Economia

Comércio global cai em todo o mundo, exceto na China

Agência da ONU prevê queda anual de 7% a 9% para 2020; resultados do terceiro trimestre foram melhores do que do segundo; tendência de melhora deve continuar nos últimos três meses do ano.

A Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, prevê uma queda anual de 7% a 9% no valor do comércio global para 2020, apesar dos sinais de recuperação no terceiro trimestre.

A agência estima que em todo o mundo este tipo de operações seja cerca de 5% menor no terceiro trimestre de 2020 do que durante o mesmo período em 2019. O valor representa uma melhora em relação ao segundo trimestre, quando caiu 19%.

Porto do Rio de Janeiro, no Brasil, Agência Brasil/Tânia Rêgo

China  

Para o último trimestre de 2020, a Unctad prevê uma queda de 3%, mas destaca incertezas devido a preocupações sobre a evolução da pandemia.

O relatório destaca a notável recuperação comercial da China. As exportações do país caíram nos primeiros meses da pandemia, estabilizaram no segundo e se recuperaram fortemente no terceiro trimestre, com um crescimento de quase 10%.

Ao contrário de outras grandes economias, as importações chinesas se consolidaram em julho e agosto. Em setembro o crescimento foi de 13%.

Diferenças 

A pesquisa também mostra que as exportações dos países em desenvolvimento tiveram um desempenho melhor do que as das nações desenvolvidas.

As exportações das economias menos desenvolvidas passaram de uma descida de 18% no segundo trimestre para uma queda de 6% em julho. Já as nações mais ricas, passaram de uma redução de 22% para uma queda de 14%.

O decréscimo no comércio internacional afetou todas as regiões no segundo trimestre, mas foi mais acentuado nas regiões do Oeste e Sul da Ásia, onde as importações caíram 35% e as exportações 41%.

Setores  

O valor do comércio internacional nos setores de energia e automotivo permanece substancialmente abaixo dos níveis de 2019.

Por outro lado, os aumentos na demanda por equipamentos de escritório e proteção individual resultaram em fortes taxas de crescimento nos setores  de comunicação, máquinas de escritório e têxteis e vestuário.

O relatório dá atenção especial aos suprimentos médicos relacionados com a Covid-19, como equipamentos de proteção individual, desinfetantes, kits de diagnóstico, respiradores de oxigênio e outros equipamentos hospitalares relacionados.

O comércio destes materiais cresceu em média mais de 50% desde abril de 2020, com o aumento beneficiando, principalmente, os residentes de países mais ricos.

O decréscimo no comércio internacional afetou todas as regiões no segundo trimestre, MSC shipping

Desigualdade 

Desde o início da pandemia, cada residente de países de alta renda se beneficiou em média de US$ 10 adicionais por mês de importações de produtos relacionados à Covid-19. Em comparação, pessoas que vivem em economias de renda média tiveram um benefício que ronda US$ 1. Os cidadãos dos países de baixa renda tiveram ainda menos, 10 cêntimos do dólar.

No geral, as importações per capita destes produtos foram cerca de 100 vezes maiores para os países de alta renda do que para as economias de baixa renda.

Segundo a Unctad, a diferença no acesso a uma vacina pode ser ainda mais drástica do que para suprimentos médicos.

Embora alguns países de baixo rendimento tenham a capacidade de fabricar localmente alguns equipamentos de proteção, esse pode não ser o caso das vacinas, que requerem maior capacidade de fabricação e logística.

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