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A embarcação que transportava cerca de 30 toneladas de carga diversa, com destaque para combustível, começou a mergulhar nas profundezas do mar, no começo da noite de terça-feira, após ter zarpado do porto de São Tomé com destino a ilha do Príncipe. O Téla Nón testemunhou no Ministério da Defesa Nacional o pânico que tomou conta das autoridades, no entanto impotentes, para socorrer os cidadãos que estavam a ser engolidos pelo mar.
O navio Therese, começou a preparar a viagem para a ilha do Príncipe desde o primeiro período de terça-feira. O Téla Nón presente no porto de São Tomé, testemunhou o momento em que a tripulação da embarcação organizava as cargas que deviam seguir para a ilha do Príncipe.
Tudo tranquilo, exactamente na altura em que a polícia fiscal e aduaneira comemorava os sucessos de mais uma formação, fundamental para garantir a segurança na entrada e saída de pessoas, bens e serviços nos portos e aeroportos do país.
Por volta das 19 horas e 20 minutos, o Téla Nón numa passagem pelo ministério da defesa nacional, regista o desastre. A Ministra da Defesa Nacional Elsa Pinto, está na varanda do edifício onde se instalou radares de longo alcance, uma ambulância do serviço de bombeiros, está diante do ministério num entra e sai de militares.
Um dos passageiros teve tempo para através do telemóvel avisar que lentamente o navio Therese, estava a deixar a superfície do mar territorial são-tomense, numa viagem angustiante para o fundo do oceano atlântico. «Água está a entrar no barco», foi a declaração registada pelo Téla Nón. Era a voz de uma mulher, ao que tudo indica accionista da embarcação Therese. Estava desolada, e não conseguia explicar porque é que a água estava a entrar na embarcação.
Os radares do Ministério da Defesa Nacional, na altura sem energia eléctrica, naquela zona da capital são-tomense, talvez não funcionavam. A angústia era maior. O Téla Nón viu a ministra da defesa nacional na varanda do edifício provavelmente sem saber o que fazer.
O arquipélago, não tem meios navais para fiscalizar o seu maior espaço territorial, o mar, nem tão pouco tem condições aéreas para lançar operações de busca e salvamento dos seus cidadãos que estejam a ser engolidos pelo mar.
A travessia marítima dos são-tomenses de uma ilha para outra já provocou muitas mortes. São muitas as embarcações de risco que durante anos foram repousar no fundo do mar entre as duas ilhas. Therese junta-se a lista. Naufragou com excesso de carga. 
A lista de passageiros também é sempre aldrabada. A capitania dos portos tem o registo de 24 passageiros e três membros da tripulação. Mas na realidade as embarcações que seguem para a ilha do Príncipe levam muito mais gente. «Todo trabalho feito dentro da capitania dos portos, não fecha o ciclo tendo em conta que há outros serviços que não estão mobilizados. É a alfândega, a polícia fiscal, todos devem concorrer para que o navio deixe o porto com base nas referências de carga da capitania dos portos. A capitania tem uma lista de 27 passageiros, mas neste momento já resgatamos 31 pessoas, isso quer dizer que a bordo tinha mais gente», pontuou Rui Vera Cruz.
A maré calma da noite de terça-feira facilitou a intervenção da equipa de socorro que conseguiu encontrar os destroços do navio Therese, perto da costa são-tomense. Os sobreviventes resgatados no alto mar, estão a receber tratamento médico no hospital Ayres de Menezes.
Mesmo depois de tantos naufrágios e perdas de vidas humanas, as soluções para uma ligação marítima segura entre São Tomé e Príncipe, não passaram de promessas. A compra de um verdadeiro navio para transporte de cargas e pessoas, ficou nos discursos políticos. Na prática, no real a população do país continua a depender de embarcações que não estão vocacionadas para o transporte de pessoas e bens.
Mais gente morre, para depois os familiares ouvirem a próxima promessa eleitoral. «Uma embarcação para ligar as duas ilhas é a nossa prioridade». O martírio dos são-tomenses, que viajam de uma ilha para outra via marítima parece não ter fim a vista.
Note-se que dois pescadores da ilha do Príncipe estão desaparecidos há mais de 1 mês, e as autoridades são-tomenses não sabem do paradeiro dos dois homens que numa manhã fizeram-se ao mar em busca de sustento para sua família.
Abel Veiga