Por uma eventual instalação da Embaixada de São Tomé e Príncipe em Cabo Verde

Praia, 05 de Março de 2017

Há sensivelmente um ano e quatro meses, a Comunidade São-Tomense residente em Cabo Verde, recebia na sala de Conferências do Ministério de Relações Exteriores de Cabo Verde, a notícia na primeira voz, sobre a alegada instalação da embaixada de São Tomé e Príncipe em Cabo Verde. Ficou a bendita promessa com a qual congratulamos de sorrisos rasgados, muito depois de ter sido revisto e refletido os processos da sua incrementação à semelhança dos anos transatos. De acordo com o Senhor Primeiro-Ministro, Dr. Patrice Emery Trovoada, Cabo Verde receberia a embaixada de São Tomé e Príncipe em janeiro de 2016, uma vez que o Governo de Cabo Verde, já se havia disponibilizado em assumir os custos do edifício/instalação da supracitadaEmbaixada, por um período de dois anos. E que, em 2018, a comunidade participaria e exerceria o seu direito de voto nas eleições do país conforme reza a Constituição.

Passados dois meses, em dezembro de 2016, a mesma questão fora levantada durante o encontro com o então Presidente da República, Dr. Manuel Pinto da Costa. Neste encontro, o Presidente prontificou-se em tudo colaborar dentro das suas competências, influenciar o governo a criar condições da tão almejada instalação da Embaixada.

Das informações formais e informais que chegaram até estas ilhas, pousou a ideia de que se havia protagonizado a nomeação do encarregado de negócios da embaixada, cuja missão vinculava, identificar o edifício assim como os valores correspondentes à aquisição de mobiliários que melhor se adequasse à instalação física da embaixada.

Após diversas visitas do então eleito/nomeado, Encarregado de Negócios, e/ou Chefe de Logística, obtivemos informações em 2016 de que ficou identificado o edifício e que pernoitava analisados diversos valores referentes ao mobiliário de escritório.

Passado algum tempo, cerca de um ano e três meses, nada se verificou relativamente ao caso. O que se tem conferido é um “silêncio” por parte dos sucessivos governantes da República Democrática de São Tomé e Príncipe. Diversos Ministros de Negócios Estrangeiros vinham a Cabo Verde sem avançar em concreto sobre o assunto em epígrafe.

Acresce a isto o facto das informações recebidas durante o encontro com um dos representantes da República, em outubrode 2016que, de forma impactante, enfatizou a figura do embaixador que já havia sido nomeado.

A questão que se coloca aqui é de saber por parte das autoridades, sobretudo, após o anúncio feito pelos mais altos representantes da nação sobre a instalação da representação.

Houve épocas em que o povo vivia através de promessas e discursos. Como em qualquer lugar do mundo, aprende-se com a experiência na sociedade onde se está inseridoe a comunidade São-Tomenses em Cabo Verde, acredita ter tido a oportunidade de aprender com as experiências cabo-verdianas, sejam elas boas ou menos boas, tanto é, o aumento de participação política. Por este motivo, criticamos alguns dos comentários abaixo, entretanto selecionados:

“Já existe um decreto/lei que cria a embaixada de São Tomé e Príncipe, faltando apenas a abertura da representação diplomática na cidade da Praia. Para este recenseamento eleitoral já preparamos a logística para irmos a uma nova diáspora que é Cabo Verde. Mas estamos a espera que seja criada fisicamente a embaixada em Cabo Verde. Se até 11 de Abril a Embaixada de São Tomé e Príncipe, em Cabo Verde estiver em funcionamento teremos muito gosto mesmo, de ir lá para recensear os nossos concidadãos”, assegurou o Presidente da CEN.

O Presidente do CEN tem experiência suficiente para não vir ao público e fazer estes tipos de declarações. O que nos estranha são as referidas afirmações. Sabe-se que em um mês não se criam as condições para a instalação e consequente o processo de recenseamento. Apelamos ao uso da razão ao invés da emoção. Pois, já lá vão os 41 anos que estamos a viver, neste arquipélago, deste tipo de emoções.

Temos tido a oportunidade de verificar diversas visitas de altos representantes da República a Cabo Verde, participações em encontros de trabalhos, como é o caso do recente encontro entre os Estados amigos do Golfo da Guiné e o encontro entre os Grupos de Países dos Estados Insulares. Como têm o desafio da embaixada protelado para o segundo plano, pela falta de resolução, colocam-nos sobre este dilema, uma vez que parece que nos esquecem.

Ao nosso ver, tratando-se de uma visita ao arquipélago desta índole e os governos tendo desencadeado questões pendentes junto da comunidade, seria ético e nobre, aquando da realização de visitas de Estado, a realização de um pequeno encontro de esclarecimento e atualização das decisões com a comunidade são-tomense. Um caso a exemplificar, trata-se de visitas dos representes do Governo de Cabo Verde ao estrangeiro, que ao programarem-nas, fazem a questão de incluir na agenda, desde logo, um dia com a comunidade. Por conseguinte, este país continua, cada vez mais, a figurar-se como país de emigração e de imigração. Uma ressalva ao povo crítico da terra: Em nenhum momento, quisemos passar a mensagem de que se teria a necessidade de encontrar sempre com a comunidade, mas é preciso reconhecer enquanto dever moral, que o tecido celular do Estado e da Nação é constituído por cidadãos.

O Homem, o cidadão são-tomense, compreende-se na sua totalidade, esteja ele na roça, na cidade, no país e/ou na diáspora. Ele será sempre um são-tomense. Tem sido hábito o São-tomense confiar a sua representação a homens da terra, porém, durante os 41 anos de independência, fica escancarado que estes não têm sido merecedores desta confiança. Ao nosso ver, é preciso uma reflexão aprofundada em relação a esta questão pois, quando os direitos são postos em causa a sua capacidade de união pode ser decisiva. A solidarização é uma operação que mais se divide e mais se multiplica.

Mas, justifica a instalação de Uma Embaixada em Cabo Verde? Comporta-se

As relações entre estes dois povos remontam há séculos, Cabo Verde é um país pobre de recursos naturais, mas rico de RH – nação futurista, passou de país inviável a um país de desenvolvimento médio. Nos anos quarenta, os Cabo-verdianos emigraram para São Tomé e Príncipe com vista a contribuir para o desenvolvimento deste arquipélago e, muitos destes, regressaram ao país de origem e mantêm relações, até hoje, com a terra do cacau, seja ele pela história ou pelos familiares. E, hoje muitos são os São-tomenses, que procuram Cabo Verde e trazem consigo o sonho de um destino a uma vida melhor, tanto para imigração, turismos, negócios ouprosseguir nos estudos. E, de acordo com os dados do INE2015[i]existem em Cabo Verde, 4.428 São-tomenses. Este número é significativo para a instalação de uma representação consular neste arquipélago, sobretudo, no tocante a atualização dos documentos, pois, há muitos são-tomenses que estão impedidos de viajar e/ou mesmo circular entre ilhas por esta necessidade não suprida.

Tudo isto conduz-nos a questionar se de fato é prioritário, dado ao custo financeiro destinado a instalação de uma embaixada. Porquê não, uma representação consular, para dignificar a comunidade numa primeira fase, e na segunda a dita embaixada? Mas, estas questões já estão esgotadas. De acordo com o governo os custos seriam aproximados.

Ora bem, para além de tratar de questões consulares, uma representação diplomática poderá, para além de representar o país, criar canais diversos de oportunidades numa direção tripartida (STP, CV e um terceiro país), isto é, criar grupos de interesse com vista a atração de projetos numa visão clara e estratégica para o desenvolvimento sustentável e dinâmico a longo prazo para este país situado no equador.

Se de fato, se prende ao cumprimento da instalação da Embaixada e, consequentemente a participação da comunidade nas eleições de 2018, urge a necessidade de articulação das ações entre o governo e os cidadãos, ou seja, passar das ideias à ação prática.

É um direito nosso recensear, não como um ato de congratulação moral e individual, mas um direito inadiável sufragado na constituição da República.

Mantênha!

Adilson Barbosa A. Neto

netoadilson26@gmail.com

 

 

[i] Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde_ Inquérito Multiobjectivo Contínuo – 2014, Estatísticas das Migrações

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    lede di alami Responder

    Embaixada nao e mal, mas sair de Sao Tome ir emigrar em cabaverde, ja e outro histotia, 80% de caboverdianos vivem no estrangeiro

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      Mendes da Silva Responder

      lede di alami, acreditando que tu não conheces nem um pouco a realidade Cabo Verde, e o desenvolvimento de este pequeno arquipélago teve nos últimos tempo a sua ironia provocou-me de um certo modo alnastagia, talvez deverias pesquisar mais e investigar mais sobre Cabo Verde.

      Quanto ao artigo do Jovem Adson Neto, posso clarificar o artigo como ´´A relação sem relação“uma verdade que esta na cara de todos os dirigente que já governaram este pequeno país.
      Como jovem santomense residente também em Cabo Verde, ouvi e assisti varias vezes os nosso governastes a falarem da cooperação entre esses dois estado insulares, que cooperação ? que amizade ? é esta que já tem 40 anos, penso que um pouco de hipocrisia de uma parte que nos sabemos de quem é a culpa.
      Parabéns Adilson por desperta, os nossos governantes e os leitores do tela non, porque como dizemos na gíria popular ´´ Na terra de Cegos e mudos, vilo é Rei “

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      Lopes Responder

      Vê-se logo que não sabe do que está a falar. Primeiro não é 80% mas sim Mais de 100% dos Cabo-verdianos vivem na diáspora,mas não é porque o país desprezível, mas sim porque o Cabo Verdiano como um povo batalhador procura sempre novos horizontes para ajudar a construir o país que temos. Se hoje temos o país que temo foi graças à emigração. Graçad aos nossos emigrantes, hoje temo um país com condições de receber emigrantes, seja estudantes ou trabalhadores… E muitos poder ter certeza que vêm da sua terra por alguma razão que encontraram aqui é que o teu país não pode oferecer. Estude um pouco sobre Cabo Verde

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    EX Responder

    Sou de louvar esse artigo que vem com veemência criticar as declarações do Presidente de CNE e as promessas do PM de S.Tomé e Príncipe, mas o Governantes de STP ainda vivem as escuras, não sabem Governar para o Povo, so Governam pensando na Fama, no dinheiro e nas hipóteses de se enriquecerem com facilidade e rapidez eis a razão que deixa o pais em condições em que estão e não conseguem desenvolver politica de proximidade com São-tomenses que vivem no estrangeiros, sabendo eles que todos nos temos vontade de regressar mas regressa com alguma coisa, e não criam nenhuma politica de bonificação para regresso dos Cidadãos e nem promovem investimento dos mesmos.

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    hildilberto Dias Responder

    Factos vivenciado que até faz nos interogar Sera que os politicos dessa Nação estao preocupados com o pais ? Uma vez que esse assunto ja foi debatido em varios palcos mas que até o momento não temos vindo a notar a execusão do mesmo,sobre a possivel instalação da Embaixada ca em Cv tivemos inclusive o apoio tecnico como da logistica do Governo de Cv mas nós nem se quer tentamos aproveitar desta ajuda, apesar que desde do antemão ja sabemos que a nivel das Relações Exterior nunca tivemos uma relação Externa com base sustentada no investimento ou uma deplomacia Economica, ela foi desde de sempre baseada numa relaxão de Subsistencia que vamos ai nos paises irmão pedir dinheiro pedir ajudas extras e que mesmo essas ajudas solicitadas não temos vindo a ter resultados porque a referida ajuda antes de chegar ao pais ja é feito a distribuição antecipada,e que nem o cofre do Estado reconhece tal ajuda.Serà que vamos continuar sempre nesta brincadeira? Como diz a regra da Economia todo recurso é escasso e não vamos estar a pensar que os paises o mais rico que seja vai estar sempre a nos dar ajuda sabendo que as que anterior foram dadas não houve nenhuma politica de aplicabilidade como forma de rentabilizar-lo.Por isso meus caros fica a dica chega de durmir e vamos despertar quanto ainda é tempo.Chega de leve leve e mudamos do Ritmo para “Agora Vai”
    Hildilberto Dias
    Agente Social da Causas
    CV-Praia.

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    Joceline Almeida Responder

    Ao meu ver, a Comunidade de S. Tomé em Cabo Verde apresentou uma importante iniciativa, visto ter uma diáspora significativa em Cabo Verde. Os santomenses como qualquer outro cidadão tem direitos, entre os quais participar nas nas eleições do país e executar o seu dever cívico. Por essas e outras razões, aplaudo a iniciativa da comunidade, pois è igualmente o nosso dever proceder a iniciativas que vão ao encontro dessas comunidades, assim como exigir ao governo que cumpra os seus deveres e obrigações. Afinal, trabalham para o bem estar do povo são tomense e cabo-verdiano

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    Estou Triste Responder

    Duas orelha de pessoas residente em CV querem embaixada nós aqui na terra estamos sem dinheiro, sem energia, sem comida para comer quanto mais dinheiro para abrir embaixada em CV.

    Volta para terra passar fome junto com nós. Gente ta com problema muito emmmm…homem prometeu gente Dubai agora mudou para Shanghai. Coisa que está aqui na terra, eu também votei para homem corri desde do aeroporto até cidade, estou cansado com as promessas do homem.

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      Dieta Muito Responder

      Senhor “Estou Triste”, o senhor não imagina o quanto o senhor me fez rir. Dei umas grandes gargalhadas por sua causa. De facto gente está aqui muito mal, com escassez de géneros alimentares, de dinheiro, de negócios, de luz, de estrada, de água, de tudo, tudo, tudo, tudo. Agora outras pessoas estão lá fora a exigir embaixadas. O país está a dever milhares de dólares lá fora por causa de embaixadas cuja rendas de casa nós não podemos pagar. Os nossos embaixadores estão com vergonha lá fora e alguns adam escondidos porque estão a dever rendas de casas de embaixadores e da própria embaixada. O senhor primeiro-ministro prometeu tudo a todos e agora não sabe como é que ele vai resolver este problema. O país está uixe ouaxa. Não há rei nem roque. Só estamos a viver de promessas e cima de promessas. Todos os dias há uma nova promessa. Agora são os Chineses que também já estão a prometer as suas promessas. Eu não sei como é que vamos sair desta grande confusão.

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      Kuà kuá kuá Responder

      hahahahahahahahahahahahahaha

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    Cabo Verde Riba la.... Responder

    Para o seu (Des)conhecimento Cabo Verde é um Pais de Desenvolvimento Medio com 5 Universidades Crediveis com milhares pessoas estudando e formando …..Para que o Pais possa cresça casa vez mais……Coitado daqueles que nao tenham essas oportunidades …..abre esses seus olhos e Vai estudar sobre CV ….Que ha muitas coisas para desenvolver ESSA sua Mente deturbado…..

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    Nuno P Responder

    Bom dia, meus carros amigos e colegas, antes de mais venho espero que vcs estejam, com uma excelente deaposição e saude! Eu começaria, com uma piquena frase de um jovem jornalista santomense, que tinha passado por cabo verde. Nos prefirirmos sermos ricos em país pobre, do que, ser pobre em um país rico! Até quanto,nós os santomenses vamos continuar passivos, fingirmos que não estarmos a ver, temos que exigir os nossos ditos representantes que façam as coisas, que foram lá pra fazer, santomenses deixaram a desejar, tamos todos, uns bandos de hipocritas,lambedores de bota.Como se fosse que vendemos alma ao diabo, precisamos de conscencializar-nos. Vamos exigir, insistentemente, abaixo hipocresia,. Viva STP, e senhores residentes em Portugal,deixem só de reclamar, no vosso frio, e deixam pra base para eata luta.

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    SOBA LIMA Responder

    So queria lembrar aos leitores do tela nón que o problema nao esta so na falta da embaixada, mas tambem na falta do voo de ligação entre as duas ilhas STP/Cv que foi suspenço desde setembro ultimo e o governo santomense até a data não se pronunciou sobre o assunto. Parabéns Adilson pelo artigo

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    PEGA-PEGA Responder

    Meu caro Adilson Neto, pensar q os actuais dirigentes são melhores q os outros, significa um desconhecimento total da realidade d STP. Achas q os actuais n fazem parte dos q lá estiveram há 40 anos? Apenas um exemplo: PT já anda no poder há muitos anos(10 com seu pai, 10 com Fradique, 5 com Pinto e +)! Estes de agora são piores, vão deixar toda gente nua! “PÔVÔ ZÉTÁ DANÇÚ PLÔVIÁ DE BÔBÔ, CÔLÊ LENTLÁ PUÍTA, AH QUÊCÊ DE CUMBA DÊ”!

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    Mira Cardoso Borges Responder

    Parabéns Adilson pelo texto claro e objectivo. Pelas relações existentes entre os dois países e povos, é deveras incompreensível a não existência de uma representação diplomática de STP em Cabo Verde.
    Ao fim de 41 anos como país independente, como disse um leitor neste espaço, já passou da hora do leve-leve. Agora, mais do que nunca, os são-tomeneses devem exigir aos governantes o comprometimento serio com o desenvolvimento das ilhas. Urge resolver os reais problemas e parar com a politica de mediocridade que se faz em STP.

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    Very good Responder

    Caro irmão… Vc é meu orgulho, ciente da sua exuberante capacidade e fabuloso espírito de líder… Estás num bom caminho…futuro governador de ST…
    Sempre juntos

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    Eufrásia Santos Responder

    Adilson Neto fizeste um bom trabalho, é que em São Tomé e Principe os nossos dirigentes têm duas caras, mas quem sofre com isso somos nós.
    Como dizem:”Quá cá dá ni xuê lichi cá colê auã.

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      Verdade Doi Responder

      Só vivemos na promessa meu caro Amigo Dr. Adilson.

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    TxonóDiSumú Responder

    Gostei meu Caro Adilsom.Força…

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    Aurora Fernandes Responder

    Muito bem Adilson.
    Já passou da Hora dos Governantes de STP cumprirem os seus deveres.
    Força!!! Em vez deles tirarem o bom exemplo de Cabo Verde não.
    So Sabem tirar os maus exemplos de outros Países.Corrupção!!!
    Mas esse Povo sofrido ja começou a Despertar.

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