Economia

Atraso da Gravana põe em causa a produção de hortaliças e a pesca do voador panhá

A Gravana que deveria entrar no início de Maio, ainda não chegou a São Tomé e Príncipe. Os horticultores, avisam que a produção para este ano está perdida. O preço das hortaliças já disparou no mercado. O peixe também está a subir, porque a chuva constante não tem permitido a captura sobretudo do voador Panhá.

Voador panhá é uma espécie que começa a ser capturada no início de Maio, a estação seca, designada no país por Gravana. É abundante e mata a fome do país inteiro, sobretudo da população mais pobre. É na estação seca que o voador vem desovar nas águas territoriais são-tomenses.

Este ano o país está a conhecer algum sinal das mudanças climáticas. Chuva abundante passou a dominar os meses de Maio e Junho, tradicionalmente meses da Gravana. Ainda na última noite São Tomé e Príncipe foi irrigado por chuva. Os pescadores não têm conseguido ir a faina. O voador panhá não está a chegar ao mercado. Este ano as barracas da cidade de Neves no norte de São Tomé e da capital não estão a oferecer o Kuaká(voador fresco passado na brasa). Como consequência o preço do peixe está a subir no mercado.

O atraso na entrada da estação seca está também, a comprometer a produção de hortaliças. Alguns horticultores não lançaram as sementes a terra, a espera que a chuva termine, enquanto outros queixam-se da destruição das culturas pela chuva intensa que não é habitual na estação seca.

Em blu-blu, uma das regiões de referência na produção de hortaliças, o Téla Nón, conversou com Tomé das Neves. O horticultor, mostrou campos por trabalhar pertencentes aos seus colegas, que aguardam pela chegada da Gravana.

Na sua parcela, Tome das Neves lançou pimentão mas a chuva persistente está a queimar as plantas e os frutos. Alface também está no canteiro, mas sem grandes hipóteses de desenvolver. Ao lado, outro colega horticultor, mostrou extensa área de tomateiros depenados pela chuva intensa de Maio e Junho. «Este atraso da gravana está a provocar prejuízos. O tomate apodrece antes da colheita. Por exemplo um tomateiro que deve produzir cerca de 1,5 quilos, acaba por dar menos de 0,5 quilo nesta altura», explicou Tomé das Neves.

O impacto da alteração climática já está a ser sentido no mercado nacional. Actualmente um quilo de tomate custa mais de 100 mil dobras. Pouco mais de 4 euros. A persistência da chuva, na estação seca que demora 3 meses, vai complicar a situação do preço das hortaliças nos próximos dias. «Creio que nessa gravana vamos ter grande problema com as hortaliças. Com este temporal, os horticultores não estão a lançar as sementes a terra, porque há riscos», reforçou Tomé das Neves.

O Instituto Nacional de Meteorologia já confirmou que o país está sob efeito das mudanças climáticas. A gravana, período das grandes festas de freguesias, com o seu vento fresco, que se torna mais frio nas regiões montanhosas, só deverá ser realidade nos finais de Junho ou no início de Julho.

Abel Veiga

    10 comentários

10 comentários

  1. J

    6 de Junho de 2012 as 9:37

    Eu acho que a culpa é do Governo por nao ter conversado de forma atempada com Sao Pedro.
    J

  2. dPires

    6 de Junho de 2012 as 10:48

    Eu pensava que essas espertezas dos países mais ricos, industrializados e desenvolvidos não afectariam a nossa Santa terra. Pelos vistos, o mundo todo está em constante destruição. 1kg Tomate 100.000,00 dbs? Estamos mal! A natureza está a nos castigar.

    Aguenta mais um bocadinho povo, depois da chuva, o sol sempre brilha.
    Que Deus abençoe e protege a população do nosso STP.

  3. Pão com peixe Frito

    6 de Junho de 2012 as 15:30

    Não entrem pânico meus caros
    A nossa natureza não é violenta. Isto acontece. Mais vale meses de chuva do meses sem ela. Em compensação haverá mta banana. Depois dessa virá a bonança. Tenhamos fé!

  4. Madalena

    6 de Junho de 2012 as 16:35

    Explora zona norte, tem condições agro ecologicas para produção de hortaliças e feijões entre outros como:
    Congo , sapatinha, bongolon, fava, favinha, roca. São de facto palavão na nossa dieta alimentar. vamos todos morar na cidade e Deus da do céu.
    Quem semea vento. colhe tempestade!
    vamos para a roça de novo! sem vergonha, ninguém vai rir de nós, vamos coragem!!
    Vamos ! Vamos!!
    Criar porco, cabra, carneiro, coelho, etc.
    Fazer queijo!! de Cabra, simples!!
    Educação é feita de conhecimento. Qual é o manual que se ensina a confeccionar queijo em STP, Qual?
    pecado capital.

  5. Baga Tela

    6 de Junho de 2012 as 16:38

    Como filho de agricultor e entendedor de alguma coisa de agricultura, diria que a falta de formação nesta área é a causa maior de tudo isso. Existe um meio de fintar a chuva muito simple e é utilizado em toda a europa e evita esse tipo prejuizo que é a construção de estufas agrícolas e redução de quantidade de adubo químico que se pões em cada planta. Começem a utilizar mais estrumos e verão a qualidade de produto final. A estufa impede a chuva de tocar nas folhas das plantas evitando assim o aparecimento e contágio de donças da espécie. vejamos o caso de cenoura em que só se pode cultivar em tempo de gravana, porque se apanhar chuva a produção estragada. A chuva faz com que fungos apareçam e queima as folhas. Com as estufas poder-se-a semea-las o ano inteiro. Façam rotatividade de plantação e deixem o terreno descansar no intervalo de cada produção.
    Estes são alguns dos conhecimento que aprendi quando trabalhava no campo com o meu pai. Vendiamos ortaliças de alta qualidade o todo o ano. “Velhos tempos que recordo com saudade”…

  6. Madalena

    6 de Junho de 2012 as 16:48

    Senhor agricultor
    Inove!
    Mudanças climaticas não é novidade.

  7. Nando Vaz (Roça Agostinho Neto)

    6 de Junho de 2012 as 18:26

    Falta de política verde!..

  8. carlos

    6 de Junho de 2012 as 22:31

    deixa xover a xuva faz bem e limpa alma

  9. Verónica

    7 de Junho de 2012 as 7:55

    Meus amigos,

    Mta chuva faz mal. Mas a nossa não faz porque é moderada.

    Apena tnho uma preocupação.

    Depois destas chuvas, teremosmta riqueza (mta produção agrícola).O que iremos fazer dela? Será que ela virá nos enriquecer? huuuuuuun, não creio.

    O que o Governo deveria fazer é por termo a gatunagem que não deixa nada. Os Agricultores (de cabras, porcos, galinha, banana, cacau, matabala particularmente)não têm poder económico, devido estes ladrões bandidos epregiçosos.

    Não trabalham, ficam nos centros das empresas, onde existem os lotes de pé, todo o dia ou manhã e à tarde ou à noite vão roubar.

    Pelo amor de Deus gente,vamos terminar com esses tipos.

    Estado feche um olho e deixa-nos dar ladrão pau, para nos deixarem abastecer o mercado.

    Este é um grito de dôr de lamentação, de quem sofre na pele, todos os dias.

    Estou a ser mto longo e me desculpem.

    A Polícia em temposestava fazendo um trabalho de controlo a madrugada nas estradas. Retomem este trabalho.

    Obrigado

  10. TC

    12 de Junho de 2012 as 9:59

    Actualmente no mundo utiliza-se abrigos para produzir hortaliças em condições climatéricas adversas. Em S Tomé e Príncipe os abrigos poderiam ajudar na produção de hortaliças durante todo o ano, com muito boa qualidade e com maior rendimento.

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