Sociedade

CIAT, confirma que a manteiga importada pela STP Trading, não deve ser consumida pela população e pede mais alguns dias para desmontar a composição química do alegado leite importado

severino.jpgO director científico do Centro de Investigação Agronómica e Tecnológica de São Tomé e Príncipe, (CIAT), Severino Espírito Santo, anunciou para o Téla Nón que a manteiga importada pela STP-Trading é imprópria para o consumo. Os exames laboratoriais confirmaram isso mesmo, mas no entanto a STP-Trading já comercializou toda a manteiga. Por outro lado o composto químico que estava a ser vendido como leite, continua sob investigação científica. O CIAT, única instituição nacional vocacionada para fazer análises laboratoriais aos produtos de origem vegetal, tanto importados como a serem exportados, confirma que a manteiga importada pela STP – Trading não deve ser consumida pela população. «Analisamos a pedido da Trading, três produtos, Manteiga, Sabão e Óleo. Fizemos as análises e já temos o resultado. Para o caso da manteiga registamos um elevado teor de água, e não é muito bom para consumo», declarou o director científico do CIAT.

Severino Espírito Santo, anunciou por outro lado, que apesar de a instituição ter confirmado que a manteiga não deveria ser comercializada, o produto já foi consumido pela população. «Não aconselhamos o consumo da manteiga, mas infelizmente já foi consumido. Isso porque não se aguardou os resultados das análises», criticou.

No armazém da STP-Trading no porto de São Tomé, o Téla Nón comprovou que toda manteiga importada já foi vendida. «Manteiga já foi despachada», afirmou um dos responsáveis do armazém.  

A direcção do CIAT, denuncia que tem sido uma prática constante das firmas comerciais que importam mercadorias para o país. Apesar da lei exigir que os produtos sejam colocados no mercado após a comprovação de qualidade pelas análises laboratoriais, a maior parte dos operadores vendem as mercadorias sem o devido certificado do CIAT. «Não só com os produtos da Trading mas também com muitos outros produtos. Passamos um certificado provisório para que o produto saia do porto para os armazéns onde devem aguardar a recepção do outro certificado que diz se o produto é consumível ou não. Devia ser assim mas muitas vezes os nossos comerciantes não aguardam e comercializam os produtos», realçou.

Noutros casos, explicou Severino Espírito Santo, mesmo se os testes feitos indicam que o produto é impróprio para o consumo, ele acaba por ser vendido sem qualquer intervenção das autoridades competentes. «Quanto a alguns resultados que emitimos, sinceramente não sei o que se passa, mas as medidas não são tomadas e os produtos são consumidos», desabafou.

Interesses políticos e não só, poderão estar por detrás destas situações, apurou o Téla Nón.

Quanto ao alegado leite importado pela STP-Trading, o centro de investigação agronómica e tecnológica, está a desmontar o composto químico e promete para breve a divulgação dos resultados. «Nós normalmente não fazemos as análises do leite. Fazemos análises de produtos de origem vegetal, de origem animal é com a pecuária. Nós recebemos, o chamado leite, porque não é leite. Estamos ainda a fazer as análises e por isso não podemos avançar com qualquer resultado. Pedimos a inspecção das actividades económicas para suspender a venda desse produto porque ele está a ser vendido como leite e nós achamos que não é leite. Temos condições técnicas parasaber se é leite ou não. Para caso do leite os testes demoram 10 a 15 dias. Recebemos as amostras a cerca de 5 dias, portanto dentro de mais alguns dias teremos os resultados finais», concluiu.

Saúde pública em risco, porque a lei não é cumprida, e também porque os interesses político-económicos acabam por estar a cita de tudo, incluindo da saúde da população.

Abel Veiga

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