas areas do diagnósticos e especialidades.Somos todos filhos da TERRA.Faça como Angola,Cabo Verde e Moçambique.1º~são os nacionais.Façam alguma coisa de concreto em defesa da saúde do POVO.Obrigado

  10. bamm

    5 de Janeiro de 2012 as 11:54

    Como santomense, é uma vergonha ter qur ler esta informação, depois de tanta Água na ilha.mais uma vêz digo, pocavergonha vossa

  11. ilhas

    5 de Janeiro de 2012 as 16:49

    Povo Calado=povo “contentado”
    Ñ procurem no céu (deus. o que pode ser resolvido na terra. tenha-mos coragem de ser um povo de verdade pk se não muitas mais coisas más acabaram por vir.

  12. rapaz de riboque

    5 de Janeiro de 2012 as 19:23

    falam tanto mal do actual primeiro ministro mas pergunto quantos anos somos independentes? Quantos governos passaram ja no paìs ? séra que este em um ano e meio tem obrigação de fazer tudo o que os outros não fizeram? Séra que a curupção começou com este Governo? Séra que a incoptencia só é deste governo? Séra que o povo também tem ajudado para o desenvolvimento do País? Não amigos o mal ja vem há 36 anos porque todos nós incluindo os governantes contribuiram para o mal que encontramos é pena mas temos que assumir todos e capacitar-mos que enquanto não unir-mos os esforços e trabalhar todos para o desenvolvimento do pais nunca mais temos nada. Mas o governo é que paga tudo é como no futebol se uma equipa não tiver bons resultados é mais facil criticar o treinador e substitui-lo assim são os governantes.

  13. O não preconceituoso-rosario

    5 de Janeiro de 2012 as 21:09

    Regresso a era primitiva?!É de ficar revoltado perante essa situação. Esta mensagem espelha bem a lei dos mais fortes:sobrevivem os fortes e perecem os fracos.Essa lei ,os mais fortes são os da elite governativa são-tomense,esses sim gozam e abusam do bem público em seus beneficios e dos seus familiares e o triste é que a maioria não tem como gozar desse prvilégio. Injustiça social é o que comove os que não compatuam com esse tipo de coisas.Os políticos são imunes as críticas da sociedade,pois o povo sofrerá enquanto a mentalidade dos mesmos não sofrer alterações. Tenham piedade do povo senhores detentores do poder. É dificil aceitar essa realidade criada de má fé.Falta de fio para sutura no hospital?É muito dura essa situação!Acho que vou viver definitivamente em um ilhéu longe dessas barbaridades. Saúde é um direito e a usufruirmos dos cuidados de saúde,,os mesmos têm que ser de qualidade. Por favor ,alerta gritante de desespero, atenuem o exagero das desigualdades.Os que me antecederam relataram os abusos e regalias dos senhores que se intitulam dono do pedaço,quando querem fazer um tratamemto a uma imples escoriação ou constipação deslocam-se as clinicas em Portugal ou outros paises. Aos trabalhadores honestos,pessoas humildes são negadas em situações extremas de saúde, juntas medicas . É urgente dar prioridade ao setor da saúde em STP.Reflitamos todos. Que fazer? Onde chega a voz dos que sofrem com essa realidade?Mais consciência e justiça mis valorização da pessoa. Há ferramentas para repudiar e travar essa situação triste.Um bom ano e que 2012 seja um ano de reflexões sérias e efetivas sobre o estado social e de setores públicos em especial o da saude são-tomense.Mais e melhor saude para todos.

  14. zeca diabo

    5 de Janeiro de 2012 as 21:24

    Tem recebido varias ajudas internacionais, e o Taiwan tem efectuado varias ajudas sem contar com verbas das zonas petrolifora…sera que nenhuma destas quantias nao poderia ser desviada para resolver problemas do nosso unico hospital, ou os nossos governantes tem vergonha de descrever a realidade do nosso pais!!! Temos de mostrar a nossa realidade e descrever as nossas carrencias primarias…a saude e educacao e assistencia social deve estar em primeiro plano de qualquer governo do mundo…nao o capitalismo barato que esta a tomar conta de S. Tome e Principe!!!

    Forca Povo STP.

  15. O não preconceituoso-rosario

    5 de Janeiro de 2012 as 21:29

    a corrigir: imples- simples

  16. Voz da razão

    6 de Janeiro de 2012 as 8:18

    Dizem que no final de 2010 e no início de 2011, houve um projecto de captação e extenção de água pra hospital numa conduta exclusiva. O que acontece é que água não corre. Sabem porquê? Porque tiraram água no mesmo ramal para os senhores “ricos” de campo de milho e por isso a água perdeu pressão. No mesmo período construiram um grande depósito de água no quintal do Hospital, com um motor para bombear água, mas água não corre. Sabem porquê?
    Porque segundo os técnicos a instalação no hospital é antiga e por isso o sistema não funciona.
    Isto não é brincadeira? É caricato e cúmulo de ridículo.

  17. SANTOLA

    9 de Janeiro de 2012 as 12:19

    Ñ chorem sobre o Leite derramado …..vocês pediram mudança, esta a haver mudança sim ….mais para pior …..Que Deus ajude e dê consciência honestidade e lealdade para o Povo nos Políticos que estão agora a governar pq como diz o outro…MEU POVO ESTA A SOFRER………
    Credo!!!

  18. Cobra Preta

    11 de Janeiro de 2012 as 14:10

    Aguenta! Anda……

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