As roças coloniais de São Tomé e Príncipe estão cada vez mais próximas de serem inscritas na Lista do Património Mundial da UNESCO.
A decisão final deverá ser conhecida ainda esta semana e poderá constituir um marco histórico para o país, com repercussões na preservação do património e na promoção do turismo.
A candidatura apresentada por São Tomé e Príncipe ultrapassou com êxito as duas primeiras fases do processo de avaliação da UNESCO e aguarda agora a deliberação definitiva.
“Entre 24 e 27 deste mês, em Busan, na Coreia do Sul, nós teremos o nosso primeiro elemento de património cultural e material inscrito na lista do património mundial”, afirmou Sónia Carvalho, ponto focal da UNESCO para São Tomé e Príncipe.

As roças selecionadas, Sundy, Monte Café, Água Izé, Belo Monte, Diogo Vaz e São João, preservam características arquitetónicas, urbanísticas e sociais que testemunham um modelo singular de organização colonial.
Para Sónia Carvalho, este reconhecimento poderá reforçar a valorização do património e abrir novas oportunidades para um turismo sustentável, num país cujo território já foi integralmente reconhecido como Reserva Mundial da Biosfera.
“Inscrevemos há pouco tempo o Tchiloli na lista representativa, estamos agora a inscrever as roças para o património mundial. Temos todos os elementos para desenvolver um turismo sustentável e, acima de tudo, valorizar as pessoas que vivem nesta reserva mundial da biosfera”, sublinhou.

As roças, que conheceram o auge entre o final do século XIX e o início do século XX, constituíram um sistema agrícola e social assente na produção de cacau e café, recorrendo ao trabalho de milhares de contratados provenientes de diversos territórios africanos.
Se aprovada, esta será a primeira inscrição de São Tomé e Príncipe na Lista do Património Mundial da UNESCO, um reconhecimento que poderá projetar internacionalmente um dos mais emblemáticos símbolos da história e identidade do arquipélago.
José Bouças