O ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, que presidiu o partido ADI durante mais de 20 anos, admitiu, pela primeira vez de forma explícita, que poderá colocar um ponto final na sua carreira política, afirmando que os próximos meses serão determinantes para definir o seu futuro.
“Talvez também termine uma etapa da minha própria caminhada política e, se assim for, aceito isso com perfeita calma e serenidade, porque nenhum homem é eterno e nenhum líder é insubstituível“, declarou numa comunicação feita na rede social facebook.
A possibilidade de abandonar a primeira linha da política surge quando o Tribunal Constitucional reconheceu Américo d’Oliveira Ramos, o actual primeiro-ministro do governo da ADI, como presidente do partido. Uma decisão que Patrice Trovoada rejeita e considera ser resultado de um processo que afastou a sua direção da disputa política.
Num dos momentos do discurso, reconheceu que cometeu erros durante o período em que exerceu funções governativas.
“Não tenho dificuldade em reconhecer que não sou perfeito. Eu também errei“, afirmou, acrescentando que poderia ter ouvido mais, explicado melhor e tomado decisões diferentes. Ainda assim, defendeu que nunca lhe faltaram dedicação, coragem e compromisso com o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.
Ao recordar os anos em que liderou o Governo, Patrice Trovoada destacou as maiorias eleitorais alcançadas pelo ADI e sustentou que todas as responsabilidades políticas que assumiu resultaram da vontade popular, defendendo que a legitimidade democrática deve ser conquistada exclusivamente nas urnas.
Na mesma intervenção, contestou a decisão do Tribunal Constitucional que reconheceu a nova direção do ADI, afirmando que o partido legítimo foi impedido de concorrer em igualdade de circunstâncias nas próximas eleições legislativas. Patrice Trovoada considerou que a decisão representa uma interferência na vida interna do partido e acusou o Tribunal de ter servido de suporte ao afastamento da direção que liderava.
Referindo-se às recentes eleições presidenciais, disse que o verdadeiro sinal de preocupação não foi apenas o resultado eleitoral, mas também a elevada abstenção e a crescente desconfiança dos cidadãos relativamente ao processo democrático, defendendo que todas as dúvidas levantadas sobre o escrutínio devem ser esclarecidas para preservar a credibilidade das eleições.
Waley Quaresma