
Em Julho de 2003 o deixa andar e a falta da autoridade do estado face ao crime público perpetrado nas ruas da cidade, provocaram duas vítimas mortais. Wilberto Pereira Santana de 15 anos e Jorgiley Pereira Santana de 13 anos, morreram instantaneamente após ingestão de medicamentos comprados na rua da cidade.
O país despertou assim para o mal que estava e continua a ser praticado nos passeios da cidade capital e de forma impune. Agostinha Custódia Pereira Anjos, mãe dos dois rapazes que residiam em Guadalupe, sofreu danos sobretudo a nível psicológico. Nunca mais conseguiu ser a mesma pessoa após a morte simultânea e instantânea dos seus filhos.
Com apoio do advogado José Carlos Barreiros, recorreu a justiça para responsabilizar o estado pela desgraça que lhe bateu as portas. 7 anos depois a justiça começa a agir no sentido de reparar danos irreparáveis.
Em Abril de 2005, o Tribunal da Primeira Instância proferiu a sentença exigindo ao estado são-tomense o pagamento de indemnizações a mãe dos dois menores falecidos na ordem de 510 milhões de dobras, quase 21 mil euros. «Segui o caso interpus um processo contra o estado e o estado foi condenado em Abril de 2005 a pagar uma indemnização a mãe dos miúdos falecidos. Mas até então o estado não cumpriu a decisão do tribunal», reclamou o advogado José Carlos Barreiros.
Apesar de a lei proibir a venda de medicamentos na rua, o estado são-tomense, preferiu conviver com o crime público não tendo tomado qualquer medida para proibir o negócio de medicamentos na rua.
Na sentença que o Téla Nón teve uma cópia, a Juíza Euridice Pina Dias, diz que «se o estado tivesse com firmeza e rigor desempenhado o seu papel activamente fiscalizando e impedindo que pessoas não credenciadas procedessem a venda de medicamentos em locais impróprios, os menores não teriam encontrado a morte».
Passaram 5 anos, tempo em que o governo são-tomense, fez tudo para não pagar a indemnização. O Téla Nón apurou que ainda no ano passado houve diligências judicias no sentido de se executar a ordem judicial, mas cabeças influentes do governo terão conseguido junto as esferas judiciais, evitar a penhora de uma viatura pertencente a um membro do governo, e que deveria servir para pagar a indemnização.
No entanto em Março último, o Tribunal decidiu avançar de forma determinada, e penhorou 3 viaturas pertencentes aos directores do Ministério do Plano e Finanças. «Para fazer o estado cumprir a decisão recorri a execução da sentença e no mês passado os carros do estado foram penhorados para garantir o pagamento da indemnização em cumprimento da sentença ditada pelo Tribunal da Primeira Instância», explicou o advogado.
Se o estado não pagar a indemnização devida a Agostinha Pereira dos Anjos, os três jeeps de luxo vão ser leiloados. «Se o estado não decidir numa forma de pagamento os carros serão vendidos e o seu produto para pagamento da respectiva indemnização», reforçou o advogado.
O caso dos dois rapazes que morreram por causa da falta da autoridade do estado, prova que a justiça tarda mas não falha. Um exemplo que deve inspirar muitos cidadãos e até mesmo comunidades inteiras, cujos direitos têm sido violados pelo estado são-tomense. «As decisões dos tribunais são de carácter obrigatório, para todas as instituições. Estamos num estado de direito democrático e acho que o estado deve ser o primeiro a dar exemplo no cumprimento das decisões do tribunal», conclui o advogado.
O populismo barato que constituiu acção política de muitos representantes do estado são-tomense, tende a matar o próprio estado que já está condenado a pagar indemnizações tanto a cidadãos e empresas nacionais como internacionais, porque não tem autoridade, porque não consegue travar a anarquia, em suma porque cada vez é menos sério.
Abel Veiga