Américo d’Oliveira Ramos assumiu na segunda-feira o compromisso de conduzir o partido ADI para uma nova fase, marcada pela unidade interna, pelo reforço da democracia partidária e por uma liderança baseada no diálogo, na transparência e no mérito.
A declaração pública aconteceu depois de o Tribunal Constitucional ter proferido o Acórdão n.º 28/2026, através do qual deferiu a anotação da eleição de Américo Ramos como presidente do ADI, bem como dos primeiros vice-presidentes e dos novos membros do Conselho Nacional do partido.
Para o novo líder dos democratas independentes, a decisão judicial representa mais do que uma vitória individual ou de uma candidatura. “Representa o sucesso de uma causa coletiva que exigiu coragem, rigor e, acima de tudo, muito humanismo“, afirmou perante militantes, simpatizantes e convidados.
Américo Ramos procurou transmitir uma mensagem de reconciliação dentro do partido, dirigindo um apelo às diferentes sensibilidades internas do ADI.
“O momento é de união. Estou aberto a criar consensos, promover a coesão e defender os ideais de um ADI livre, renovado e reformador“, declarou.
O presidente do ADI reconheceu que o processo de disputa interna foi marcado por dificuldades e divergências, mas referiu que a nova liderança pretende ultrapassar as divisões através do diálogo e da participação dos militantes.
“Venham que temos muito trabalho pela frente“, afirmou, numa mensagem dirigida também aos seus opositores internos.
Américo Ramos defendeu que a democracia exige coerência institucional, independentemente de as decisões tomadas pelos tribunais agradarem ou não aos diferentes intervenientes.
“A democracia não pode funcionar apenas quando as decisões nos são favoráveis“, afirmou, acrescentando que, num Estado de Direito, nenhuma pessoa, dirigente ou partido está acima da Constituição e das instituições da República.
Segundo o novo presidente do ADI, quem discorda de uma decisão judicial tem o direito de recorrer aos mecanismos previstos na lei, mas essa discordância não deve transformar-se num apelo à desobediência institucional.
Américo Ramos apresentou cinco compromissos que deverão orientar a sua liderança.
O primeiro passa pela reconstrução da unidade interna do partido, através da criação de mecanismos de diálogo entre diferentes sensibilidades e da realização de encontros de reconciliação em todo o país.
O segundo compromisso visa devolver maior dinâmica democrática ao funcionamento interno do ADI, garantindo o funcionamento regular dos órgãos, o respeito pelos estatutos e a realização dos congressos dentro dos prazos estabelecidos.
A valorização do mérito constitui o terceiro compromisso. Américo Ramos defendeu que a escolha de dirigentes e candidatos deve privilegiar a competência, a integridade e a capacidade de servir, afastando critérios baseados em relações pessoais ou fidelidades individuais.
O quarto compromisso está relacionado com a transparência. O novo presidente prometeu que os militantes terão acesso a informações sobre a situação financeira, patrimonial e organizacional do partido.
Por último, apontou como prioridade a preparação de uma nova geração política, envolvendo jovens, mulheres, quadros, militantes históricos, estruturas distritais, a Região Autónoma do Príncipe e a diáspora na construção do futuro do partido.
“Faremos de tudo para trazer todas as correntes de opiniões a um ponto de convergência com vista a reunificar o partido“, afirmou.
A legitimidade conferida pelo Tribunal Constitucional à nova liderança da ADI marca um novo ciclo político no maior partido do país.
Waley Quaresma