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A chuva que caiu sobre São Tomé no meio da tarde, ajudou a arrefecer a tensão. Nos últimos meses a polícia esteve mais activa no patrulhamento das ruas. No cumprimento da nobre missão de garantia da ordem pública e segurança das pessoas e bens. A recente incorporação de novos agentes terá contribuído bastante para o policiamento de proximidade.
Mas no final da tarde de segunda-feira a capital são-tomense ficou entregue aos civis. Os agentes recolheram-se no antigo edifício do comando geral. Também a noite não era visto nenhum polícia a circular nas ruas.
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O Téla Nón testemunhou a troca de galhardetes entre 4 militares da guarda presidencial e os agentes da polícia. Uma gente da ordem pública tinha uma pistola na mão. A boa maneira são-tomense centenas de pessoas juntaram-se no cruzamento para ver a luta campal.
Afinal era um ajuste de contas entre elementos das duas unidades das forças ligadas ao ministério da administração interna. No último fim-de-semana já tinha havido um confronto sangrento entre os agentes das duas forças numa discoteca nos arredores da capital.
Fonte militar explicou ao Téla Nón que naquele centro de lazer, os polícias que estavam de guarda dispararam a queima-roupa contra dois militares da guarda presidencial, que queriam entrar no recinto de dança. Segundo a fonte os dois militares da guarda presidencial, dirigiram-se a discoteca em missão de serviço, a chamada ronda, para procurar algum militar que estivesse desenfiado da unidade.
A fonte acrescentou que os agentes da polícia não permitiram a entrada dos militares, mesmo uniformizados. A porfia terminou em disparos da polícia a ferir gravemente os dois militares da guarda presidencial. Um está hospitalizado no bloco ortopédico do hospital Ayres de Menezes, e outro está a recuperar na enfermaria do quartel-general das forças armadas.
A disciplina militar, diz que todos são UM CORPO. Com dois membros do corpo feridos, outros membros terão decidido agir em desforra. Esta segunda – feira, na hora de ponta no coração da cidade os militares da guarda presidencial chocaram com agentes da polícia no cruzamento do sinaleiro.
Primeiro foram dois tiros de pistola que ecoaram na cidade. Talvez um dos agentes da polícia em apuros tentou intimidar os seus atacantes. Pouco tempo depois um jeep da unidade da guarda presidencial com militares armados, entrou na zona de conflito. Segundo a fonte do Téla Nón, a missão dos militares era recolher todos os seus colegas que estavam em confronto com a polícia.
A polícia também enviou um carro patrulha com agentes armados, talvez com o mesmo objectivo, separar os contendores. Mas foi nesta altura de São Tomé ouviu algumas rajadas de metralhadoras AK-47.
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O ministro da Administração Interna Raul Cravid, reuniu-se com os agentes da polícia nacional, e logo de seguida com os comandantes das duas unidades, nomeadamente o Intendente Manuel Vicente e outros oficiais da polícia, bem como com o Comandante da Unidade Autónoma de Defesa e Segurança Presidencial, Intendente Jaime Magalhães.
Segundo a fonte do Téla Nón a reunião pretendeu em primeiro lugar serenar os ânimos no seio das duas forças. O Ministério da Administração Interna «está a analisar a situação para poder sancionar os responsáveis pela desordem pública», declarou a fonte.
Não se conhece até o momento qualquer reacção oficial do governo a propósito da situação. Por tradição São Tomé e Príncipe, regista periodicamente desentendimentos e cenas de luta campal entre militares do exército e agentes da polícia. Mas desta vez foi com os militares da guarda presidencial.
Verdade seja dita, durante o tempo que o sector da defesa e ordem interna esteve sob administração do Tenente Coronel, Óscar Sousa, cenas desse tipo deixaram de ser habituais em São Tomé e Príncipe.
Relatos recolhidos pelo Téla Nón, com base em casos que já foram evacuados para tratamento no hospital Ayres de Menezes, indicam que os agentes da polícia nacional, estão a apertar o gatilho com muita facilidade em situações de resistência ou de contradição por parte dos cidadãos que estejam a ser interpelados.
Abel Veiga