Sociedade

Fogo no BISTP foi um simulacro que revelou as deficiências do serviço de bombeiros e protecção civil

Na última quarta-feira e pela primeira vez, uma instituição bancária realizou um simulacro de incêndio nas suas instalações. Um teste para avaliar a capacidade de resposta do serviço de segurança da própria instituição, e do serviço de bombeiros e protecção civil do país.

Há um mês que os serviços de bombeiros e protecção civil foram alertados para o teste, que foi preparado no quadro do encontro dos oficiais de segurança do Banco português Caixa Geral de Depósitos, por sinal um dos accionistas do Banco Internacional de São Tomé e Príncipe.

 Alarmes de incêndio foram accionados em duas representações do BISTP. No edifício sede na Praça da Independência e numa delegação localizada perto do mercado municipal de São Tomé.

Fogo avisado não mata ninguém, mas apanhou alguns clientes do BISTP de surpresa. As sirenes obrigaram a evacuação do edifício. A corporação dos bombeiros entrou em acção alguns minutos depois.

O Superintendente Domingos Nascimento, comandante do serviço nacional de protecção civil e bombeiros, liderou os soldados da paz, que foram socorrer o edifício sede do BISTP.

«A olho nu pode-se ver que temos falta de meios. Não temos viaturas operacionais em condições para o combate ao incêndio», denunciou o chefe dos bombeiros.

Com duas viaturas tanque já cansadas, os bombeiros desenrolaram as mangueiras, e entraram na instalação do BISTP que não tinha qualquer fumo, quanto mais o fogo. E se fosse real? Se o fogo tivesse deflagrado no quarto ou quinto piso do edifício sede do BISTP?

«Para incêndio num prédio como este que tem 4 pisos deveríamos ter uma viatura autoescadas para que os agentes penetrassem através das escadas. Mas nós não temos. No nosso caso temos de subir pelas escadas, e o pior é se o fogo estiver a vir pelas escadas», alertou o Superintendente Domingos Nascimento.

As dificuldades operacionais do serviço de protecção civil e bombeiros de São Tomé e Príncipe reflectem-se no dia a dia. São poucas as situações de incêndio que foram devidamente controladas pelos bombeiros.

O simulacro organizado pelo BISTP acontece numa altura de fogos em São Tomé e Príncipe, a estação seca, a nossa Gravana. Na última semana o fogo devorou 3 residências numa comunidade piscatória próxima da capital São Tomé.  «O objetivo é nós testarmos os protocolos de segurança internos e as autoridades testarem também a sua capacidade operacional. No geral apreendermos com os erros, e corrigi-los», destacou Francisco Piedade, Presidente da Comissão Executiva do BISTP.

O maior Banco Privado do país e que tem o Estado santomense como um dos accionistas, treina o seu sistema interno de prevenção contra o incêndio, e desperta a atenção das autoridades nacionais para a necessidade da prevenção.

«Isso fará as pessoas reflectirem. Ainda na semana passada houve aquele incêndio que queimou várias casas e deixou várias famílias desalojadas. É uma questão de estarmos preparados antes de acontecer o acidente, e preparados para reagir quando acontece», precisou o Presidente da Comissão Executiva do BISTP.

Note-se que no quadro da adaptação às mudanças climáticas o sistema das Nações Unidas ajudou o governo santomense a criar um centro de operações, e de alerta e prevenção contra as catástrofes naturais.

Um centro de operações cuja actuação é praticamente invisível.

Abel Veiga

1 Comment

1 Comment

  1. CLEMILSON PEDRO DE SOUZA

    18 de Julho de 2025 at 11:20

    Milhares de euros e dólar em doações e não consegue comprar um caminhão de bombeiros

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

To Top