Sociedade

Resíduos perigosos domésticos – o caso das pilhas e baterias

A necessidade de energia eléctrica trouxe consigo o aparecimento das pilhas e baterias que depois de utilizadas implicam um cuidado diferenciado na sua deposição final

A pilha foi inventada por Alexandro Volta em 1800 e hoje é um objecto sem o qual seria impossível de desfrutar da maior parte dos equipamentos que necessitam de uma fonte de energia eléctrica desconectada da rede de distribuição. O avanço tecnológico, a par com o aumento das necessidades energéticas, faz destes objectos, elementos incontornáveis do quotidiano das sociedades actuais.

Na base de reacções químicas, as pilhas ou baterias, transformam a energia química armazenada, em energia eléctrica.

Dada a sua constituição química, são considerados resíduos perigosos, ou seja resíduos que pelas suas características e/ou propriedades, têm impactos negativos na saúde e/ou ambiente, pelo que a sua eliminação deve ser cuidadosa face à presença de metais pesados, como o mercúrio, chumbo, cádmio e níquel que podem contaminar o ambiente. Quando queimadas, alguns metais podem ser libertados para o ar – podendo afectar diferentes povoações mais ou menos próximas – ou podem concentrar-se nas cinzas produzidas.

Deste modo, a vulgarização do uso de pilhas traz consigo elevadas preocupações ambientais e de saúde pública, nomeadamente devido à poluição por metais pesados. Em alguns países a colocação de pilhas no fluxo de resíduos domésticos é já proibida. Com efeito e dado o seu grau de perigosidade, devem ser adoptadas medidas de redução. A mais simples será talvez a aquisição de pilhas recarregáveis que possibilitam uma utilização com uma muito menor produção de pilhas usadas.

Para as pilhas usadas, a Câmara Distrital de Água Grande (CDAG), no âmbito de um projecto financiado pela União Europeia na gestão descentralizada de resíduos, iniciou a recolha de pilhas. Actualmente as pilhas podem ser entregues na loja do Sr. Juca, estando prevista a extensão a outros pontos de recolha. Para mais informações, a CDAG disponibilizou o número, 9946137, em que as diversas questões/problemas sobre a recolha e transporte de resíduos sólidos no distrito podem ser tratadas.

No resto do país ainda não existem ainda pontos de recolha para este tipo de resíduos. Até que um sistema de recolha seja definido, encorajam-se todos e todas a guardarem as suas pilhas num local seco, de preferência isolado do exterior de modo a não contaminar o ambiente e ao mesmo tempo contribuírem para a saúde pública da comunidade.

Artigo escrito no âmbito do projecto “Consolidação do apoio às Câmaras Distritais para a implementação de um sistema regular de recolha dos resíduos sólidos” executado pelas ONG’s ADAPPA, ALISEI, FCJ e MARAPA com o apoio da cooperação espanhola (AECID)

    3 comentários

3 comentários

  1. Matabala

    31 de Outubro de 2010 as 10:45

    Penso que problemas como este nunca dificilmente serão resolvidos porque ainda não existe consciencialização pública para a protecção do ambiente…
    As pessoas ainda não tomaram a problemática do ambiente como um problema de todos nós.
    Sendo assim, o governo, as câmaras, as autoridades, devem apostar também numa campanha de formação e sensibilização das populações para esta problemática.
    E isto sempre seguido de bons exemplos, é claro.

  2. Ze Maria

    1 de Novembro de 2010 as 10:13

    Precisamos conscientizar a nossa população dos prejuizos causados à natureza por resíduos tóxicos.

    Sem conscientização, nada feito.
    Jornalistas e Apresentadores da TVS, Jornalistas e Locutores Rádio Nacional tomem essa iniciativa. Vcs têm o instrumento poderoso não mãos. Não custa nada fazerem isso.

    Não é preciso que o Governo tome inicitiva de tudo nesse país. Cada um tem que fazer a sua parte para bem estar da nação.

    Abracem essa ideia.A natureza agradece.

    • Mario

      11 de Novembro de 2010 as 12:25

      Isto é somente a ponta do iceberg.
      E o descarte de embalagens de produtos químicos domésticos como pequenos volumes de tintas, solventes, fármacos, etc.?
      A logistica reversa por parte dos fabricantes é uma ação obrigatória para minimização deste crõnico problema.

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