Cultura

“Nippon no Kokoro” põe chá do Japão e o aroma do cacau no centro da conferência sobre a cultura japonesa em STP

“Japão no Coração” ou a essência do Japão podem ser os significados em português para a expressão japonesa “Nippon no Koroko”.

A expressão japonesa inspira a primeira conferência cultural Japão – São Tomé e Príncipe a ser realizada esta quarta-feira , 18 de março, na Aliança Francesa.

O grupo japonês Tanaka, que comercializa café desde 1963, descobriu no ano 2019 o sabor único do cacau de São Tomé e Príncipe. A paixão pelo cacau da ilha do golfo da Guiné, levou a senhora ChihiroTanaka, proprietária da confeitaria japonesa a arregaçar as mangas, e plantar cacaueiros numa pequena parcela de terra da roça Monte Macaco em São Tomé.

O sabor do cacau de São Tomé entrou assim no mercado japonês de chocolate e de outras iguarias.

Cacau, o fruto que marca a história do país, e que moldou a cultura são-tomense destaca-se no oriente, onde o chá também é cultura e história do povo japonês.

«O primeiro tema da conferência será a apresentação do chá verde japonês, que vamos servir aqui em demonstração. E em segundo lugar temos o cacau de São Tomé transformado no Japão», afirmou Chihiro Tanaka

Na entrevista exclusiva ao Téla Nón Chihiro explicou que pretende construir um relacionamento coeso com as pessoas que produzem o cacau. Um relacionamento de parceria com as gentes da roça. «É a minha terceira visita a São Tomé e Príncipe, quero ter uma conexão com as pessoas que produzem o cacau, e assim conseguir difundir esta cultura, e ao mesmo tempo ajudar, sobretudo as mulheres envolvidas na produção desta matéria prima», confirmou.

Confessou que visitou vários países produtores de cacau da América Latina à Ásia, mas só aqui encontrou o sabor apaixonante. «Tem uma sensibilidade única dentro deste sabor, que tem diversos aromas. Eu me apaixonei pelo sabor do cacau de São Tomé», frisou.

Paixão por um produto cultivado com amor desde o século XVIII, até à actualidade em São Tomé e Príncipe. Uma cultura que ajudou a construir um património natural que é hoje reconhecido pela UNESCO, como sendo do mundo.

«Um estatuto maravilhoso que ajuda a proteger esta ilha que é tão bela. A protecção do ambiente. A valorização do cacau vai ajudar a proteger ainda mais esta ilha», sublinhou a senhora Tanaka.

A harmonia com a natureza está na génese da produção do cacau de alta qualidade. Árvores de sombreamento que protegem, e irrigam os cacaueiros na estação seca, formam a floresta secundária do país.  

O chá cultivado no Japão é também considerado como uma inspiração da natureza.

«No conceito japonês o Chá tem a ver com a harmonia. Harmonia entre as pessoas, e o convívio harmonioso com a natureza. Queremos transmitir este espírito emanado pelo Chá durante a conferência cultural», prometeu.

Segundo Tanaka, o chá é cultivado no Japão há 1200 anos. Inicialmente como uma bebida medicinal popularizou-se e ganhou notoriedade entre os SAMURAI(guerreiros de espadas).

«São pessoas guerreiras, que viviam à beira da morte, e o chá foi concebido como a cura espiritual para os SAMURAI, para os acalmar e manter a tranquilidade da mente», relatou.

Chihiro Tanaka e Takayuki Mizuno serão os oradores japoneses na primeira conferência sobre a cultura são-tomense e nipónica.

Em parceria com o governo do Japão, Tanaka foi a principal patrocinadora da participação de São Tomé e Príncipe na Exposição Mundial de Osaka no ano 2025.

«Mesmo ao lado do pavilhão de São Tomé, também montamos um pavilhão do cacau de São Tomé. Vendemos doces e chocolates com ajuda da Inácia e da Fátima. Houve muita procura, colocamos os produtos à venda de manhã e à tarde já estavam esgotados. Essa maravilha que é o cacau de São Tomé está a ser promovido e muito no Japão», pontuou.

Revistas e outros documentos concedidos ao Téla Nón provam que os japoneses consomem muito mais o sabor do cacau de São Tomé, no dia dos namorados, 14 de Fevereiro.

As lojas do grupo TANAKA nas 3 maiores cidades do Japão, nomeadamente Tóquio  Osaka e Nagoya quase que arrebentar pelas costuras pela grande moldura humana que busca chocolates e doces a base do cacau de São Tomé, para assim adocicar o namoro de 14 de Fevereiro.

O grupo japonês que cultiva cacau em 1 hectare de terra da roça Monte Macaco no distrito de Mé-zochi, arredores da Vila da Madalena, diz que pretende sensibilizar o ministério da agricultura, a conceder terras agrícolas abandonadas para revitalizar a produção do cacau.

«Pretendemos é exportar pelo menos 3 toneladas de cacau por ano para o Japão. E mais tarde formar e apetrechar as mulheres produtoras do cacau para que possam transformar o cacau aqui mesmo, e depois exportar», concluiu.

Frutos e sabores da ROÇA, que ao longo dos séculos dignificam São Tomé e Príncipe nos quatro cantos do mundo.

Abel Veiga 

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