Opinião

Racismo no ISP escandaliza a escola

Genisvaldo Nascimento, jornalista de profissão, e estudante no Instituto Superior Politécnico, conta a história de uma cena alegadamente racista, que aconteceu no estabelecimento de ensino. Uma matéria de opinião da responsabilidade do autor.

 

Racismo no ISP escandaliza a escola

 

Aconteceu por volta das onze horas do dia 30 de Junho. Uma professora cooperante portuguesa do instituto superior politécnico que lecciona a cadeira de metodologia de ensino do Português humilha e expulsa da sua sala um aluno de terceiro ano do curso de licenciatura em língua Portuguesa que reivindicava melhor resultado no exame final .

 

Segundo a professora o aluno era faltoso, por isso não merecia positiva no exame final. O caso gerou polémica e começaram a surgir trocas duras de palavras.

O outro Professor Português da disciplina de literatura Brasileira, e marido da referida professora que se encontrava na sala, com o agravamento da polémica saiu em defesa da esposa.

 

Os dois acabaram por medir as forças num episódio vergonhoso e de muita falta de compostura. A polémica agitou o centro de língua do Instituto Superior politécnico de S.Tomé e Príncipe e só terminou alguns minutos depois com intervenção de alguns professores e alunos. 

 

Este conflito é o desembocar de um conjunto de situações de injustiça e intolerância que o único Instituto Superior Politécnico de S.Tomé e Príncipe está a viver. Nos últimos tempos vários alunos têm sido vítimas de humilhação e ressentimento por parte de professores de incompetências reconhecidas, que tentam justificar o seu mérito com a correcção mais rigorosa possível dos testes e consequentemente reprovações desenfreadas de estudantes.

  

O ISP tem carência de quadros qualificados e os que estão disponíveis, muitos deles vivem num drama de frustração por causa do baixo salário e fracos estímulos. Por isso, durante as aulas, pretexto são rapidamente forjados para punição e vingança de alunos, pelo facto do ISP não prever nas suas cláusulas a revisão de provas mal corrigidas.

 

O conflito com a professora cooperante Portuguesa é apenas mais um, de entre muitos outros conflitos latentes que o único centro de ensino público tem estado a viver entre professores e alunos por cenas de vingança e ressentimento.

 

Este conflito teve a sua origem durante ainda neste ano lectivo, quando um teste semestral da disciplina ministrada por esta professora, condenou mais de metade da turma ao exame final.

  

A professora em causa manifestou-se constrangida com o facto, e pediu contribuições favoráveis à resolução do problema. A oportunidade permitiu várias intervenções dos alunos, das quais algumas terão ressentido a referida professora. Nesse mesmo instante a cooperante Portuguesa reagiu muito duramente com uma atitude racista que surpreendeu toda a turma.

 

A partir daí só vieram comportamentos e atitudes que justificavam a sua mágoa. O processo de ensino e aprendizagem tornou-se desagradável e os resultados dos testes, mais calamitosos ainda.

 

A professora em causa parece ter encontrado nos testes o castigo máximo dos seus alunos. Todavia em muitos casos, possuída pelo espírito de vingança, desvalorizava as soluções ensinadas.

 

Cientes desta atitude, os alunos começaram a protestar contra cada resultado do teste que era apresentado, embora sem sucesso.  

Momentos anteriores ao conflito, esta cooperante portuguesa, já tinha despachado um outro estudante da sua sala, com mesmo temperamento grosseiro e racista que lhe tinha procurado pela mesma causa.

 

O Instituto superior Politécnico de S.T.P é a primeira instituição de ensino superior de carácter público. Foi fundado a pouco mais de dez anos .  Esta instituição tem contado com uma grande parceria Portuguesa através da universidade de letras de Portugal, no que concerne ao envio de alguns estudantes santomenses a este país para prosseguirem os seus estudos em outro domínio cujo ISP ainda não os pode dispor, e também no envio de alguns professores para os serviços desta instituição.

 

A presença desta professora cooperante é mais um fruto desta parceria e o seu marido deverá ser um contratado do instituto que gozava férias em S.Tomé e Príncipe.

Desde o surgimento do Instituto Superior Politécnico, este é o primeiro conflito registado entre os professores cooperantes Portugueses com estudantes santomenses .

 

O ISP já viveu situação semelhante a cerca de cinco anos atrás com uma cooperante francesa que menosprezava os seus alunos. O caso forçou a embaixada de França a antecipar o regresso desta cooperante.

 

Uma batata quente nas mãos da nova direcção do ISP, que tem pautado a sua conduta na maior serenidade e justiça dentro do estabelecimento de ensino.

 

Genisvaldo Nascimento

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