Cultura

A percepção geográfica

“Foi lá, em São Tomé, com quase 24 anos de idade, que, por primeira vez, tive verdadeira consciência da minha profissão e também da minha pessoa e do que eu podia oferecer no futuro”.  Artigo de Xavier Muñoz-Torrent.

A percepção geográfica

Xavier Muñoz-Torrent, geògrafo

Na minha primeira viagem a São Tomé tive um shock paisagístico. Na memorável gravana de 1986, acordava transpirado nessas quentes noites de Uba-Budo, com os colegas de quarto ao meu redor, a dizerem que eu discursava entre sonhos “ter perdido a minha percepção geográfica”! Ainda lembro as caras de admiração da Núria e do Pere sobre mim, e também a minha surpresa por ter exteriorizado do meu subconsciente impressões tão estranhamente transcendentais. Mas o shock tinha sido de tais proporções como para mexer as minhas emoções, mesmo em sonhos.

Na realidade, essa estada em São Tomé modificaria profundamente os meus padrões de entender o mundo. Aquele lugar, ainda que pequeno, para mim seria imenso, desbordante, em tempo, em espaço, em grandeza de humanidade. Como escrevi nessa altura para um amigo, aquele país estava a ser uma das “dobradiças da minha vida”. Foi lá, em São Tomé, com quase 24 anos de idade, que, por primeira vez, tive verdadeira consciência da minha profissão e também da minha pessoa e do que eu podia oferecer no futuro.

Antes de empreender a viagem, tinha lido com paixão algum dos trabalhos de Joan Nogué (1983) sobre a importância da percepção dos bosques na configuração de um espaço social, que foram as primeiras escritas da emergente Geografia Humanista que me caíram nas mãos. Nogué falava das diferentes características do mato como elemento paisagístico, inexistentes nos espaços abertos, que lhe outorgava uma categoria superior aos outros elementos da geografia, porque criava sensações, como mistério, medo, solidão, magia, feitiço; um conceito daquilo selvagem, da clandestinidade, do que fica fora da lei; “o limite entre a ordem humana, expressão da ordem divina na terra, e o caos demoníaco da natureza”…

De fato, é o palco do desconhecido, do indômito, do incerto, do cambiante. Também o professor Jaume Vicens-Vives já tinha advertido no seu Tratado General de Geopolítica (1956) que os bosques foram um dos limites que mais angustiaram a concepção espacial humana. Com tudo, eu não fazia idéia do que isso significava na prática, e não dava importância ao principal caráter da paisagem que evocava Francisco Tenreiro na sua monografia sobre a Ilha de São Tomé (1961), provavelmente por ter eu uma idéia muito inexata do que era um bosque ou do que era uma plantação extensiva numa região equatorial.

Lembro-me da minha primeira visão do mato desde a varanda da Casa da Administração. Chegamos de noite cerrada à sede de Uba-Budo e, desde o aeroporto até lá, apenas tínhamos visto sombras fantasmagóricas, enquanto cruzávamos o que, aos nossos olhos, pareciam quilômetros e quilômetros de selva densa a ambos os lados de uma estrada terrivelmente empoeirada. Aquela manhã do fim de Julho, o dia tinha amanhecido entre nevoeiros, mas, ao canto do galo e ao toque do sino, a vida tinha explodido de novo na roça. E eu não queria perder-me aquele primeiro espetáculo.

Assim que, mesmo sem esperar a vestir-me, precipite-me a debruçar na sacada. Em baixo, no terreiro, todo se mexia. Uma turma de crianças, ao ver-me, cumprimentou-me a coro: “Bom dia senhor, bom dia excelência!”. Os miúdos estavam a desenvolver atividades tomando a amplia escadaria da casa como anfiteatro para o magistério de uma moça bastante nova que parecia estar ao cargo dessa pequena multidão. Ela também cumprimentou-me e as crianças riram e fizeram comentários divertidos sobre a cor das minhas pernas, quase em voz alta. A minha resposta foi um longo sorriso que, ao levantar a vista além da zona construída, virou boca aberta: todo era verde, um manto de verde intenso, um infinito vegetal que cobria a paisagem toda e nos rodeava! Fiquei atônito de tanto verdor.

Nunca na minha vida tinha visto tal explosão de natureza. Aquele não era o meu verde-oliveira mediterrâneo; era verde vivo, intenso e orvalhado, salpicado, às vezes, levemente, de flores vermelhas e amarelas e frutos que ainda davam mais contraste a uma imagem de frescor. E as crianças iam a amenizar as imagens com alegres canções de escola. Sensacional –pensei–, estou a descer de uma nuvem, estou no paraíso!

Desde um extremo da varanda, outra moça me estava a vigiar. Adverti a sua presença por outro rir indissimulado. Voltei-me e lá estava por acaso uma das mulheres mais belas que conheci na vida (ou isso é o que nessa altura me pareceu): comprida, delgada, elegante, pretíssima, com as melhores formas e proporções, com o melhor sorriso, com uns olhos grandes que falavam solzinhos. De fato, Domingas transpareceu ser ainda mais bela de caráter, de inteligência e de sentimentos. Presagioso início para uma longa e alegre estada. Mais tarde, reconheci dela a bonita voz que entoava canções de Roberto Carlos no trajeto de carrinha desde o aeroporto, que tanto nos tinha ajudado a relaxar a excitação da viagem (depois do nosso penoso trânsito por aquela Luanda afligida pela guerra). Foi aquela tonga a que me convidou com outros rires e olhares críticos a vestir-me adequadamente para, antes do pequeno almoço, dar uma volta pelos arredores da sede. Aqueles rires e aqueles olhares mesmo acariciavam, tinham o feitiço de despir pouco a pouco a minha alma para desejar com veemência beijar esse sorriso e esses olhares e o seu corpo todo.

Da mão dessa fada entrei na magia da floresta são-tomense, nos campos de cacau que se estendem baixo os enormes ocás, as erguidas amoreiras, as fruteiras, as jaqueiras, que tapavam o céu e criaram para mim uma sensação única de frondosidade. Mesmo de um perfume especial, forte frutado, mistura de óleo de palma e cacau pronto a fermentar. Lá em baixo, no matagal cerrado, havia um microcosmo de humanidade, uma atividade industriosa, de gente que trabalhava a terra, a capinar, a tirar e a quebrar cacau, e não por isso abandonava a cortesia do rápido cumprimento e da fácil conversa. Aquela floresta tinha vida dentro, uma parte humanizada, mas também uma parte brava com os perigos que escondia. Apesar da mão do homem, não deixava nem deixa de ser mato: “Cuide-se da cobra preta, do mosquito, cuide-se da lagaia e dessas formigas chatas que mordem; mas também guarde-se dessas raparigas tongas de pele suave, as que tem mais feitiço e fazem perder a cabeça!”. E decerto eu a perdi.

A combinação dessa exultante frondosidade, que mudava com cada rajada de vento, com a lentidão que obrigavam as comunicações terrestres, e, muito especialmente, a pacata filosofia de vida dos insulares, fez-me perceber o espaço de outro modo, despercebendo-o, engrandecendo-o muito mais do que era na realidade. De fato, para ir de carro até São João (30 km), sorteando buracos, torrentes, desprendimentos e vegetação caída, a viagem tomava ao redor de 3 horas de relógio, quase uma eternidade de saltos e balanceios, e, ao volver a vista atrás, o ar tinha mudado completamente a paisagem, como ondas no mar, sem deixar aos meus olhos qualquer rasto de referências anteriores. A percepção, pois, era outra e eu no fundo estava a perder a minha ou, o que é mesma coisa, a ter outra totalmente diferente em cada momento, com certeza, por influência da imagem e dos tempos no processamento mental da escala geográfica. E pensei “que grande é esse país que se enche à vista dos forasteiros, que nos engana e enfeitiça!”… E olhei à moça e pensei que ainda estava a viver numa fábula surrealística, e ela não compreendia como o senhor geógrafo tinha perdido esse sentido da medida da terra;… e talvez seja por isso que ela fosse tão especialmente atenciosa comigo.

Essa percepção engrandecente ainda cresceu cada dia que eu passava naquele país, naquelas roças. Foi pior quando nos internamos no mato indômito, no obô, na nossa fracassada ascensão ao Pico desde Diogo Vaz (via que desde então me parece inatingível) e também na excursão à Lagoa Amélia ou na incursão nos extensos campos de palmeira dendê, desde Ribeira Peixe ao pé do eretíssimo Cão Grande, onde mesmo uma colônia de macacos nos atacou com um implacável bombardeio de frutos e sementes. Aos nossos olhos era impossível que todas essas maravilhas da natureza estivessem num território tão pequeno. Mas é assim: São Tomé é uma caixinha cheia de grandes surpresas.

Mesmo outros amigos nos falaram de histórias de bruxas e curandeiros, escondidos em cavernas ou palhotas no mais recôndito do mato onde fazem os seus sortilégios e administram as suas escuras artes. Também de estranhos gênios do bosque, os gugus, que fazem rico a quem os guarda em casa. Também da imensa riqueza em plantas medicinais, folhas, paus e cascas, que se encontram lá e que permitem tanto as mais diabólicas drogas para montar santos ou criar os mais letais venenos, como os mais eficazes remédios de cura, de fertilidade ou para atingir maior força sexual. É também no mato que se encontravam os fugidos da justiça, e foi desde lá que o escravo Amador organizou as mais terríveis ofensivas contra a colônia e onde Yon Gato apanhou o seu devason. É também espaço dos mitos iniciáticos dos angolares nos seus primitivos quilombos

Rendi-me frente ao grande ocá perto da barragem de Guegue, onde –dizem- moram as bruxas; de joelhos sobre a terra batida, sem deixar a mão protetora da Domingas, para desculpar-me pelos meus atrevimentos em assaltar esse país com a minha incipiente ciência, com os meus preconceitos europeus que não faziam mais nada que fechar a mente a outras perspectivas de ver a realidade. Ganhei perspectivas, ganhei saberes, ganhei humanidade e paixão, mas fiquei para sempre enfeitiçado deixando lá a minha percepção geográfica.

Esse engano na percepção das magnitudes e decerto um efeito que sofrem os visitantes a essas ilhas exuberantes e mesmo que permite acreditar aos próprios são-tomenses que o seu país é maior, incomensurável, que tem vida própria; mesmo que não é realmente uma ilha, que é uma alcatifa mágica pronta a voar. E por muito que estudei os mapas, por muito que andei pelo mato e as roças, eu nunca perdi essa percepção amplificada do território, que ainda tem-se manifestado na minha paixão por esse país, por essa humanidade, e por esse tímido rir (indiscreto) da Domingas, e também pelas suas inconsoláveis lágrimas na minha partida, cravadas como farpas desde então no meu coração.

    20 comentários

20 comentários

  1. edy

    22 de Maio de 2012 as 10:14

    recomendo todos santomeses a ler. isso me levou a 1470, STP virgem.

    • Andrade

      22 de Maio de 2012 as 11:13

      E o resto??? A pobreza? A miséria? A degradação social, económica, ambiental e cultural do homem Sãotomemse, nos últimos 38 anos?
      Compreendo o seu juízo e análise, próprio de um turista identificado com a realidade do contexto e extasiado com “a importância e percepção dos bosques na configuração deste espaço social”.
      Só por isso fico-lhe grato, como natural de S.Tomé, mas concretamente de Rio de Ouro.
      Mas não é isto que me interessa neste momento.
      Interessa-me um juízo crítico da realidade social, económica e cultural que possam contribuir para encontrar novos caminhos para a salvação do meu país.
      Obrigado, todavia, pelo seu belo texto.

      Andrade

      • Alima Blúcu

        22 de Maio de 2012 as 11:41

        Oh Andrade,

        O autor do texto, que é estrangeiro, fez a parte dele. Você pode também fazer o resto, não acha? Assim você estaria a contribuir, como santomense, para encontrar novos caminhos para a salvação do seu país.

      • Valentim Cravid

        24 de Maio de 2012 as 16:11

        É um texto dele sobre a floresta e pouco mais, não é suposto ser uma análise social, política e económica de STP.

  2. Fijaltao

    22 de Maio de 2012 as 13:32

    Tudo que acabou de escrever é muito bonito! Mas, no meio de tanta felicidade, há infinitas desgraças das quais , uma delas é a situação de abandono e de degradação em que está o património das roças, desde as casas até as pessoas!

    • I.G

      22 de Maio de 2012 as 14:52

      Concordo consigo. Isto pode ser um bom poema para atrair turistas e tornar a realidade do país exuberante perante os estrangeiros. Mas, cá dentro do país só quem está a viver e sofrer esta realidade é que pode dizer alguma coisa.Isto, neste momento não quer dizer nada. É um bom poema para se passar nos hotéis do Pestana, Clube Santana, etc., mas para eu que estou cá a sofrer as agruras desta terra isto não me diz nada. Está muito bonito, sim senhor, mas é para fazer boi dormir…

  3. miguel teixeira

    22 de Maio de 2012 as 14:47

    Mais uma belíssima, descrição tua, obrigado Xavier, por este pedaço de leitura.

  4. gisa Teixeira

    23 de Maio de 2012 as 10:36

    Muito bem, gostei do artigo.
    Os que pensam que isto é aprnas um poema, ou apenas um opiniao de um turista, e que de momento nao enteressa, estao totalmente enganados. Isso mostra que vale a pena apostar no turismo, em s.tomé e principe. que apesar da pobreza e miseria este pais tem algo a oferecer aos turistas. E nao se esqueçam que o turismo é muito importante para o desenvolvimento do paiz.

  5. Madalena

    23 de Maio de 2012 as 14:49

    Uma casa onde o governo devia realizar Conselho de Ministros descentralizado, de quando em vez.
    Casas como estas existem em todas ex sede das empresas agricolas. Cadé Pinto da Costa que voces pensaram que ia salvar a Patria.
    “Construamos com as nossa proprias mão uma patria renovada”

  6. Madalena

    23 de Maio de 2012 as 14:52

    Turista, quer o quê?
    Turismo interno, nós temos o prazer de viver bem tambem de usufruir do belo. Vivemos mal para agradar ao turista!
    Essa é boa! Nepias,
    1º eu, 2º Eu, 3º Eu, 4º Nós ,e se restar.

    • Valentim Cravid

      24 de Maio de 2012 as 16:15

      Que babaca Madalena!

    • Xavier

      25 de Maio de 2012 as 18:33

      Sim, é certo, vocês devem conhecer, valorar e usufruir o que tem tão pertinho: maravilhas! Mas dosifiquem o turismo (decidam que tipo de turismo vocês desejam) para que essas maravilhas também permitam criar negócios de capital nacional e postos de trabalho de qualidade

  7. Nando Vaz (Roça Agostinho Neto)

    23 de Maio de 2012 as 17:20

    Achei,um bom texto!..
    Só que as imagens que está na tela não tem nada haver com o texto,tem uma outra leitura.

    • Xavier

      24 de Maio de 2012 as 17:41

      Caro Nando, é difícil ilustrar emoções. Mas Uba-Budo é o centro da minha homenagem, pois (como explico na escrita) foi lá onde tive esse primeiro contacto visual/emocional. A imagem de Uba-Budo é decerto uma expressão da exuberância da paisagem, da sua magnificência.

  8. Dondô

    23 de Maio de 2012 as 18:58

    O texto reflete o que na verdade é a visão de um estrangeiro que visita o País. Sem querer, este reprova o conceito adquirido no que se refere ao belo, ao bom e o conceito do bonito. São -Tomé e Príncipe agradece esse rasgados elogios; pois é pequeno, mas encanta qualquer um.
    Estas Ilhas estavam sob a dominação colonial por alguns séculos. Herdamos tudo que são costumes de País colonizador, mas, não herdámos o costume de recuperar, reparar, restaurar coisas que são de valores. A titulo de exemplo é a imagem que se apresenta. Esta como tantas outras que podemos ver um pouco pelo País, clamam por uma intervenção imediata e eficaz, como forma de não perder a sua representação. O país conheceu inúmeros Governos, infinidades de projetos, um mundo de ONGs. Os mais hábeis, conseguiram uma série de financiamentos para implementação de programas duvidosos e até criminosos, mas que, ninguém ousou dar em luta, na salvaguardo destes património que à cada anos que passa vão nos fazendo adeus. Um adeus, que não é para ir e voltar mas sim, para nunca mais ver. É pena ver o estado em que está o Hospital Agostinho Neto e outros. Todos os Distritos do País têm empresas agrícolas, tal como, todas as Câmaras estão distribuídas por Distritos. Não teriam as Câmaras o dever de recuperar cada património que lhe é afeto?

  9. Xavier

    24 de Maio de 2012 as 17:35

    Obrigado a todos/das por ter lido as minhas linhas, que apenas reúnem um relato de sensações vivenciais e quase espirituais; uma licença literária pessoal, que tem pouco de crítico (ainda que se vocês leem entre linhas, verão que há um bocadinho) e sim de passagem autobiográfica, do que eu senti e vivi há já mais de 25 anos e do impacto do espaço santomense sobre a minha percepção (que acho desde o ponto de vista geográfico, mesmo interessante advertir, sem frivolidade). Com todo, agradeço ainda mais as críticas, que é preciso considerar,… e fico contente de ter criado um bocadinho de debate e contraste de opiniões, que é o que no fundo procura a equipa do amigo Abel Veiga.

    Sim, constato que as coisas mudaram muito em todas as comunidades de roça nestos 25 anos. Apenas compare-se as imagens de Uba-Budo. Mudaram muito em todas as comunidades onde quase não se fez desde então nenhum investimento, e a paisagem humanizada (talvez mais arbórea ainda, mais invadida pela capoeira e às vezes o lixo), está terrivelmente degradada, em relação ao patrimônio físico (equipamentos, edifícios com valor histórico, habitações, mesmo nos cultivos…, que é muito notório), mas também em relação ao social. As comunidades aparecem abandonadas à sua sorte, a uma espécie de anarquia provocada pela falta de eficácia das políticas implementadas, mesmo pelas perversões da política. Uma terrível tristeza me invade cada vez que visito Uba-Budo, um dos lugares onde talvez fui mais feliz…., agora apenas é a sombra do que foi. É por tanto também uma sensação de impotência. E se as condições de habitação eram duras no 1986, agora são talvez piores em muitos casos. Mas isso é talvez matéria para uma próxima escrita.

    Antes de fechar este contributo, apenas mais 4 apontamentos:

    – Os amigos que me conhecem bem sabem que é estranho que eu resida num hotel quando estou em São Tomé, e muito menos ainda fechar-me em um resort (as coisas deveriam cambiar muito para que eu mudasse costumes). Não está nos meus interesses passar todos os dias na praia tomando o sol, quando há tantos amigos com que falar e tantas coisas e pessoas interessantes por descobrir em STP. Por tanto, asseguro que o meu artigo não vá dirigido especialmente ao alvo turístico e sim às pessoas que viveram comigo essas experiências e também a aquelas que sempre perguntam-me sobre os verdadeiros motivos da minha obsessão por STP (talvez deduzam que é uma questão de percepção…!).

    – Ainda que prefiro falar sempre em tono construtivo, eu também publiquei artigos com críticas ao estado das coisas em São Tomé, aos abandonos e desleixos, mas destacando quem está a trabalhar bem (desde o meu ponto de vista). Vocês podem recuperá-los em Tela Non, nos arquivos do Correio da Semana ou no motor de pesquisa do Grupo STP no Yahoo!Groups (acho que não são poucos) falando sobre “Necessárias reflexões urbanas…”, sobre a aplicação de “antimodelos” no desenvolvimento turístico, sobre a realidade que foi a Feira do Ponto ou demandando atuações em matéria da proteção e valoração do patrimônio (que, há muito, e de muitas classes, que arranjadinho pode ser motivo de aproveitamento turístico, interno e externo), etc…

    – As escritas que faço geralmente são apenas uma forma de expressão voluntária, não lucrativa, simplesmente porque gosto fazê-lo, por tanto, dedicadas a expressar o que livremente posso sentir ou pensar, sem estar sujeitas a nenhum constrangimento, que não seja o critério do editor do jornal que as publica (se a minha proposta cabe ou não nos conteúdos do jornal).

    – Como já tive a oportunidade de expressar recentemente ao Excmo. Sr. Embaixador em Lisboa, os santomenses não devem esperar a viver sempre do conto da lágrima e pensar que alguém desde fora resolva os seus problemas. Os problemas os devem resolver os próprios santomenses, desde o sistema ou desde a revolução. Vocês têm um patrimônio e uns recursos, e são vocês, depois da ganhada independência que devem tratar de resolvê-los pelos seus próprios meios. Pessoas inteligentes não faltam em São Tomé (mesmo dentro), e não apenas para pensar unicamente nos seus interesses particulares, senão no desenvolvimento geral da sociedade. Já há gentes simples e modestas que emprenderam projetos de êxito, que estão a dar frutos, já há alguns que aproveitaram as ajudas da cooperação para melhorar as suas produções, para inovar em projetos que podem dar maior valor, e criar postos de trabalho.

    Sim, é verdade que há constrangimentos estruturais, como o regime de propriedade, e um caos anarquizante (talvez individualista) na ocupação ilegal de terras, sem nenhuma base jurídica; que a classe meia e muito estreitinha, e que as diferencias entre ricos e pobres é grande mais, e que isso gera conflitos. É preciso passar à ação em atuações edificantes, por exemplo, que de saída às comunidades das roças para desenvolver-se aproveitando coletivamente, cooperativamente o patrimônio e os recursos… Mas, decerto, a bola, há tempo, que está no vosso campo!

  10. hernane dos prazeres ferreira

    28 de Maio de 2012 as 16:59

    Claramente nao percebo meu povo.Oiça gente, Xavier, é mais santomense que muita gente, adora essa terra, particularmente acho que ele tem sempre a palavra quando bem entender, sabem o que Xavier anda a fazer pra santome, ao nivel das artes plasticas,ja ajudou muitos artistas plasticos a se projecta no mundo, ta sempre em santome, e éssas criticas teem que ser feitas,, e muito de nos so sabemos criticar ao enves de regressarmos lutarmos e assim fazer valer a nossa opinião, gente tantos quadros perdidos no mundo ,voltemos e lutemos tela nguê sá som lenda,,,fui, desculpa la por alguns erros ortografico , e outra coisa seu tema me enterressa porque estou fazendo engenharia ambiental, obrigado Xavier….

  11. Mario da Costa

    29 de Maio de 2012 as 15:41

    Desafio a direcção do jornal para lançar um inquérito, no sentido de apurar se as populações desejam que as antigas casas de Branco, passem a ser propriedade do Estado, para fins turisticos.
    Qua cada ni uê, lixi ca colé aua!

  12. Mario da Costa

    29 de Maio de 2012 as 15:47

    Imagens como estas, só em Angola em tempo de Gerra. Que raio de gente pode ser assim!
    Temos que fazer estudos sobre a nossa mente. temos uma mente atrofiada, motivo de investigação aplicada. As universidades.
    Para Quando O titulo de Doutor honoris causa para o Chefe de Estado.

  13. abaju

    30 de Agosto de 2012 as 0:04

    obrigado xav por mostrar essas pessoas k dizem ser doctor para darem valor o k é nosso obrigado mas uma vez nosso embaixador

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Recentemente

Topo