O rendimento pode ser bai
Isto num país em que o governo já distribuiu dinheiro em forma de crédito, para pessoas que alegadamente iriam trabalhar as terras, e que nada se viu nem o crédito foi reembolsado.Os custos de produção são elevados. «Não há sementes no pais. Para comprar cem gramas de sementes(tomate) tive que gastar cerca de cinco milhões e quinhentas mil dobras(mais de 300 euros). Os fertilizantes são caros. Antes era vendido a 100 mil dobras, agora esta a ser vendido a duzentas e vinte e cinco mil dobras o quilo(mais de 10 euros), e eu não concordo com isso. Há necessidade de fazer alguma coisa por nós», afirmou o agricultor.
Custos que tiram lucros a produção hortícula. Com mieos financeiros resultantes da venda de parte dos seus bens, Dedé, continu
Vlademir, um dos jovens que trabalha na lavra, está contente e reconhece que no campo, há trabalho. «Esse trabalho é bom, mas é preciso muita coragem, porque nós somos pousos e não temos materiais em condições, temos que usar regador e além de cansativo. Mas eu vejo este trabalho como meio de sustento e um bom passo para ser trabalhador», frisou Vlademir ajudante de Dede.
Acção isolada de um jovem, que no meio de várias alternativas mais fáceis para ganhar o pão de cada dia que São Tomé e Príncipe hoje oferece, como ser motoqueiro, ou vender plásticos e outros objectos nas ruas da cidade, optou pelo trabalho. Preferiu ganhar do seu suor, e ajudar o país a combater a crise financeira e alimentar que flagela o mundo. Mas ele não tem apoio de ninguém.
Nem mesmo o governo, que definiu a segurnça alimentar como uma das suas principais prioridades, dá atenção a essas iniciativas de trabalhadores. Há algum tempo o Téla Nón registou também o caso de um jovem na Roça Agostinho Neto, que transformou um pequeno espaço de terra mesmo nos arredores do quintal da roça, num celeiro de produtos alimentares. Tomate, couve, cebola, etc estão a ser produzidos naquele pequeno espaço. O jovem de Agostinho Neto, reclamou o facto de ele que tanto quer trabalhar e com provas dadas, não ter espaço para aumentar a sua cultura. Não beneficiou de lotes de terra, enquanto que muita gente que nem se quer conhece a roça, recebeu grandes talhões de terra, que estão a se transformar em selva.
Muitos destas pessoas com poder político que receberam grandes talhões de terra, decidiram no passado recente, abucanhar os meios e fundos de um projecto de produção de pimenta. As hipóteses do produto ser vendido directamente no mercado espanhol e a bom preço, atiçou o apetite de tais figuras que passaram a ser os únicos beneficiários do projecto. Como deus não dorme, e também porque são pessoas que não têm qualquer ligação com o trabalho agrícola, ao invés de Pimenta produziram grandes talhões de Quimi(um arbusto muito utilizado em São Tomé e Príncipe para fazer vedações-sebes).
Utilizaram quimi como estacas para a Pimenteira. O quimi matou as pimenteiras e tomou conta dos terrenos. Um exemplo de ajuda financeira disperdiçada, porque foi colocada nas mãos de quem não conhece agricultura, e que leva os verdadeiros agricultores a criticarem o estado. «Eu gostaria que o ministério de agricultura e outras entidades dessem mais atenção aos pequenos horticultores. Eles so têm ajudado as pessoas que les conhecem e isso não é justo», declarou Dedé, o jovem agricultor de Santo Amaro.
Para aumentar a produção de tomate, Dedé investiu mais de 8 milhões de dobras, cerca de 400 euros. Por semana o campo de 2 hectares produz 3 a 4 toneladas de tomate. Os feirantes vão comprar o produto no campo. Dedé é um exemplo de iniciativa de Trabalho. Coisa que infelizmente não merece apoio das autoridades competentes.
Ectilsa Bastos / Abel Veiga