
A capitação de água localizada há cerca de 200 metros do centro da roça Monte Macaco, foi assaltada pelos moradores que cortaram o fornecimento de água a várias localidades de São Tomé, nomeadamente o aeroporto internacional e os arredores.
No entanto segundo os habitantes da roça Monte Macaco, não têm acesso a água potável. «Aqui não temos água. Quando chove temos que utilizar água suja do rio. Mas as pessoas do aeroporto e outros locais têm água», reclamou Cesaltina Furtano, habitante de Monte Macaco.

A revolta tem a ver com a energia eléctrica. Monte Macaco nunca teve electricidade, mas recentemente segundo os moradores, a comunidade conseguiu um patrocínio privado de 300 milhões de dobras, cerca de 12 mil euros, para instalação de energia.
O problema surge porque os passos dados pela comissão dos moradores, foram rejeitados pela empresa de água e electricidade, EMAE. «A EMAE recusou dizendo que só o governo o pode fazer. Se temos alguém que tem vontade de financiar algo para nós, não é justo que a EMAE venha impedir. Nós não temos dinheiro para fazê-lo. Já que há um financiador com possibilidade de financiar com 300 milhões de dobras porque não realizar?», interrogou João Baptista, antigo feitor da roça.
A EMAE recusou a proposta para electrificação da roça, e os moradores decidiram retaliar, fechando a torneira da capitação de água que alimenta a cidade de São Tomé. «Cortamos água por causa da falta de energia.
Fechamos a água a espera de uma decisão», reforçou Cesaltina Furtado.
João Baptista, também defendeu a mesma posição. Só o anúncio pelo governo ou a EMAE, da instalação de energia eléctrica na comunidade, poderá resolver o boicote de abastecimento de água para o resto da ilha. «Mesmo se for hoje, se um dirigente chegar aqui e nos dizer que dentro de 10 ou 15 dias colocarão energia, abriremos de imediato a água para a cidade», pontuou o ex-feitor de Monte Macaco.
O Primeiro-ministro Rafael Branco também foi duramente criticado pelos habitantes. s habitantes da roça, criticam também o governo porque prometeu levar energia para Monte Macaco e não cumpriu. «Rafael Branco veio para aqui no Mês de Outubro e garantiu que em Novembro ele ia por energia. Ele foi e nunca mais voltou. Para o natal ele disse que Monte Macaco ia ser uma beleza. Até agora não vimos essa beleza», concluiu Cesaltina Furtado.
O Comandante da Polícia de Mé-Zochi esteve no terreno a negociar com os moradores de Monte Macaco, uma saída para crise.
Abel Veiga