Sociedade

São Lima descansa eternamente há 10 dias – Descanso perturbado 4 dias depois do funeral pelo deputado dos congelados

O deputado Honório Lavres da bancada parlamentar da ADI faz parte do grupo dos representantes do povo, que transformou a Assembleia Nacional numa vergonha nacional.

É o deputado da nação, que no parlamento defende sempre os produtos congelados. Primeiro foi a defesa renhida que fez da cerveja gelada, que era garantida pela energia da TESLA. Para o deputado da ADI, o escândalo que é o negócio da TESLA em prejuízo de São Tomé e Príncipe, facto denunciado pelo Tribunal de Contas, não é mais importante do que a cerveja gelada garantida por uma energia, que o povo que ele representa no parlamento, não consegue pagar.

Na passada sexta-feira, o deputado Honório Lavres subiu ao púlpito do parlamento para criticar os 3 dias de luto nacional decretados pelo governo em honra a falecida poetisa e jornalista são-tomense, Conceição de Deus Lima.

O deputado da nação defendeu os produtos congelados, certamente incluindo a cerveja, que estavam preparados para a festa na vila de Bombom.

«A senhora Conceição de Deus Lima faleceu talvez numa sexta-feira se não estou em erro. Culmina com o fim de semana da festa de Bombom.  Na sexta feita certamente que toda gente já tinha tudo comprado quando faleceu a senhora faleceu a senhora São de Deus Lima. O governo decreta luto de 3 dias, e impede as actividades, e as senhoras com os seus congelados e tudo…e sem energia para congelar. Podia-se adiar o dia de luto», afirmou o deputado da ADI.

A embriaguez que domina a casa parlamentar de São Tomé e Príncipe atingiu o clímax.

«Permanecerá como guia para as gerações futuras. Lembramos que a cultura é o coração pulsante da nossa soberania», palavras ditas pelo escritor Albertino Bragança, Presidente da União dos Escritores e Artistas São-tomenses no funeral de Conceição Lima.  

Por sinal, o deputado da ADI não percebeu, nem tem noção da entidade cultural que o país perdeu.

«De Santana vieste e gravaste nas pedras do mar de Pantufo, nos prumos da casa de São João da Vargem, e no barro vermelho do Riboque os teus amores e desamores, a tua essência», uma citação da mensagem fúnebre de 18 de maio, que revela a santomensidade de Conceição Lima lida pela advogada Celiza de Deus Lima, a irmã.

Mesmo assim, o deputado da nação não tinha percebido nada, ao ponto de no dia 22 de maio dignificar os congelados, em desprezo por uma das principais referências da cultura e da literatura são-tomense.

«Descansa maninha entre o mar e a floresta, onde cada folha de Xalelá, de Kimi, de Salakonta, de Salambá, dirá o teu nome. A tua partida é luto, mas o teu legado é festa. A chama viva de uma voz que nunca se consumirá…», citação fúnebre de Celiza de Deus Lima.

A expressão literária de Conceição Lima é vida, e alimentará a santomensidade eternamente. Admirada e valorizada pelo mundo, marginalizada no seu solo pátrio.

«No seu solo pátrio onde muitas vezes era ignorada, distratada, marginalizada e perseguida em pleno exercício das suas funções pelas próprias autoridades…», citação fúnebre do deputado Delfim Neves, o único político autorizado por Conceição Lima ainda em vida, a discursar nas suas exéquias fúnebres.

Por São Tomé e Príncipe, 2026 deve ser o ano, em que o povo na sua sabedoria deverá expurgar definitivamente a embriaguez que tomou conta da Assembleia Nacional, e não só. 2026 pode despertar o povo para a redescoberta de si próprio, para o reencontro com os seus valores ancestrais, o reencontro com a sua identidade.

Abel Veiga   

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