Tradicional
Para uma ilha onde a maioria da população aufere salários inferiores a 1 milhão de dobras mensais, e compra tudo a preços três vezes maior que os praticados em São Tomé, viajar para a ilha maior por via aérea é praticamente impossível.
São necessários 3 milhões de dobras, cerca de 150 euros para viajar para São Tomé, mesmo tratando-se de uma situação de emergência, nomeadamente doença. «São montantes impossíveis de serem praticados entre São Tomé e Príncipe. A ligação entre as ilhas é um dever do estado garantir uma ligação regular entre as ilhas. E quando o estado mantém impávido e sereno perante aumentos sucessivos de bilhetes de passagem de avião, começamos a ficar preocupados», reclamou em declarações a imprensa regional, o Presidente da Assembleia do Príncipe, Nestor Umbelina.
Desta forma os três voos semanais, sendo dois da empresa privada holandesa e um da STP-Airways, não trouxeram qualquer melhoria para a população da ilha, que continua a ter como único recurso a arriscada via marítima que já ceifou tantas vidas. «A nossa população viaja normalmente num barco sem condições. Deitam no chão junto com porcos, cabras e fardos de peixe», afirmou, Nestor Umbelina, tendo realçado também a falta de segurança nas embarcações que transportam gente e carga entre as duas ilhas.
O Presidente da Assembleia Regional do Príncipe, Nestor Umbelina, apontou outro aspecto que confirma o isolamento do Príncipe.
Trata-se da participação do país no festival pan-africano em Argel. O arquipélago fez-se representar por 60 pessoas, nenhuma da ilha do Príncipe. «O Príncipe também faz parte da cultura são-tomense. Porque é que não foi nenhum elemento do Príncipe. Definitivamente somos cidadãos da terceira do estado são-tomense. Neste momento está escalonado o nível da cidadania dos são-tomenses, e nós de certeza estamos na terceira posição», concluiu.
Voz de protesto da ilha do Príncipe, ilha que se sente marginalizada pela sua irmã maior, São Tomé.
Abel Veiga