Sociedade

RTP e CFI em parceria com a UNESCO estão a formar jornalistas e técnicos da Televisão São- Tomense numa altura crítica para a televisão pública

 Há mais de 3 meses que a Raditvs.jpgotelevisão Portuguesa (RTP) e o Canal França Internacional (CFI), juntaram-se a UNESCO, numa parceria que pretende elevar a capacidade técnica dos quadros da Televisão São-tomense, em matéria de produção de conteúdos informativos. 20 Jornalistas e técnicos da TVS, participam nesta que é a última fase do curso. Uma formação que surge num momento crítico para a TVS, isto de acordo as análises feitas pela opinião pública nacional. É que a estação estatal, tem emitido nos serviços noticiosos muita publicidade de empresas privadas e de instituições bancárias, como se fossem reportagens jornalísticas.

Nesta primeira semana de curso, os peritos da RTP e da CFI, estão a transmitir aos técnicos e jornalistas da TVS, as normas, procedimentos e técnicas jornalísticas que devem orientar a elaboração de uma pequena e média reportagem televisiva.

Uma matéria de extrema importância para uma estação televisiva que segundo a reacção de muitos são-tomenses, está a afundar-se no descrédito. Tudo porque nos últimos tempos, o público telespectador já não tem conseguido destrinçar o que é reportagem informativa e o que é publicidade.

Em pleno telejornal da TVS, bancos e empresas privadas de capital forte, têm conseguido vender os seus serviços, apresentando para tal vários argumentos de negócio, através da exibição de pequenas e grandes publicidades transmitidas em forma de pequenas e grandes reportagens informativas.

A estação televisiva que tem vários espaços de publicidade ao longo da sua emissão, deixou segundo analistas, que o negócio entrasse pelo telejornal dentro. Os são-tomenses mais atentos temem que por este andar, venha a chegar altura em que quem não tem dinheiro, não terá espaço no telejornal e nas horas nobres de informação. E tudo isto acontece numa televisão pública.

Por isso mesmo, é que há muita esperança depositada no curso que está a ser orientado pela RTP e a CFI. Pequenas e médias reportagens produzidas pelos jornalistas e técnicos da TVS durante a formação, estão a ser avaliadas pelos formadores que deverão também transmitir aos jornalistas e técnicos os ensinamentos que dignificam o trabalho informativo na televisão.

Mateus Ferreira, Director da TVS, reconhece que a TVS tem desafios e só mesmo com a capacitação dos quadros, corrigindo os erros, a televisão pública poderá ter sucesso. «Atendendo aos desafios futuros da TVS que é participação em co-produções quer com a RTP, televisões africanas e lusófonas e também no quadro da parceria que pretendemos com a televisão brasileira», explicou o Director da TVS.

O representante da RTP, disse que o país e a TVS podem contar com a estação pública de televisão portuguesa para essas acções de formação. «A informação não é uma ciência exacta é uma coisa que se vai aprendendo gradualmente todos os dias», sublinhou Henrique Vasconcelos.

Por parte da CFI, veio a certeza de que a última sessão de formação dos quadros da TVS em parceria com a UNESCO será um sucesso.

O curso termina no próximo dia 2 de Abril. Antes, na segunda e última semana do curso, mais 10 quadros da TVS juntam-se aos outros 20 colegas, para aperfeiçoar as técnicas de realização de programas em estúdio.

Abel Veiga

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