São Tomé e Príncipe registou uma redução no número de doentes evacuados para Portugal na área da otorrinolaringologia. Este resultado é atribuído às missões médicas realizadas ao longo dos últimos 15 anos no âmbito do projeto Saúde para Todos, financiado pela Cooperação Portuguesa e implementado pelo Instituto Marquês de Vale Flôr.
Durante este período, e através de 51 missões, a equipa de otorrinolaringologia realizou mais de 3 mil consultas e 980 cirurgias de diferentes níveis de complexidade. Contudo, o impacto destas missões vai muito além dos números.
“Não só na parte médica e de enfermagem, mas também na audiologia, próteses auditivas e terapias da fala. Houve ainda envolvimento em projetos de investigação sobre a surdez em São Tomé e Príncipe, bem como a implementação de uma vacina que previne o aparecimento de surdez, cardiopatia congénita e cataratas congénitas, o que representa uma melhoria para o futuro do país”, destacou Cristina Caroça, médica especialista e coordenadora das missões.
Entre os resultados alcançados, sobressaem a introdução da telemedicina, a formação de profissionais santomenses e o fornecimento de equipamentos, medicamentos, consumíveis e reagentes.
“O verdadeiro impacto destas missões mede-se também na redução do sofrimento evitável, na melhoria da qualidade de vida das pessoas, no acesso a cuidados especializados e na crescente autonomia do sistema nacional de saúde”, sublinhou Paula Pereira, Diretora do Centro Português de Cooperação.
“A grande mais-valia destas missões foi, sem dúvida, a introdução da língua gestual, após estudos demonstrarem um número considerável de casos de surdez entre crianças santomenses. Trouxe mais inclusão e um futuro melhor para essas crianças e suas famílias”, acrescentou Celso Matos, Ministro da Saúde.
Segundo o governante, o reforço das consultas e dos tratamentos, farmacológicos e cirúrgicos, contribuiu decisivamente para a diminuição dos casos que exigiam evacuação para Portugal.
José Bouças