Economia

Pescadores e peixeiras terão acesso a 300 mil dólares em crédito após FISH4ACP

O sector das pescas assegura cerca de 80% da proteína animal consumida pela população são-tomense e constitui uma importante fonte de rendimento e emprego para mais de 30 mil famílias, envolvendo diretamente mais de quatro mil pescadores e cerca de duas mil peixeiras.

Com o objetivo de fortalecer toda a cadeia de valor das pescas, desde a captura do pescado até à sua conservação, transformação, comercialização e valorização económica, o programa FISH4ACP foi implementado em São Tomé e Príncipe ao longo dos últimos cinco anos.

“Dotámos o sector das pescas de um plano de gestão, capacitámos e certificámos cerca de 400 profissionais da pesca e introduzimos protótipos de embarcações, bem como caixas isotérmicas e arcas frigoríficas alimentadas por painéis solares“, destacou Olávio Aníbal, coordenador do programa.

O Governo manifestou o seu reconhecimento à União Europeia e ao Ministério Federal Alemão para a Cooperação Económica e Desenvolvimento pelo financiamento do programa, superior a um milhão de euros, bem como à FAO, responsável pela sua implementação.

Apesar dos resultados alcançados, o Executivo sublinhou que continua por resolver um dos principais constrangimentos ao desenvolvimento do sector: o acesso ao financiamento.

“Muitos pescadores, peixeiras e pequenos operadores económicos continuam a enfrentar dificuldades para adquirir equipamentos, melhorar as suas embarcações, conservar os seus produtos ou expandir as suas atividades. Precisamos de promover mecanismos financeiros ajustados à realidade dos profissionais da pesca“, afirmou Nilton Garrido, ministro das Pescas.

A preocupação manifestada pelo governante mereceu uma resposta imediata do coordenador do programa.

“Já assinámos um acordo com o Banco Internacional de São Tomé e Príncipe (BISTP), no valor de 300 mil dólares, que serão disponibilizados sob a forma de crédito para financiar planos de negócio desenvolvidos com o apoio da incubadora REINA“, anunciou Olávio Aníbal.

O financiamento destina-se a pescadores e peixeiras integrados em 16 grupos de autoajuda constituídos em todo o território nacional, visando reforçar a capacidade produtiva e a sustentabilidade das suas atividades.

José Bouças

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