
Por causa das constantes avarias da grua mais antiga, ao que tudo indica uma das mais velhas ainda em funcionamento numa empresa portuária no século XXI, o estado são-tomense através da ajuda financeira de Taiwan conseguiu comprar em 2007 uma segunda grua, para evitar o isolamento total do arquipélago em termos de embarque e desembarque de mercadorias no porto de São Tomé.
No entanto esta semana as duas gruas pegaram fogo. Uma ardeu por completo e a outra que entrou em funcionamento para substituir a primeira também ardeu. Fogo de origem duvidosa, apurou o Téla Nón, que levou o governo a abrir inquérito judicial na empresa de administração dos portos, ENAPORT. A polícia de investigação criminal(PIC), já está a investigar o caso, apurou o Téla Nón nas instalação da polícia criminal. Vários funcionários da ENAPORT foram ouvidos quinta-feira pela PIC:
Com as duas gruas queimadas pelo fogo, que não se deflagrou para outras instalações do porto, apenas consumiu as duas máquinas, São Tomé e Príncipe está privado de exportar ou importar qualquer tipo de mercadoria por via marítima.
A direcção da ENAPORT, já veio dizer que não tem solução fácil. «Fizemos todas as demarches, andamos por tudo quanto é canto deste país, mesmo assim não se conseguiu infelizmente resolver o problema», declarou Manuel Diogo, Administrador da ENAPORT.
O incidente ou acidente, com as duas gruas, acontece numa altura em que um navio cargueiro está atracado ao largo da ilha de São Tomé a espera de luz verde para descarregar contentores de carga. «Não prevemos até quando teremos a grua a funcionar. O navio certamente ainda vai aguardar algum tempo. Se o tempo de espera for muito elevado logicamente que o navio vai levar a mercadoria, baldeá-la num outro porto e depois virá mais tarde», afirmou o administrador da ENAPORT.
Um quebra-cabeças para o Primeiro-ministro Rafael Branco, um transtorno para a nação. Numa altura em que se aproxima a quadra festiva do Natal e Ano Novo, o mercado nacional arrisca-se a conhecer a maior penúria de sempre de produtos alimentares e outros, caso o governo não encontre uma alternativa urgente para descarregar os navios que atracam ao largo do cais de São Tomé. Se o problema persistir por mais tempo, a economia nacional também vai sofrer choque profundo.
Nos últimos tempos fogo decidiu engolir as máquinas estratégicas para o normal funcionamento do sector económico do país. Primeiro foi na empresa de electricidade, EMAE. Fogo queimou os alternadores de dois geradores. O país que já estava quase sem luz, ficou as escuras.
O Governo suspeitou de mão criminosa no incêndio da EMAE, e abriu inquérito. Quase 2 meses depois não se conhece o resultado do inquérito judicial. Em declarações ao Téla Nón um quadro da EMAE, disse que já existe um relatório, e nele está claro que os dois geradores arderam por causa da falta de manutenção, e devido também ao exagerado tempo de funcionamento, quase 20 anos. «Os geradores deram o berro», precisou o quadro que pediu anonimato.
Resta agora saber a verdadeira causa do fogo que deflagrou primeiro na grua que o estado comprou com fundos de Taiwan, e logo depois na outra mais velha. Esta que segundo relatos dos trabalhadores da ENAPORT, deveria ser colocada num museu porque é muito antiquada para os tempos modernos.
Nunca na história do país, as máquinas cuspiram tanto fogo como nos últimos dias. Espera-se que seja mesmo fogo de cansaço das máquinas, e não como sendo resultado de actos de sabotagem, como o governo suspeita. Porque se o homem são-tomense começar a deitar fogo nas infra-estruturas estratégicas, então é chegado o fim.
Abel Veiga