Contributo para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe III

A educação é um sector vital para o desenvolvimento de qualquer sociedade, já que representa sempre a evolução da sua própria estrutura idiossincrática, dos seus valores e ambições, das suas preocupações e opções, quanto aos rumos futuros a trilhar.

Sendo São Tomé e Príncipe um país em construção social, e aproveitando a abertura do novo ano letivo, achei que seria pertinente, no quadro das propostas de reformas que tenho apresentado para os diversos sectores do país, falar da Educação.

Não poderia no entanto, apresentar as minhas propostas de reformas, sem antes falar dos ganhos e dos objetivos da reforma da Educação já em curso no país desde 2003.

É importante realçar o alargamento da escolaridade obrigatória de 4º para o 6º ano. Entretanto, esta medida não foi suficiente para incentivar a adesão escolar. O abandono escolar por inacessibilidade das infraestruturas educativas, motivação ou mesmo pelo fim de uma refeição quente fornecida até 1996 pelo PAM foi elevado. 10% das crianças não chegavam a matricular-se no ensino primário e 44% não atingiam a 4º classe em 2001, ficando assim à margem dos níveis mais básicos de escolaridade mais de metade das crianças.

A ausência de uma política coerente, orientada para o acesso universal a uma educação de qualidade, conduziu à diminuição da taxa de escolaridade líquida e dos efetivos escolares logo no ensino primário.

Relativamente à alfabetização, a taxa de pessoas maiores de 15 anos decresceu de 73,2% em 1991/92 para 63,2% em 1999/2000, valor muito baixo quando comparado com os primeiros anos do pós-independência, quando em 1987 ultrapassava os 70%.  Este retrocesso pôs em causa todo o esforço anterior. Os números do Governo de São Tomé e Príncipe apontam no sentido de uma recuperação para níveis semelhantes aos do início dos anos 90. (73% em 2005/06).

Mesmo com este sucesso, que se presume ter sido conseguido graças à implementação do programa “Educação Solidária”, fruto da cooperação brasileira, no quadro da grande reforma do sector em marcha, existe um elevado “analfabetismo funcional”. Este resulta do facto de larga camada da população ter apenas os 4 anos de escolarização, deficiente e não qualificante para a inserção no mercado de trabalho.

No entanto, 2022 é uma das datas apontadas pelo Estado para atingir outras metas como: o desenvolvimento do ensino superior local e a formação de mais quadros qualificados.

Propostas de reforma.

Para que estas e outras metas possam ser atingidas, é preciso centrar as políticas educativas na resposta objetiva às necessidades de cada aluno, a fim de melhorar a sua educação e a sua formação, prosseguindo metas ambiciosas aferidas internacionalmente e combatendo as assimetrias sociais e regionais.

Isto implica novos modelos pedagógicos, evitando-se uniformizações indesejáveis e buscando-se soluções apropriadas a grupos com carências próprias, sejam elas físicas (Educação Especial), linguísticas ou culturais.

Por outro lado, existe a necessidade de contribuir para que os estudantes e as suas famílias disponham da informação apropriada às suas escolhas e que as possam exercer em respeito pelos seus valores.

Na verdade, o Ministério da Educação através dos serviços de estatísticas, quase não tem informado a população sobre as perspetivas do mercado de emprego, o que conduz a situações paradoxais, bem ilustradas pela contradição entre a formação de centenas de licenciados e reduzidas ofertas de emprego.

É preciso ainda generalizar e melhorar o ensino profissional.

Importa expandir a oferta profissional a nível do Ensino Secundário e generalizar os cursos conducentes aos Diplomas de Especialização (12º + 1.5 ou 2 anos) no Ensino Superior.

Esta generalização é essencial não só às necessidades da sociedade mas também à diversificação de escolhas vocacionais dos jovens.

Por último, e entre outras coisas, é preciso ainda promover a complementaridade entre Ensino Público e Privado.

Estimular o aumento da despesa privada em Educação.

Prestigiar a profissão de professor, criando quadros de estabilidade, motivação, formação e responsabilização, essenciais à sua valorização e potenciação enquanto primeiro recurso do sistema educativo.

Prestigiar e valorizar a Escola, a sua gestão como espaço central da Educação, melhorando os seus recursos e enriquecendo o espectro de atividades, não só de natureza disciplinar, mas também interdisciplinares e complementares, desde a Moral e a Religião à História e à Cultura, desde a Saúde e a Educação Sexual ao Desporto, desde as Tecnologias (em especial da Informação e Comunicação) às Artes.

Brany Cunha Lisboa

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    Lisboa Responder

    Fiquei triste ao saber que os nossos jovens estão a passar fome em Potugal.
    Os nossos governantes têm que por a mão na consciência e ajudar os nossos miúdos porque afinal de contas eles também um dia foram estudantes. Também faço um apelo aos ditos jovens para serem mais humildes, porque vejo alguns mais preucupados em ter telemóveis de 300 e 400€ e roupas de “marca”. Quem chora fome, não pode dar-se ao luxo de certas coisas! Sejam humildes com espirito de camaradagem!

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      Truki Sun Dêçú Responder

      Inteiramente de acordo com o seu comentário. Muitos preferem exibir-se, em vez de pensarem nas dificuldades do dia a dia, inerentes à sua situação de estudantes no Estrangeiro. Infelizmente não é só em Portugal (que também está em situação muito difícil), que passam fome e outras dificuldades. Também noutros Países, (Brasil, Cuba, Rússia, etc,etc) os Estudantes Santomenses passam fome e as mesmas dificuldades. Compete ao Governo de S.Tomé encontrar soluções para esta triste situação.

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    Takimo Responder

    Você deveria trabalhar para o ministério de Plano e Desenvolvimento.

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    Conveta Quá Responder

    Caro Brany
    Quase que torna doentio estarmos sempre a pensar na aplicação que os nossos conhecimentos teriam para o país, sabendo que a implementação dos mesmos é praticamenete condenada a fracasso devido ao desinteresse das pessoas que foram eleitas para fazerem algo. Talvez não desinteresse, mas interesse obscuro. Considero que neste momento é mais urgente o Barny, os outros são-tomenses que escrevem artigos, os que comentam ou simplesmente leem, que estendamos todos as mãos a qualquer iniciativa de mobilização popular para combater a corrupção no país. Depois disso verá como torna prazenteiro ver as boas ideias como as suas começarem a ser semeadas em solo fértil. Vamos todos assumir uma e única prioridade: COMBATER A CORRUPÇÃO.
    Concordam com a sugestão?
    Vamos?

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    Martins Elba Responder

    É o paíz qui temos

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    Carapau Responder

    olha cada vez ilha do principe está pior,o presidente do governo regional anda com a sua secretaria mesmo no seu gabinete,isso é muito grave porisso que o marido dela lhe abandonou,também aquela garota não presta mesmo………a jay não passa de uma vagabunda…………

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    sousa Responder

    ola carapau se realmente leste o texto, o que é que isto tem a ver com a educaçao? Seja mas criativo, isso n tem sentido nenhum…… obrigada

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