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A paisagem histórica de Fernão Dias, onde centenas de pessoas perderam a vida durante o massacre de 1953, vai mudar de rosto dentro de 1 ano. Após a execução de vários estudos no terreno, nomeadamente a nível náutico, avaliação do vento e da correnteza do mar, bem como, a viabilidade de manobras dos barcos na zona, e a investigação sobre a natureza da rocha subaquática, a administração da empresa terminal link, aprovou o projecto final para construção do porto em águas profundas na zona de Fernão Dias.
A sociedade Terminal Link – STP, criada após a assinatura do acordo de concessão com o estado são-tomense em 1 de Agosto de 2008, pela voz de Oliver Tretout, anunciou em conferência de imprensa que a obra vai avançar e que será o maior e o mais moderno porto de águas profundas da zona ocidental de África.
Do Senegal até o cabo da boa esperança, não existe nenhuma infra-estrutura portuária com a capacidade que terá o futuro porto de Fernão Dias, garantiu o director geral da Terminal Link. «Não existe na região porto comparável. Será de longe o melhor porto de toda a região, com um standard internacional mais elevado. Os portos existentes actualmente no golfo da Guiné só podem receber navios de tamanho médio. É preciso criar portos de transbordo que possam acolher grandes navios, que deixam os contentores no terminal, e depois transferi-los para os pequenos navios que seguirão para todos os portos distribuindo os contentores», referiu Olivier Tretout.
Com quase 1035 metros de comprimento e cerca de 470 de largura em terra, o terminal de contentores vai ocupar a mesma dimensão no mar, ou seja vai estender-se sobre o mar de Fernão Dias em mais de 1 quilómetro. A profundidade do terminal de contentores será superior a 16 metros.
Uma placa de prestação de serviço aduaneiro no golfo da Guiné, que vai permitir a São Tomé e Príncipe, recuperar a sua categoria de entreposto comercial, como no inicio da colonização. «O volume, a quantidade de contentores que passará por este terminal, não terá nada a ver com as necessidades de São Tomé. Talvez 2 ou 3%, de carga que passará por este terminal terá a ver com a importação ou exportação de São Tomé. No entanto o país vai ter uma posição importante em termos de serviço logístico, isto é, vai ser o entreposto de produtos, um elo atractivo para as empresas que fazem a importação e exportação em toda a região», precisou o director geral da Terminal Link.
Segundo a Terminal Link, para garantir a funcionalidade do terminal de contentores, será necessária muita mão de obra, para manutenção do sistema, bem como para trabalhos administrativos e de gestão. No total 1300 empregos directos estarão disponíveis para os são-tomenses.
Olivier Tretout, disse ainda que não é fácil precisar o número de empregos indirectos. Mas serão milhares, tendo em conta as actividades de apoio logístico que serão necessárias durante as operações do porto.
Com capacidade para receber 1, 9 milhões de contentores de 20 pés, o futuro porto de águas profundas de Fernão Dias, estará operacional o mais tardar no início de 2013, e os trabalhos de construção iniciam-se em Setembro de 2010. O Director Geral Adjunto da empresa francesa, acrescentou que já foi aberto o concurso público internacional para recrutamento da empresa que deverá construir o porto.
Uma obra avaliada em 580 milhões de dólares norte americanos, a maior de sempre em São Tomé e Príncipe.
Abel Veiga