Política

Maria das Neves, nega tudo a volta do GGA diz que foi vítima de uma cabala política e cita o nome do Presidente da República Fradique de Menezes

A auscultaçmaria-das-neves.jpgão da ex-Primeira Ministra Maria das Neves pelo Tribunal da Primeira Instância, esta segunda feira, foi a mais demorada desde que começou o julgamento do caso GGA. Visada em várias revelações sustentadas com facturas que apontam para saque de dinheiro do antigo gabinete de gestão da ajuda externa, Maria das Neves, negou todas as acusações. Uma sessão escaldante, uma vez que os antigos funcionários do GGA constituídos arguidos, confirmaram na acarreação todos os valores em milhões de dobras alegadamente entregues a ex-Primeira Ministra e ao seu marido Carlos Quaresma, para execução de obras nas suas residências e na sua empresa agrícola privada, Vila Graciosa. 

Foi sem dúvidas uma das sessões de julgamento mais escaldante no âmbito do esclarecimento do escândalo financeiro do GGA. Nem a chuva diluviana que se fez sentir no país durante toda segunda-feira serviu para arrefecer os ânimos.

Face as revelações do  ex-director do GGA e do caixa da gabinete extinto, que apontam para o desvio de vários milhões de dobras a favor da ex-primeira ministra, Maria das Neves negou tudo. Negou que Diógenes Moniz, ex director do GGA a tivesse entregado no seu gabinete de chefe do governo e a seu pedido 60 milhões de dobras para comprar louças para seu uso quando a ex-primeira ministra vivia numa das residências do palácio do povo logo a seguir ao golpe de estado de 2003.

Maria das Neves negou também que tivesse recebido outros milhões de dobras, para reabilitar a sua residência privada na zona de San Guembu. Negou por outro lado a recepção de fundos do GGA para reabilitar a produção agrícola na sua roça Vila Graciosa. «A vila Graciosa que pertence a Maria das Neves não beneficiou do GGA. O único benefício é porque Maria das Neves tem a sua média empresa inserida no projecto de Pimenta que fez lá as obras. Inclui tanque, meteu motobomba, fez algumas obras dês armazém. Não houve qualquer participação do GGA. Quanto a casa de que muito se fala que Maria das Neves comprou em San Guembú, ela foi comprada em 1998. Naquela altura Maria das Neves não estava no governo, nem sonhava fazer parte do governo. Eu tinha um rendimento razoável porque eu trabalhava nos projectos, comecei a reabilitar a minha casa e depois de ter isso ao governo nunca mais consegui fazer nada lá», afirmou a imprensa.

Na sala do julgamento Maria das Neves, disse que enquanto trabalhava num projecto ligado ao Banco Mundial e como membro do conselho fiscal do BISTP, tinha um ordenado equivalente a 2 mil dólares valor que permitiu a aquisição do imóvel de San Guembu.

Mas os antigos funcionários do GGA, constituídos arguidos, reconfirmaram, o alegado saque dos fundos a favor da ex-Primeira Ministra. Dito pelo não dito, o tribunal confrontou a ex-Primeira Ministra com facturas que sustentam tais acusações. O caixa do GGA, disse que era o marido de Maria das Neves a mando dela que fazia a ponte no desbloqueamento das verbas e a realização das obras. Factos para os quais Maria das Neves deu uma resposta política. «Foram facturas forjadas. Porque se reparar o processo do GGA só existiu para derrubar Maria das Neves, foi uma cabala política bem montada», declarou .

O presidente da república foi citado pela antiga chefe do governo, no relato da cabala política. « Eu não disse que foi o Presidente da República, eu disse que na altura num despacho com o senhor Presidente da República ele tinha me dito, senhora Primeira-ministra aconselharam-me a demiti-la. E eu perguntei porquê? Ele disse-me porque a senhora tem muita popularidade, senhora tem muito protagonismo figura do ano é só senhora, dizem que a senhora vai concorrer comigo nas presidenciais e a senhora é que vai ganhar as eleições. Eu perguntei o senhor Presidente acredita nisto. Ele disse-me como é que eu não acredito, se por todas as partes por onde eu passo só falam de Maria das Neves. Pouco tempo depois começou todo esse processo. Investigaram a vida de Maria das Neves no estrangeiro para saber se ela tinha alguma coisa por onde pegar. O estrangeiro que mandaram investigar a minha vida telefonou para um assessor meu e disse, mandaram investigar a vida dessa senhora mas ela não tem nada aqui no estrangeiro», reclamou.

Segundo Maria das Neves na busca mal sucedida do seu ponto fraco, deitaram as mãos no GGA. «Investigaram a minha vida aqui a nível nacional e não conseguiram nada, foram pegar no GGA. Se reparar há muitas facturas que foram forjadas mesmo depois do relatório estar concluído», concluiu.

A ex-Primeira Ministra manifestou-se tranquila, porque segundo ela as revelações feitas em julgamento contra a sua pessoa são as mesmas com as quais tinha sido confrontada no ministério público, e que o supremo tribunal de justiça mandou arquivar por falta de provas.

Abel Veiga

 

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