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O que esperar do MLSTP/PSD depois de 15 de janeiro de 2011

Artigo de Carllile Costa Alegre, graduada em Jornalismo pela Universidade Católica de São Paulo – Brasil.

Carllile Alegre *

O que esperar do MLSTP/PSD depois de 15 de janeiro de 2011

O MLSTP/PSD partido histórico de São Tomé e Príncipe realizará o seu conclave extraordinário na primeira quinzena de janeiro de 2011. Certamente o assunto em foco é a escolha do sucessor de Rafael Branco na liderança do partido dos camaradas do Riboque.    Se por mérito próprio do partido ou por empenho pessoal dos aspirantes a hierarquia máxima do partido, já surgiram vários actores políticos que apresentaram pré-candidaturas. Isso mostra que ainda existe uma certa democracia interna no seio do MLSTP/PSD.

As alas lideradas por estes pré-candidatos buscam apoio de figuras históricas, consensuais e carismáticas do partido para transformá-los em principais cabos eleitorais e articuladores políticos com o claro interesse de conquistarem a simpatia do eleitorado/congressistas, sobretudo os militantes das bases. Até agora já surgiram três  pré-candidatos praticamente oficializados:  Amado Pereira Couto, Aurélio Martins e Jorge Amado. Pelo tempo que resta, muita coisa ainda pode acontecer. Poderá ocorrer a aparição de novos candidatos ou a desistência de quem já se auto-declarou candidato.

Para o pleito do dia 15 de janeiro, há pelo menos, um dado importante a reter: Pela primeira vez surgem candidaturas emplacadas por duas correntes diferentes: A nova e a velha geração.  Ambas as correntes partem para o embate eleitoral rumo à conquista da liderança do partido. Aurélio Martins representa a nova geração. Jorge Amado e Amado Pereira Couto, representam a geração do partido relativamente antiga. Estas candidaturas aliam experiência e protagonismo.

Jorge Amado e Amaro Couto, no campo político e técnico, são relativamente mais experientes do que Aurélio Martins.  Até agora, Aurélio, como deputado, apenas degalgou os degraus do Parlamento. O que já é um bom começo.  Mas esses indicadores não terão grandes pesos no congresso, visto que nos corredores do MLSTP/PSD ecoa o coro uníssono de renovação e injecção  de sangue novo nas estruturas do partido. Nesse aspecto da renovação, Aurélio Martins aliado ao protagonismo e visibilidade midiática associada ao seu pragmatismo público de empreendedor e “homem das causas sociais”, certamente neste quesito sai em ligeira vantagem em relação aos demais candidatos.

Neste período de embate eleitoral, as estruturas do partido devem ficar atentas a estas candidaturas no sentido de manter forte a coesão interna do MLSTP/PSD. E é aqui onde entra em cena a necessidade da presença dos mais experientes, digamos os mais antigos, no sentido de mediarem e moderarem o tom do debate eleitoral na esfera do partido, incutindo a todos os aspirantes ao cadeirão máximo do partido, a idéia democrática de que candidatos do mesmo partido, não são inimigos, nem tão pouco adversários políticos; e sim colaboradores. Isso serviria para prevenir possíveis retaliações da ala do eventual ganhador sobre as alas dos perdedores. Por isso, idéias internas retaliadoras devem ser abolidas imediatamente. Na medida em que o que está em causa são os fundamentos soberanos do partido, é imprescindível a participação e colaboração de todos na futura direção do partido.

Numa altura em que o MLSTP/PSD acumulou desastres eleitorais nos últimos dois pleitos, deveria apostar na renovação da sua imagem para resgatar a credibilidade junto ao eleitorado santomense, que teima em sancioná-lo nas urnas. E para convencer o eleitor, nada mais importante do que primeiro organizar-se internamente.  É verdade incontestável que o MLSTP é um partido histórico, com brilhante tradição política, mas isso por si só, não resolve nada. Não endossa superioridade política permanente sobre as demais forças políticas do país.

Por isso, o MLSTP/PSD deverá neste congresso rever seriamente o seu programa, estatutos e diretrizes, para evitar que os problemas da atual direcção se arrastem para a nova direcção a ser eleita em janeiro de 2011. Se estes aspectos não merecerem a devida atenção, o MLSTP/PSD poderá correr o risco de reproduzir o destino de alguns partidos tradicionais da América  Latina, como ocorreu na Argentina, no Brasil e no México.

Nestes países, partidos ditos tradicionalíssimos e históricos, perderam a liderança da nação para partidos emergidos das massas que apostavam na renovação democrática e social do país.  O caso do Partido dos Trabalhadores (PT), no Brasil, é o mais exemplar. Surgiu nos anos 80 com pouca expressão no cenário político. Vinte anos depois se converteu numa das maiores força política do Brasil que, para além de ter conquistado dois mandatos presidenciais (2002-2010) elegeu recentemente a primeira mulher presidente do país e uma boa quota de governadores, senadores e deputados.

(* ) Carllile Alegre, é graduada em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

16 Comments

16 Comments

  1. Carlos Ceita

    9 de Dezembro de 2010 at 20:57

    Minha cara amiga compatriota não tenho preferência por partidos nenhum muito menos MLSTP/PSD. Mas a verdade seja dita aconteça o que acontecer ganhe quem ganhar no MLSTP/PSD este partido foi é e será um partido da governação em STP. Atrevo mesmo a dizer que é o partido mais coeso e sólido em STP com uma militância histórica e convicta. E perante as sucessivas trapalhadas do actual executivo e para não falar de outros chamados família da mudança não me admira que muito brevemente MLSTP/PSD regressara ao poder com uma maioria absolutíssima.

  2. vava

    9 de Dezembro de 2010 at 21:22

    VIVA STP TRADING !! VIVA VIVA

  3. E. Santos

    9 de Dezembro de 2010 at 22:09

    Bem, etse país é mesmo surpreendente. Imagina se todo jornalista tivesse que mostrar o seu CV quando escrevesse para um Jornal. Ou o José Rodrigues dos Santos a terminar o Jornal da Noite a dizer: “José Rodrigue dos Santos, Graduado em Jornalismo”.
    Meu caros, vocês não precisam sistemáticamente exibir o vosso diploma para niguém. Façam o vosso trabalho. Há de sempre haver quem goste e quem não goste. O importante é ter a certeza de que deram o vosso melhor, com ou sem Licenciatura.
    Notem que também há muitos Graduados que não valem nada. Não isso que faz a diferença. A diferença faz cada um de si próprio. O conteúdo é o que vai ser avaliado.
    Que me interessa se és Graduada ou não. Não te queremos contratar para nada.

  4. Celsio Junqueira

    9 de Dezembro de 2010 at 22:16

    Carissima Carllile Alegre,

    Bom texto!!!

    Mas faltou falar:
    – em abrir o partido a sociedade civil;
    – novo projecto politico (um documento);
    – novas regras para os militantes que ocupem os cargos dentro e fora do partido (ética e transparência);
    – rever a comunicação politica; etc.

    Faz falta um MLSTP/PSD como deve ser, porque é necessário uma boa oposição para que o Governo, trabalhe bem.

    Saudações Cordiais,

  5. suave

    9 de Dezembro de 2010 at 23:21

    grande artigo querida amiga, Carlille Brandao Costa Alegre!

    do teu amigo e vizinho na banda.

  6. Atenta.

    10 de Dezembro de 2010 at 1:01

    Querida Carlile, acho legal voçê escrever e querer ser interventiva, mas tome cuidado com os erros ortograficos e de concordancia. Para uma “graduada” em jornalismo, voçê comete erros gramaticais primarios. Isso serve também para todos os jovens que agora deram para ser cronistas. façam uma revisão dos textos antes de publica-los. Um conselho de amiga.

    • Mais atento

      10 de Dezembro de 2010 at 20:19

      “Voçê” não se escreve com “ç”. Achei importante assinalar isso para alguém que resolveu corrigir os erros ortográficos da cronista.

    • Ao mais atento

      12 de Dezembro de 2010 at 13:36

      Mais atento faltou só mais um pouco de atenção para voce descobrir que o texto em referencia não se trata de uma crónica, e sim de um ARTIGO DE OPINIÃO.

    • António Veiga Costa

      10 de Dezembro de 2010 at 22:02

      Atenta, poderia descrever aqui quais foram os erros ortográficos e de concordância???
      Agradeço.

  7. Paulo Cézar Simões

    10 de Dezembro de 2010 at 1:02

    Tens toda a razão a quando dizes que o tempo de mudar chegou. Se fores agora, o que virá pela frente poderá ser quem sabe a própria desidrataçaõ do partido.

  8. Artur Azevedo

    10 de Dezembro de 2010 at 4:24

    Este artigo expõe uma apreciação muito real e atualda politica nacional.

    parabéns a articulista.

  9. suave

    10 de Dezembro de 2010 at 7:33

    abracao mesmo amiga!

  10. suave

    10 de Dezembro de 2010 at 10:23

    dou o beneficio da duvida de considerar o que o senhor E.Santos disse como positivo, com relacao ao facto de que nao é o curriculum ou o facto de ser licenciado ou engenheiro é que dignifica ou evidencia a competencia de cada qual; ms em contrapartida tambem e dado a mneira meio ríspida que abordou tal questao, tambem desconfio e diria que provavelmente o senhor E. Santos é mais um daqueles que nos ultimos 7 há 9 anos, em que as coisas ainda mais degradaram no país, pois se subsumiu de favores ou facilitismos em quanto a posicao laboral, e é um desses sem formacao que há cerca de 2 ano pra cá,e com maior veemencia, desde que regresso o columoso grupo de cuba, levam por todo o país uma campanha silenciosa e atrevida em contra de todos os quadros recém graduados que regressam o nosso país.

    é mentira ou verdade senhor E. Santos???

  11. suave

    10 de Dezembro de 2010 at 10:32

    descupem-me os erros por nao ter antes revisto e corrigido o anterior texto. pelo que passo a corrigi-los: mas; maneira; regressou; volumoso; ao nosso pais.

  12. brito afonso

    10 de Dezembro de 2010 at 10:42

    ola. Quanto tempo. Gostei de ler. Desejo muitas felicidades.

  13. helmer dias

    10 de Dezembro de 2010 at 17:01

    MLSTP-PSD eu cresci a ver e a escutar durante muito tempo,os senhores desse partido de que realmente eu preso e revejo nas politicas que era imposta ao povo santomense.Mais hoje eu fico estupefato em que tornou o partido,nao oque esses senhores nos ultimos 15 anos tranformaram o partido.Em primeiro lugar a coletividade posso chamar assim atualmente para mais so de alguns senhores que julgam estao nos seus jardim e nas suas casas a espera que os trabalhadores”militantes e povo santomense” lhes servao e sem receber nada e ficavam assim 4 em 4 anos.E QUERO DESEJO que apareça candidatos fortes novos e com mentalidade de rejuvecimento do partido e de como levar e elevar o nome de sao-tome e princípe muito longe e proporcionar uma bela vida a todos santomens.Por isso nao tenho preferencia para nenhum candidado desejo que ele seja bom serio para militante e povo.Paz para todos do partido e que jovem nao sejamos preguiçosos.eu quero mel para isso tenho que enfrentar abelhas donas das mesma.PERGUNTO atualmente qual é a ideologia do partido?algeum esclareça-me por favor.obrigado

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