Política

Empreitada no Príncipe levanta acusações de desvio de fundos

Uma empresa sediada na ilha do Príncipe, denominada Baixo Impacto, é acusada de ter recebido fundos do Estado para a execução de uma empreitada numa das vias de acesso da região, sem que até ao momento tenha realizado qualquer obra. O gestor da empresa, deputado, é acusado de ter abandonado a ilha e de se ter refugiado na Assembleia Nacional.

A denúncia, classificada como grave, marcou a última sessão plenária da Assembleia Nacional.

“Existe uma empresa na Região Autónoma do Príncipe chamada Baixo Impacto. Esta mesma empresa recebeu dinheiro do Estado para fazer a estrada da reta de Porto Real. O Estado depositou o dinheiro e até hoje não se vê a estrada. O parlamentar refugiou-se nesta casa parlamentar e nunca mais regressou à Região Autónoma do Príncipe”, declarou Elácksio Afonso, deputado da bancada parlamentar do MLSTP.

O deputado visado não reagiu às acusações durante a sessão plenária, mas fê-lo posteriormente.

“É uma obra que tem 672 metros de extensão. A empresa recebeu 30 por cento do valor e já executou 350 metros. Neste momento está em fase de pagamento para continuarmos a obra”, afirmou Messias Pereira, deputado do ADI e gestor da empresa Baixo Impacto.

Messias promete levar o caso ao Ministério Público. “Não basta acusar, é preciso provar”, assegurou.

As denúncias ligadas a alegados casos de corrupção continuam a marcar o debate político em São Tomé e Príncipe, num contexto em que persistem críticas à atuação da justiça.

“Temos código penal com crimes de corrupção e nunca um político foi julgado e condenado pela prática de crime de corrupção, nenhuma empresa foi julgada e condenada por crime de corrupção”, lamentou Levy Nazaré, deputado do Basta.

Para Levy Nazaré, sem uma justiça funcional será difícil assegurar o processo de desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.

José Bouças

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