Opinião

Habemus Presidente!

No passado dia 19 de julho de 2026 concluiu-se mais uma etapa importante da vida política em São Tomé e Príncipe. Desta vez, a realização das eleições presidenciais, que culminaram com a publicação provisória dos resultados eleitorais pela Comissão Eleitoral Nacional, em que foi o grande vencedor, logo na primeira volta, o candidato Carlos Vila Nova, que nos próximos 5 anos vai cumprir o seu segundo mandato como Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe.

Como é sabido, inicialmente eram 5 candidatos, mas com a desistência de Jorge Bom Jesus, que se apresentava como independente restaram efetivamente 4 a saber: Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Nito de Sousa Viegas D’Abreu, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim e Carlos Vila Nova.

Apesar da serenidade e civismo que se constatou ao longo desses 15 dias de campanha eleitoral, por um lado entre os candidatos e, por outro, entre os seus apoiantes, no meu ponto de vista, os debates foram muito pobres se tivermos em conta que alguns candidatos não passaram mensagens inovadoras que refletissem as suas ideias sobre como iam exercer a função presidencial caso viessem a vencer as eleições. Faltou mensagens mais claras e objetivas em vez do que eu chamaria de banalidades e troca de acusações. Devido a impreparação, alguns até confundiam funções governamentais com as do Presidente da República. Nesses aspetos, a candidatura de Jorge Bom Jesus fez falta porque poderia enriquecer mais o debate. Foi pena!

Mas, o mais triste e que marcou de forma muito negativa essa campanha eleitoral, foi o slogan da candidatura de Nito de Abreu, apoiado por uma franja de militantes do ADI de Patrice Trovoada, que indicou o candidato, assim como o apoio do Partido MCI – PUM do Nino Monteiro. As seguintes frases que foram entoadas ao longo dos comícios e passeatas, “Tira velho põe novo´´ e ´´tira mulato põe preto“, assim como a tentativa de sugerir que há descriminação dos descendentes de Cabo Verde em relação aos são-tomenses de origem, foi um tiro no pé e provavelmente contribuíram para a estrondosa derrota do Nito d’Abreu, porque teve uma grande reprovação por parte da maioria do publico são-tomense, porque não representa de longe a nossa realidade sociológica.

Todas estas situações de extrema violência verbal, mentiras, manipulações,  insultos, compra de consciência que se verificou nesse período eleitoral, foi um claro confronto entre aqueles que queriam a continuação do caos no Pais, consubstanciado em divisão entre são-tomenses, incitação ao ódio, proibição disfarçada de cada um exprimir o que pensa, medo, bufaria, ameaças e tortura até a morte de cidadãos inocentes perpetuados pelo Estado, para intimidar os adversários políticos do poder instalado e, aqueles que querem paz social, justiça. desenvolvimento e democracia no Pais. Não é por acaso que o Pais ficou mais aliviado e mais pacifico depois da demissão por justa causa do ex-Primeiro Ministro, Patrice Trovoada, causador de todos esses problemas, juntamente com os seus seguidores.

Depois da indicação estranha e de forma unilateral do candidato Nito d’Abreu pelo Patrice Trovoada, devido a impossibilidade deste de se candidatar por não reunir as condições previstas na Lei eleitoral, não há dúvidas para ninguém que quem efetivamente foi avaliado nestas eleições foi Patrice Trovoada e, consequentemente o grande derrotado e não o desconhecido e impreparado Nito d’Abreu que seria a sua marionete, caso vencesse estas eleições.

Importa referir que Carlos Vila Nova, o grande vencedor dessas eleições com 55,94% de votos, teve apoio da maioria dos Partidos Políticos são-tomenses bem como a ala de ADI, opositora ao Patrice Trovoada. Entre esses Partidos, o MLSTP deu uma contribuição decisiva na vitoria eleitoral de Carlos Vila Nova e também nas várias legislações e decisões aprovadas no Parlamento antes das eleições.

Um alerta que deve servir de lição para as Autoridades Eleitorais, tendo em conta as futuras eleições, é a alta abstenção verificada na recente eleição. Acho que a abstenção de 59,01% se deveu a dois fatores fundamentais: 1º o desinteresse do cidadão eleitor devido a situação política, económica e social do Pais; 2º a falha grosseira verificada nos cadernos eleitorais em que impossibilitou muitos eleitores a exercer o seu direito de voto no Pais e na diáspora. Nada justifica essa situação tendo em conta que muitos cidadãos com cartão eleitor e que votaram nas anteriores eleições se deslocaram as mesas de votos, deixando os seus afazeres e não conseguiram votar porque os seus nomes não apareciam nos cadernos eleitorais. Fala-se de um novo registo automático de eleitores elaborado a pressa e que ao meu ver, não devia ser aplicado sem antes ser testado. Espero que o problema seja corrigido e que não volte a acontecer nas próximas eleições Legislativas, Regionais e Autárcica a realizar-se em setembro de 2026.

Não podia concluir esse texto sem realçar o papel dos órgãos de comunicação social, estatais e privados que atuam no Pais e que participaram ativamente nestas eleições. Refiro-me as rádios, TV e jornais digitais. Verdade seja dita, a RSTP , Radio Jubilar e jornal digital Tela Non, tiveram uma ação muito louvável na animação dos debates e entrevistas de cada candidato em particular (aqueles que aceitaram o convite) e nos debates entre os quatro candidatos. Como acima referi, alguns candidatos deixaram muito a desejar nos debates e nas entrevistas, devido a sua impreparação. Seja como for, esses órgãos de comunicação social cumpriram o seu papel, mal ou bem, apesar de muitos contratempos.

O debate passou-se também nas redes sociais de forma muito intensa.    Hoje em dia quem ignora essa forma popular de comunicar perde muito. O importante é que elas sejam utilizadas de forma correta e civilizada, situações que por vezes não acontece. Felizmente, alguns candidatos e os seus apoiantes utilizaram-na muito bem e de forma inteligente, mas outros nem tanto.

Para terminar, gostaria de felicitar vivamente o Presidente da República Engº Carlos Vila Nova pela sua reeleição. Espero que as promessas que fez ao longo da campanha e que eu registei com muito apreço, sejam concretizadas ao longo desses próximos 5 anos, para o bem da estabilidade política e institucional em São Tomé e Príncipe e, que não se esqueça nunca que é Presidente de todos os são-tomenses.

O Pais precisa de respirar um clima de paz e harmonia entre os seus cidadãos, independentemente da opção política de cada um, para que possamos edificar um novo São Tomé e Príncipe, pois, já perdemos muito tempo devido a ganância e a incúria de algum dos nossos políticos e governantes.

Bem-haja!

São Tomé, 22 de julho de 2026

Fernando Simão

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