Economia

Crescimento da economia global deve permanecer estável em 3% em 2019-2020

PARCERIA Téla Nón / Rádio ONU

Perspectivas econômicas da ONU apontam o Brasil como um dos exportadores com recuperação moderada, 2,1% este ano; mesma tendência acontece com Angola, Moçambique e Cabo Verde; taxa de crescimento desce em Portugal este ano e recupera em 2020.  

O crescimento da economia global atingiu um pico, mas deve continuar crescendo a um ritmo constante de cerca de 3% em 2019 e em 2020.

As conclusões são do relatório Situação Econômica Mundial e Perspectivas, apresentado esta segunda-feira pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, Unctad, e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Desa.

Desa

Economia Global deverá crescer

Lusófonos

Quanto aos países lusófonos, a pesquisa diz que o Brasil deve ter uma recuperação moderada, crescendo 2,1% este ano e 2,5% em 2020.

Em entrevista à ONU News, em Nova Iorque, a especialista em assuntos econômicos do Desa Helena Afonso explicou os motivos desta previsão e os principais riscos.

“Esta recuperação será sustentada por um maior investimento privado, maior consumo das famílias e continuação de uma política monetária acomodativa e inflação moderada. Os riscos estão equilibrados, mas dependem muito de o novo governo ser capaz de implementar reformas macroeconômicas favoráveis ao mercado e conseguir restaurar a confiança. Do ponto de vista do desenvolvimento sustentável, seria importante se os planos para o governo liberalizar, desregular e privatizar tivessem em conta, também, as consequências sociais, por exemplo nos povos indígenas, nos mais pobres e nas consequências ambientais.”

O aceleramento do crescimento também deve acontecer em África, com a economia angolana crescendo 2,4% em 2019 e 3% no ano seguinte, e o mesmo deve acontecer em Moçambique, com taxas de crescimento de 3,4% e 4,1% nos próximos dois anos.

Cabo Verde deve ter uma taxa maior este ano, 4,1%, do que em 2020, 3,5%. Quanto a São Tomé e Príncipe, deve crescer 5,4% em 2019 e 5% no ano seguinte.

Para Portugal, está previsto um aumento de 1,3% este ano e 1,9% em 2020. Timor-Leste deve crescer 4,5% este ano e 4,0% no ano seguinte.

Helena Afonso explicou à ONU News que os riscos que a economia global enfrenta podem ter consequências nos países lusófonos.

“O efeito das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, caso afetem o crescimento na China de uma forma maior do que esperamos, pode afetar os países produtores de petróleo. O estado da economia global afeta em muito a economia destes países.”

Combinação

Apesar das previsões, a pesquisa diz que “uma preocupante combinação de desafios de desenvolvimento pode prejudicar ainda mais o crescimento.”

Em nota, o secretário-geral da ONU, António Guterres, explica que “os indicadores econômicos globais permanecem amplamente favoráveis, mas não contam toda a história”. Segundo ele, existem “preocupações sobre a sustentabilidade do crescimento econômico global devido ao aumento de desafios financeiros, sociais e ambientais.”

Mundo

O crescimento nos Estados Unidos deve baixar para 2,5% em 2019 e 2% em 2020, devido à diminuição do impacto do estímulo fiscal de 2018. Para a União Europeia, espera-se um crescimento estável de 2%, mas com alguns riscos, como a saída do Reino Unido do bloco europeu.

Espera-se que o crescimento na China diminua de 6,6% em 2018 para 6,3% em 2019. Outros grandes países exportadores, como o Brasil, a Nigéria e a Rússia, devem ter uma recuperação moderada.

 

Desa

Crescimento econômico na África insuficiente

Desigualdade

O relatório afirma que o “crescimento econômico é desigual e muitas vezes não chega onde é mais necessário.”

O rendimento por pessoa deve estagnar ou crescer de forma marginal em 2019 em várias partes da África, Ásia Ocidental, América Latina e Caribe. Mesmo nos países onde esse crescimento é forte, é muitas vezes concentrado nas regiões industriais e urbanas, deixando as áreas periféricas e rurais para trás.

Segundo o relatório, para eliminar a pobreza até 2030 é necessário um crescimento de dois dígitos em África e reduções acentuadas na desigualdade de rendimentos.

Riscos

A pesquisa indica um conjunto de riscos, incluindo o declínio das abordagens multilaterais, o aumento de disputas de política comercial, instabilidades financeiras ligadas a níveis elevados de dívida e riscos climáticos crescentes.

Estes desafios também colocam em risco os esforços para alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Em nota, o economista-chefe da ONU e subsecretário-geral para o Desenvolvimento Econômico, Elliott Harris, disse que “existe uma urgência crescente de lidar com problemas muito mais fundamentais.”

Segundo ele, “desafios de longo prazo, como as mudanças climáticas, se tornaram riscos imediatos de curto prazo.”

Multilateralismo

O relatório destaca que o fortalecimento da cooperação global é fundamental para o avanço do desenvolvimento sustentável, mas enfrenta grandes desafios, incluindo uma tendência para mais ações unilaterais.

Essas pressões têm resultados nas áreas de comércio, financiamento do desenvolvimento e combate às mudanças climáticas.

O documento também afirma que “o enfraquecimento do apoio ao multilateralismo levanta questões em torno da capacidade de ação política colaborativa no caso de um amplo choque global.”

Desa 

Crescimento econômico na África insuficiente

Comércio

Com o aumento das tensões internacionais, o crescimento do comércio global baixou de 5,3% em 2017 para 3,8% em 2018.

Embora as tensões tenham afetado alguns setores específicos, medidas de estímulo e subsídios diretos compensaram, até ao momento, grande parte dos impactos sobre a China e os Estados Unidos.

Apesar disso, uma escalada prolongada das tensões comerciais pode afetar seriamente a economia global. Alguns setores já testemunharam o aumento dos preços e atrasaram as decisões de investimento. O crescimento mais lento na China e nos Estados Unidos também pode reduzir a procura, afetando exportadores da África e da América Latina.

Finanças

À medida que as condições financeiras globais se tornam mais tensas, um aumento rápido e inesperado das taxas de juros ou um fortalecimento significativo do dólar americano pode aumentar as fragilidades dos mercados emergentes e o risco de endividamento exagerado.

Esse risco também pode ser agravado pelas tensões do comércio global, pelo ajuste da política monetária nas economias desenvolvidas, pelos choques nos preços de mercadorias ou por perturbações políticas ou econômicas internas.

Muitos países de baixa renda já enfrentam um aumento substancial nas despesas com juros de dívida.

Clima

Por fim, o relatório afirma que “é imperativa uma mudança fundamental na forma como o mundo impulsiona o crescimento econômico.”

O estudo propõe medidas como mercados de carbono, regulamentações de eficiência energética e redução de subsídios aos combustíveis fósseis.

Os governos também podem promover políticas para estimular novas tecnologias, como subsídios para pesquisa e desenvolvimento.

 

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