A inspiração poética de Conceição Lima é viva. A família da poetisa que faleceu no dia 15 de maio último descobriu entre os seus espólios poemas inéditos. Prova evidente de que a escritora estava a elaborar novas obras literárias.
«Dizer-vos que descobrimos muitos poemas inéditos da São. Ela estava a trabalhar em pelo menos duas obras e teremos seguramente obra póstuma», afirmou Celiza de Deus Lima.
O “1º Festival Tributo de Ação à São” é uma iniciativa da CACAU que pretende preservar o legado deixado por Conceição Lima. A embaixada de Angola, o Instituto Camões, e outras instituições, juntaram-se à CACAU com o mesmo propósito. «A sociedade, amigos e família todos juntos procuramos eternizar o legado da São. Não deixaremos seguramente o nome e a obra da São ao acaso», acrescentou a irmã da poetisa.


Ivanic Lopandza, jovem com ligação à poesia e à literatura é um exemplo de que o legado de Conceição Lima tem suporte para perpetuação. Ivanic Lopandza descreveu as obras da jornalista e poetisa como sendo de grande intervenção e impacto social.
Deu o exemplo do documentário “Fitxicêlu”(Feiticeiro) produzido pela jornalista. Um tema social de relevância em São Tomé e Príncipe que também compôs estrofes poéticas.
«Tem um documentário sobre as feiticeiras e depois tem igualmente um poema sobre a feiticeira. Se alguém daqui a 50 anos for ler sobre o fenómeno de quase assassinato de feitiçarias em São Tomé e Príncipe, acaba por ter um retracto de de como a sociedade santomense marginaliza e assassina as pessoas que são velhas e pobres, e que em torno de rumores sociais sobre possíveis poderes mágicos, essa mesma sociedade do leve-leve pode condenar pessoas inocentes a morte. E tudo isso podemos aprender com Conceição Lima», relatou Ivanic Lopandza.


O fenómeno da emigração tão actual na sociedade são-tomense encontrou expressão artística nos textos de Conceição Lima. « Se daqui a alguns anos formos ler sobre a grande vaga de emigração em São Tomé, a Carta para Apolinária é uma literatura obrigatória. Escrito tanto no português formal padronizado, como no português variante são-tomense. É das coisas mais lindas que se pode ler sobre São Tomé e Príncipe», destacou Ivanic Lopandza.
Crianças de Angola recordaram o trabalho desempenhado pela professora Conceição de Deus Lima na interpretação da essência dos poemas escritos por Agostinho Neto.

O recital de um poema de ocasião de Marty Pereira marcou o momento. Os versos e rimas do grupo designado “Ilha dos Poetas Vivos” tocaram profundamente na consciência nacional são-tomense.
Membro da comissão nacional dos festejos dos 50 anos da independência nacional, Conceição Lima, desafiou Kalú Mendes a dar música a um dos seus escritos sobre a jovem nação são-tomense.
«Fui convidado pela São e a equipa da celebração dos 50 anos da independência nacional, para compor uma música, em que a São escreveu a letra. Abracei e aceitei logo o projecto, porque eu e a São sempre trabalhamos juntos, fomos muito amigos», afirmou Kalú Mendes, antes de cantar “São Tomé e Príncipe…Nossa Terra…Nossa Mãe” .
Abel Veiga