Cultura

“Entre o Mato e a Roça”

O Centro Cultural Brasil-São Tomé e Príncipe, CCB-STP, inaugurou no domingo, na roça Água-Izé – Cantagalo, no espaço FACA, Fábrica de Artes, Ambiente e Cidadania Activa, a exposição fotográfica “Entre o Matos e Roças” do Antropólogo e fotógrafo brasileiro, Emiliano Dantas.

“Entre o Mato e a Roça”  é um nome que alude a um não lugar, um fluxo de transformações de trocas. O Mato são as plantas rebeldes que crescem de forma agreste, aquelas que nascem e desafiam a mão humana que tenta destruir a floresta.

O Mato é mistura, é orgânico, sua definição não é precisa, nem mesmo uma categoria que se possa esgotar. A Roça é uma estrutura socioecónomica criada para se sobrepor à floresta tropical, com o objectivo de dominar. É o símbolo da construção humana, da cultura que promove a civilização. O Mato serve, neste trabalho, para orientar a visão para a floresta, que foi e está sendo destruída, para a vida que renasce em cima do betão.

Já a Roça é uma interpretação poética através de fotografias da realidade em mutação, no seu contínuo, no seu movimento de coexistir de partes que se completam ”- Emiliano Dantas.

A exposição que integra a VIII Bienal de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe, e acontece no salão nobre da FACA, estará patente ao público até o próximo dia 18 de Agosto, onde o Antropólogo e fotógrafo brasileiro, Emiliano Dantas, realizará alguns trabalhos de interacção com a comunidade.

A exposição que despertou inúmeras curiosidades do público presente, desde o nacional ao internacional, retrata a vida nas roças de Cacau do sul da Bahia-Brasil, em um período de crise socioeconómica e de constantes transformações na paisagem e na vida das pessoas, frisou Emiliano.

Entre o Mato e a Roça chega ao país com a proposta de dar continuidade ao doutoramento do pesquisador, tendo em vista que a exposição foi pensada para estabelecer um diálogo com os moradores das roças, e por isso a escolha da roça Água-Izé para apresentação do trabalho, localidade com fortes ligações históricas com o Brasil.

O artista espera que esta ideia sirva como uma narrativa visual que ajuda, estimula e encoraja as pessoas a contarem suas histórias de vida e tornarem-se autoras.

A edição aqui apresentada começou a ser desenvolvida por Emiliano Dantas no âmbito do doutoramento em Antropologia do Instituto Universitário de Lisboa/ISCTE-IUL, em 2017, passando por um processo colaborativo de edição com Fernando Marques e Helena Seita que culminou em uma exposição no Museu do Neorealismo, em Vila Franca de Xira-Portugal, 2018.

Gil Vaz

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