O peso da abstenção nas eleições presidenciais do último domingo em São Tomé e Príncipe, superior a 58%, deve convocar os atores políticos a uma reflexão séria e desapaixonada sobre a condução dos destinos nacionais.
Para o analista político Luisélio Pinto, São Tomé e Príncipe fala através do voto, mas a democracia também se mede pelos cidadãos que optam por não participar.
“Há um afastamento, protesto e desencantamento com a vida pública e com a classe política em particular. Isso é mais do que evidente em relação à abstenção”, sublinhou.
Na sua leitura, a derrota de Nito Viegas d’Abreu, candidato apoiado pela direção da ADI liderada por Patrice Trovoada, evidencia as consequências da crise interna e da profunda divisão no seio da maior força política santomense, fragilizando a figura do líder.
“O ADI afeto a Patrice Trovoada tem vindo de derrotas sucessivas: no comportamento parlamentar, nas moções de censura e na dificuldade em clarificar a situação partidária. Não se trata de um desmoronamento, mas de um processo de fragilidade que mina a afirmação da liderança e a sustentação política”, acrescentou Luisélio Pinto.
A verdadeira prova de fogo, sustenta o analista, será a clarificação da liderança do partido e a sua consequente participação nas eleições legislativas, autárquicas e regionais agendadas para 27 de setembro.
José Bouças