Nas bombas de combustível, o abastecimento está limitado às viaturas a gasóleo. A escassez de gasolina e de petróleo doméstico já começa a afetar a população.
“Não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que há falhas de gasolina, e quem sofre é a população. Há falta também de petróleo. O governo tem que melhorar a capacidade e não deixar que as coisas acabem no mercado para depois importar”, lamenta Gesquilândio Coelho, taxista.
“Eu só quero petróleo. Já percorri todas as bombas com o vasilhame e não encontrei nada. Estou cansada deste país”, desabafa Alda Maria.
Entre os taxistas, há preocupação. Alguns mostram compreensão, mas denunciam açambarcamento e especulação.
“Aqueles que compram para revender a 100 dobras o litro, e quem compra deles também está a cometer pecado”, critica Loique do Rosário, moto-taxista.
Outros apelam à paciência: “O governo está a fazer diligências para que o combustível chegue. Dependemos do exterior, temos que esperar com calma”, afirma Jesus Gué.
Num país onde muitas famílias cozinham com petróleo, a escassez obriga ao regresso temporário ao fogão a lenha ou carvão.
“Como não há petróleo, temos que cozinhar à moda antiga”, diz Guilhermina Neto.
O navio petroleiro, aguardado desde domingo, continua atrasado.
“Houve um atraso no porto de cargas, mas já temos confirmação de que o navio partiu e deverá chegar ao final da tarde de sexta-feira”, anunciou Adilson Monteiro, diretor do gabinete de Mecanismo e Ajustamento Automático de Preços dos Produtos Petrolíferos.
Segundo as autoridades, a nova importação deverá garantir o abastecimento do mercado nacional durante os próximos três meses.
José Bouças