Sociedade

O projeto termina mas o “lixo” continua

Depois de três anos de intervenção, que envolveram um leque variado de atividades em diferentes campos de ação, é altura de fazer um balanço final das atividades. Apesar de uma avaliação global positiva, o juízo final será dado a prazo pelos seus beneficiários, ou seja, as Câmaras Distritais e a população em geral.

As Câmaras Distritais estão hoje mais preparadas para a correta gestão de resíduos e a população mais sensibilizada sobre essa problemática. É um resultado que pode parecer reduzido tendo em conta os três anos de trabalho que envolveram as ONG’s, ADAPPA, ALISEI, Fundação da Criança e Juventude e MARAPA, mas que e colocando em perspetiva a situação inicial, se traduz num marco importante e que se espera duradouro.

De facto, ao longo de três fases, naquela que foi a primeira intervenção de fundo na área dos resíduos no País, foi possível aumentar significativamente o sistema de recolha em diversas comunidades de vários distritos, envolver jovens em atividades de limpeza e sensibilização, trabalhar junto da Direcção-Geral do Ambiente em termos estratégicos, entre tantas outras atividades. No entanto, há ainda muito por fazer, pelo que os esforços devem ser orientados de forma estratégica no sentido de se manter a tendência crescente de melhoria do serviço. Destacam-se duas áreas essenciais. A liderança dentro do setor e a capacitação/qualificação dos funcionários.

Como refere o recentemente aprovado Plano de Acção para a Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos 2011-2016, é necessário que as Câmaras Distritais possuam até 2016 um técnico afeto à área dos resíduos. É um ponto fundamental mas não suficiente. Para se aumentar a qualidade do serviço prestado é necessário, além de qualificar os meios humanos, delegar efetivamente a área técnica num setor devidamente definido. Desde modo e uma vez traçada a estratégia por parte da direção eleita, se poderá exigir resultados aos responsáveis técnicos do setor. Caso contrário, a continuidade das ações será naturalmente e regularmente posta em causa.

Na campo da capacitação e qualificação é necessário reforçar que e ao contrário da ideia geralmente aceite, a problemática dos resíduos ou do “lixo” como normalmente referido, é mais complexa do que aquilo que aparenta. É necessário reconhecer que não existem soluções milagrosas e que a importação de modelos exteriores raramente dá bons resultados. Da mesma forma, é preciso conhecer e saber gerir a estreita relação entre o utilizador e o prestador do serviço. Não se pode querer que a população utilize um contentor, se este está a 300 metros da sua casa, e mesmo que ele esteja à sua porta, é natural que no início o “lixo” continue a aparecer no chão, uma vez que a mudança de hábitos demora. Ou seja, é preciso conhecer e saber.

As autarquias, instituições incontornáveis da vida da população, têm um papel fundamental a desempenhar, pelo que as suas responsabilidades são elevadas. A descentralização de serviços a par com o seu necessário e desejado crescimento qualitativo tem vindo a intensificar a pressão junto das várias Câmaras Distritais. Com ou sem projetos de apoio é necessário enfrentar o desafio, de forma que o ambicionado desenvolvimento se concretize.

Simão Dias

Artigo escrito no âmbito do projeto “Melhoria do Sistema de Recolha dos Resíduos Sólidos e Reforço das Competências das Câmaras Distritais” financiado pela AECID e executado pelas ONG’s ADAPPA, ALISEI, Fundação da Criança e Juventude e MARAPA

    4 comentários

4 comentários

  1. Lévé-Léngue

    6 de Março de 2012 as 11:52

    O meu apelo é também pela mudança de comportamento dos cidadãos residentes, pois somos os principais responsáveis pelo nível de resíduos sólidos (lixo) que se verifica hoje no país. Será que tudo o que despejamos nos contentores é mesmo lixo??? Então, se não pudermos contribuir para a melhor recolha e tratamento de lixo, defendo que a melhor forma de eliminar lixo é não fazê-lo desnecessariamente.

  2. BRUNO DAS NEVES

    6 de Março de 2012 as 16:52

    Foi pra-mim muito insuficiente esta campanha, faltou muita coisa, e o resulta como sempre foi o inesperado!

  3. Pedro Cravid

    7 de Março de 2012 as 5:50

    Esses progectos nunca vai mais longe,porque o verdadeiro problema esta na cara de todos,não se pode tratar o lixo sem ter um unico centro de tratamento,deviam em primeiro lugar resolver de uma só vez o problema,mas em STP quando se fala de progecto as pessoa só vão para lá ganhhar o seu dinheiro fazer a sua boa vida e depois logo se vê,este e mais um desses progectos que não vem dar nada porque os artistas já comeram o dinheiro todo agora esta a dar assim.

  4. Baga Tela

    7 de Março de 2012 as 9:33

    SE mudarem a mentalidade em STP, não há nem haverá qualquer projeto que funcione.

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