
Na ilha do Príncipe os pescadores, estão preocupados com a falta de segurança no mar da Região Autónoma. Por isso mesmo as comunidades piscatórias estão amedrontadas, confirmou para o Téla Nón, António Oliveira, pescador da Praia Burra.
Em conversa com alguns dirigentes da ilha do Príncipe, a mesma preocupação foi manifestada. Barcos de origem duvidosa sem controlo das autoridades nacionais, atracam ao largo da ilha e realizam operações desconhecidas. Outros navios 
O medo toma conta das comunidades piscatórias, ainda mais quando sabem que a pequena força de defesa e segurança estacionada na ilha, está de mãos atadas. «Aqui não tem nada. A capitania dos portos, e a FASTP (força armada de São Tomé e Príncipe) ficam todos na terra. Não têm se quer um bote. Como é que vão para o mar?», interrogou, para depois desabafar mais o medo «Se um desses navios decidir atacar a ilha, por exemplo, vamos morrer todos, porque não há mínima capacidade de resposta», conclui.
O medo aumenta quando os pescadores contabilizam o número de desaparecidos no mar. Nos últimos anos, segundo António Oliveira, a sua comunidade, Praia Burra, perdeu 10 pescadores. Todos desapareceram no mar. Há um ano atrás dois colegas seus fizeram-se ao mar para capturar o voador panhá, uma espécie muito consumida no país. Simplesmente desapareceram. «Só aqui temos 10 pescadores desaparecidos. Há um ano que desapareçam dois. Deixaram mulheres e filhos», frisou.
O mais grave é que o governo central, não consegue dar resposta a população sobre o destino dos dois homens desaparecidos. O país não tem nenhuma unidade de busca e salvamento. Mesmo assim os pescadores continuam a desafiar o mar e a sorte.
São eles que garantem mais de 90% da proteína animal consumida em São Tomé e Príncipe, o peixe. A ameaça não termina no mar, também na terra as comunidades piscatórias sentem-se ameaçadas. A extracção ilegal de areia é um fenómeno crescente que pode levar a água do mar a engolir as aldeias dos pescadores.

Príncipe com praia virgem, e mar desprotegido, tem a maior reserva de pescado do arquipélago são-tomense.
Abel Veiga