Nos ficheiros do nosso dia-a-dia, utilizando a porta grande ou no mínimo usando as mentiras e verdades num piscar de olhos a nossa agenda profissional e social, chegam-nos terminologias do campo financeiro e económico com desesperos de alguns, ameaças de outros e para acalentar o dia de amanhã, vão-nos servindo o inevitável chá de promessas.
. Dívida pública. Défice da balança de pagamentos. Dívida soberana
. Resgate financeiro. Ranking de agências financeiras. Moody’s. Lixo bancário
. PEC I, PEC II, PEC III e PEC IV. Fundo de Estabilidade Europeu. Ajuda externa
. Papão. Medidas de austeridade económica. Empréstimo intercalar do Fundo Europeu
. Governo de Gestão. Fundo de Assistência Europeu. Notação financeira. FMI
. Aperto de cinto. Estado falido. Recessão económica. Défice produtivo
. Grécia – Taxa de juro 5,7%. Irlanda – Taxa de juro 5,2%
. Eleições antecipadas. Base de entendimento macro económico. Governo de Bloco Central
A lista é muita mais extensa, entretanto, há algo em comum nesta profecia de Finanças a meter medo a Economia portuguesa. Se dermos o trabalho de vasculhar os melhores livros dos mais especializados estudos de investigação financeira e económica, não hesitaríamos a encontrar o iceberg, ou seja, há uma única expressão a vocabular neste exaustivo rol paranóico a que identificamos e nos vamos habituando a conviver de nome CRISE.
Portugal neste momento pode ser exemplificado em termos comuns de uma família com uma casa de empréstimo contraído ao Banco e que recorreu a um outro empréstimo com que vem pagando o empréstimo da casa. Na economia, mesmo a familiar, é fácil notarmos que a família cada dia que passa vai ficando mais endividada. Ao invés de um empréstimo passou a pagar dois empréstimos. Nestas situações, sabendo que o rendimento familiar não é o suficiente a suportar o primeiro empréstimo, muito pior, os dois empréstimos. Qual a alternativa?
Há que recorrer a um terceiro empréstimo. Estamos todos de acordo.
Só que como deve acontecer com a família, não há qualquer credibilidade na forma de pagamento das anteriores dívidas, certo, é que não há garantias de pagamento de um terceiro empréstimo. Portugal está vivendo a realidade dessa família. Não há instituições internacionais que confiem em Portugal. Daí que todos os dias ouvimos da queda no ranking que não passam, dizem os da esquerda, de jogos especulativos com fins determinados pelo mercado capitalista.
O pedido de ajuda externa era o que restava a Portugal. Nesta semana os Bancos portugueses surgiram a ameaçar o Governo de já não aceitarem a qualquer empréstimo estatal e exigiam que o Executivo tinha de avançar com o pedido de resgate financeiro. Os salários no Estado e nas empresas estatais que pedem empréstimos bancários para pagarem aos trabalhadores correm sérios riscos de pagamento.
Aquando do pedido de demissão do Governo do Engenheiro Sócrates trouxemos a reflexão dos nossos comentaristas o tema de todas as notícias daquela semana. Fomos incompreendidos por uns, é lógico.
Um parêntesis: Um amigo meu enfurecido no tom de voz ligou-me dizendo da sua verdade. Tenho gostado dos teus trabalhos no Téla Nón, mas foste muito longe a festejar o pedido de demissão do Governo Sócrates. O PSD e o CDS com ganância do poder e o Cavaco com aquela trombeta na tomada de posse encostaram o homem a parede. Perguntei-lhe. Lês-te o artigo? Não! Mas só do título e de alguns comentários, estava tudo dito. És um dos contra! Acusou-me. O Governo Socialista é que nos tem feito de melhor em Portugal. Não encontraremos um outro partido a reconhecer a nossa contribuição em Portugal que não o Socialista. Até os Bairros Sociais são políticas de integração dos Socialistas. Embora, há que reconhecer exagero nalgumas medidas de intervenção social. Criou uma colja de bandidos e preguiçosos africanos na terra alheia. Criticou. Ah! Deu meia volta. Mas, quanto a isso também há portugueses e ciganos sentados em casa de boa saúde a receber os fundos sociais. Porque não os africanos que andaram aí a se matar na Expo e todas as obras que lavaram cara de Portugal? O preto abriu o olho! Desabafou sorridente o meu amigo de que entendi facilmente a direcção do seu voto no próximo dia 5 de Junho. Para esclarecer ao meu amigo que não tinha lido o meu piolho, disse-lhe. Tás a comportar-te como uns tantos nossos que no Verão, para matarem as saudades da praia vão atrás de piquenique na Costa da Caparica. Entretanto, passam o domingo no esbanje de banana pão com sagres e bom tinto a beira-mar. No regresso, afirmam que a água estava gelada pá caramba e de que as crianças têm canadura de passarem o tempo todo na água. Disse-lhe mais. Eles não só pisaram a água como também chegam a afirmar que o mar português tem inveja do Atlântico. Não és dessa espécie! Pois não? O meu amigo prometeu-me ler o texto com a compreensão a que o professor de português nos ensinou.
A complexa e antiga necessidade migratória é uma lógica desde os tempos de caravelas que rumaram com os povos do Norte em busca de melhores condições de vida no Sul para não falarmos da própria sedentarização do homem que tinha de se sujeitar primeiro ao nomadismo.
Com o fim de guerra em Angola, o retorno de angolanos tornou com mais ou menos subida e descida uma realidade, consoante as oportunidades profissionais que o país vem oferecendo aos seus cidadãos.
A estabilidade económica de Brasil arquitectada pelo Presidente Lula da Silva, o percurso migratório deu uma cambalhota, deixando de ser «do Brasil para», passando a ser «o Brasil a receber os seus filhos» desencontrados no mundo de aventuras.
Os povos do leste europeu, muitos quadros qualificados, o que lhes permitiu na decadência do mercado de construção civil, assaltarem o espaço africano, várias vezes reconhecido pelos patrões que passaram a preferir o trabalhador do Leste em detrimento ao tradicional trabalhador preto, homem de trabalho de construção civil, com o alargamento da Europa a 27, muitos arrumaram as malas e partiram para o mais próximo dos seus países.
No processo migratório em busca de novas oportunidades de negócio e de trabalho com todos os esquemas que ainda são inerentes e catalogados a economia angolana e que vai formando o Estado, Angola tem servido de plataforma de apoio a muitas empresas portuguesas que já contam no território angolano com mais de 100 mil portugueses, bem perto do número da população são-tomense.
Na anterior análise, também falamos de cidadãos africanos que ao abrigo da nova lei de nacionalidade vêm beneficiando de uma segunda nacionalidade, a portuguesa. Portugal está em apuros. Mensalmente, os nossos passes de transportes públicos são carregados para não termos maka com os pikas. Mensalmente, somos todos atropelados com greves dos comboios, do metro, dos autocarros e de barcos, transportes que nos levam ao serviço e têm a obrigação de retorna-nos aos nossos becos com as viagens antecipadamente pagas. Quantos africanos naturalizados portugueses entram nesse grupo de grevistas e tantas outras greves que têm marcado as reivindicações dos trabalhadores em Portugal? Quantos africanos portugueses gozam de emprego em Portugal que lhes permite reivindicar? Quantos? Será que Portugal num período eleitoral e de crise financeira profunda se sujeita a greves que prejudicam a quem vai trabalhar?
Afinal, onde entra São Tomé e Príncipe nesta análise que, a priori, de longe a crise portuguesa incomoda o nosso santificado leve-leve no paraíso de Deus nos ajuda?
A crise, em baixa ou em alta, sempre fez parte dos emigrantes em Portugal, especificamente, os africanos que, ao final do mês para despacharem-se dela, antes mesmo de pagarem a renda, luz, gás, água, telefone, Tv ao cabo, infantário dos meninos, apenas com os passes carregados, chegam aos supermercados, entopem por vezes dois carrinhos de géneros alimentícios e outros artigos de necessidade doméstica para o espanto dos tugas que se interrogam das razões de tanto gasto na gestão familiar enquanto desesperam da vez de serem atendidos. O idêntico filme é exibido pelos africanos nos talhos e nas peixarias, para depois voltarem a contagem dos dedos das mãos em busca do paradeiro do salário.
Sem uma outra saída, ontem o Governo português em gestão pediu a União Europeia o resgate financeiro ou seja pediu a tão ameaçada ajuda externa para fazer face a crise. O pedido de ajuda não foi direccionado a Santa Casa de Misericórdia. Quem dá emprestado nestas condições submete o país a regras. Especula-se. Desemprego, mais corte nos salários, corte de subsídio de férias, corte do 13º mês, corte nos subsídios sociais, aumento do IVA e de todas as cargas fiscais. Tudo menos melhores dias.
Diariamente a comunicação social traz-nos listas de empresas de Estado ou de Parceria Estado Privado, as famosas PPP (Parceria Público Privada) onde os ordenados chorudos ultrapassam os dos homólogos das maiores economias do mundo com direito a mordomias e compensações anuais quando os resultados dessas empresas não passam de prejuízos a associar aos prejuízos pagos pelos contribuintes. O último Governador do Banco de Portugal auferia um salário mensal superior aos colegas de alguns países europeus e até do Presidente da Reserva Federal Americana. O actual não deve lá estar por menos salário. Entretanto, o salário mínimo nesses países é superior ao português que não chega os quinhentos euros mensais.
Comeram a carne! E agora? Resta-nos os ossos para mastigarmos e ajudar o país a sobreviver e a sair da crise. Desde 1977 que o gráfico de dívida pública portuguesa vem subindo aos céus. Todos os Governos portugueses e os seus rapazitos sustentaram-se da vaca gorda.
Com o desemprego em Portugal e tudo do mal que uma crise financeira acarreta aos cidadãos, obrigando a um novo êxodo migratório, São Tomé e Príncipe está preparado para receber a população ou parte dela proveniente da sua maior ilha fora do Equador?
«Tela n’guê sá son di lenda!» (Emigração tem um prazo de validade!) Provérbio são-tomense.
07.04.11
José Maria Cardoso
cesario verde
12 de Abril de 2011 at 10:44
bem analisado amigo!
Carlos Ceita
12 de Abril de 2011 at 18:51
Isto é um aviso para quem quer viver acima das suas possibilidades. A juntar a isso do qual pouco se fala tem a ver também com o fenómeno da corrupção que existe em Portugal perante uma justiça lenta e que só é eficaz para quem rouba um pacote de bolacha nos supermercado. Quando choveu dinheiros dos fundos comunitários muita gente enriqueceu de noite para o dia sem se saber como.
Nos saotomenses podemos tirar dai uma grande lição de começar viver de acordo com as nossa posses. Combater sem tréguas a corrupção.Evitar importar bens de consumo que podem ser produzidos localmente. Infelizmente nos saotomenses tendemos a ter a mentalidade muito aportuguesado muito latino. Segundo uma estatística Portugal é dos países europeus que supera a Filandia em termos de utilização de telemóveis. Na Holanda pais mais rico que Portugal existe a mentalidade de utilização de bicicleta. Em Portugal numa família todos tem caros pai filhos sobrinhos e quase todos os anos são revelados estilísticas dramáticas de acidentes de viação.
Abraços
Olhos Vivos
12 de Abril de 2011 at 19:19
Olhos Vivos- 12.Abril.(2011) – Tem toda razão deste Mundo.Uma bela analise, uma boa intervenção do ponto de vista social.Este é o retrato e o extracto da Ilha do Equador espalhado pelo Portugal inteiro, de que fazemos parte e que estava a faltar para ilucidar os mais cépticos cidadãos do nosso país sobre a visão que cada um de nós tem em relação a diáspora. A ideia que fica é de que não temos necessidades,o coração e que não merecemos um pedaço de pão desta Terra. tudo por culpa da emigração.Mais penso que estamos totalmente enganados.Paremos um pouco para reflectirmos acerca do papel da 2ª e 3ª geração dos filhos dos emigrantes, entre outras questões de natureza social que realmente preocupa-nos se somos verdadeiros adpetos da unidade nacional.O processo migratório,o êxodo rural,a emigração sempre fez parte de meio de sobrevivência humana e as autoridades devem ter a sensibilidade e um plano de contigência para lidar com este fenómeno. Niguem tem culpa de ter emigrado. Alias…, nos dias que correm qualquer país deve estar preparado para receber,acolher e abraçar o seu filho. Será que S.Tomé e Principe está a altura desse desafio?Os discursos que são proferidos pela classe política do nosso País não fazem referência a estas questões, como se estar na diáspora, alguma vez foi um crime!Entre outras intterrogações.O nosso amigo Cardoso quiz-nos brindar com um tema riquíssimo,cuja reflexão as vezes passa ao lado das pessooas que têm responsabilidades acrescidas com o País.Não nos esqueçamos que o homem são-tomense pela sua caracteristica é o prduto de uma emigração económica e 1 em cada 5 sao-tomenses têm um parente ou familiar a viver fora do País?O País vive básicamente das remessas dos emigrantes.O que é que temos em troca?Taxas aduaneiras altas.Em Portugal, há pessoas que só traballham para mater o sustento dos que estao lá.Mesmo assim, não se verifica uma palavra de coragem e de conforto da nossa classe dirigente. Para não apontar o dedo a outros males que infelizmente, salta-nos a vista.Magi, quá cá dá ni uê, lixi cá colê aua. Estamos a falar de un eventual retorno voluntário massiço.Como não podia deixar de ser expresso aqui vivamente uma palavra
de profundo reconhecimmento ao José Maria Cardoso pela autoria deste artigo.Parabens e obrigado Tela Non.Sinceramente!Olhos Vivos.
Olhos Vivos
12 de Abril de 2011 at 19:39
Olhos Vivoos – 12.Abril.(2011) – ressalvo as palavras:temos, pessoas,produto,um e outras quaisquer que por pressão do tempo não me apercebi. Obrigado!Olhos Vivos.
H. A. Azimute
13 de Abril de 2011 at 2:41
Caro José,óptima reflexão. Às políticas dos sucessivos governantes de Portugal, revelaram-se extremamente desastrosas, e no entanto, faz-me lembrar algumas semelhanças com às políticas feitas a quase trinta e seis anos, pelos políticos incompetentes que governaram S.Tomé. Este modelo político, económico-social Português não serve de exemplo a nenhum país. Mas contudo, este país possui mecanismos que os possa tirar desse sufoco, mais dias ou menos dias. E nós santomenses, até quando o almejado desenvolvimento sustentado?
Kundu muala vé
13 de Abril de 2011 at 10:16
A diferença é que Portugal tem de pagar o deve.
STP teve a sua gigantesca dívida… perdoada.
STP a viver de acordo com as sus posses não se aguentava 2 semanas.
Pensemos bem nisso.
Zeca, sempre a subir.
minú yé
13 de Abril de 2011 at 7:53
S.Tomé e Principe prepara a casa pra receber os seus filhos porque a avozinha ja não o pode aturar.
Amenos que seja busio e fruta a mãe ainda tem pra nos dar, basta uma esteira da pra descansar a noite, mesmo o blagá de muandim ainda protege a sola dos pés.
Meus senhores ja la foi tempo que Portugal era mar de Rosa.
Celsio Junqueira
13 de Abril de 2011 at 9:58
Caro Jose,
É tudo verdade o que escreveu e mais haveria por dizer, pena, com as limitações naturais de um jornal digital ter que ser sintetico q.b..
Quanto a pergunta, acho que STP não está preparado para cuidar dos que estão nas Ilhas como haveriam de estar preparado para receber os que emigraram? O país tem no seu territorio mais ou menos 50% da população em pobreza e 15% em pobreza estrema.
E mais, temos um OGE que depende externamente em mais de 90% da APD. E as ultimas noticias revelam que os nossos doadores também têm os seus próprios problemas e gravissimos.
São só más noticias em que a frase/refrão dependendo de como a pessoa quer exprimir (ler/cantar), seja a nivel do Estado como individual é a letra do Antonio Variações “Quando a cabeça não tem juizo, …, o corpo é que paga”.
Infelizmente temos que ser realista e não temer as adversidades e sobretudo aprender com os erros.
Saudações Cordiais,
chocolate preta
13 de Abril de 2011 at 11:57
és um fenómeno a escrever, senhor José Cardoso!
mariana salvaterra
16 de Abril de 2011 at 15:18
os tres últimos países da velha Europa, a despir-se da ditadura,foi Espanha,grecia e Portugal,os nordicos,foram camalhoes,eles viviam como sanguessugas,na sombra do colonialismo,até as suas mulheres loiras eram export “good” para os grandes latifundiarios no entao rodésia,australia nova zelandia,Africa-do-sul,as pequenos colonatos bem disfarcado!..usurpavam das riquesas do subsolo africano,mesmo assim chamavam portugal de terceiro mundo comparando o desenvolvimento deles,a indústria pesada entre as quais armamento.etc enquanto portugal tem uma indústria ligeira invejável…interprenores competentes.. e umas das maiores reservas de ouro da Europa,nao devia entrar na uniao monetária, este e que foi o desastre de Portugal!..nao é O ENG. Sócrates que é orador eloquente hábil e inteligente!..Inglaterra,suécia e outros nao adiram a moeda única.
HENRIQUE SILVA
11 de Agosto de 2011 at 23:48
E pena.Mas e bem feito para o povo portugues aprender.Ja é tempo deste povo
levantar a cabeça e deixar de bater palmas
para maluco dançar.Antiga era “lá vamos
cantando e rindo levados,levados sim”
Acorda povo portugues tu que deste novos
mundos ao mundo não te contentes apenas em
cantar os teus feitos.Levanta a tua voz e faz valer a tua justiça.Fora com os ladroes fora com os corruptos ergue os braços e vai a luta ou não és ainda
UM PORTUGUES DE QUATRO COSTADOS,ORA POIS,POIS.
DO BRAZIL HENRIQUE SILVA