Desporto

Escola de Futebol do Sporting de São Tomé -entrevista

A Escola de Futebol do Sporting de São Tomé tem realizado um trabalho muito meritório, tentando ultrapassar um conjunto de grandes dificuldades que surgem quase que diariamente no desporto são-tomense. Mesmo com dificuldades continua a formar jovens jogadores e alguns já saíram para além fronteiras levarem mais longe o nome de São Tomé e Príncipe. A Tela Non foi ouvir Gustave Clément Nyoumba, antigo seleccionador da Selecção Feminina de STP e treinador dos Guarda Redes da Selecção A de STP, director técnico da Escola de Futebol que tem desenvolvido um trabalho notável e que merece sem mais apoiada.

Vasco Antão

Fala me do percurso desde a inauguração até agora da Escola de Futebol do Sporting de são Tomé?

Na realidade a Escola de futebol não é do Sporting clube de S. Tomé, é uma Instituição independente com sua estrutura administrativa. mais contudo, tem um protocolo com o Sporting clube de S. Tomé, assinado desde do ano 2002 no sentido que os jovens formados na nossa academia de futebol têm como primeira opção ingressar nas equipas juniores e seniores do Sporting, assegurando assim o processo de formação completo (treino/competição). Falando do percurso da Escola de Futebol de S. Tomé, digamos que é uma instituição que foi inaugurada em Dezembro de 1994 na cidade de S. Tomé, mais particularmente no bairro do Riboque da cidade capital.

Quando começaram que tipo de materiais para treinos dispunham?

Começamos os nossos trabalhos praticamente sem materiais de treinos, beneficiávamos de umas duas bolas cedidas por empréstimo naquela altura pelo Sr. “Pele” roupeiro do clube do Riboque. Só que as vezes tínhamos que ficar sem treinar quando o senhor resolvia não emprestar as bolas. Até que em Julho de 1995, beneficiamos de uma ajuda de 3 bolas cedidas pela direcção dos desportos na pessoa do professor Tomé Santos e mais tarde em Fevereiro de 1996 recebemos 5 bolas do Comité Olímpico Santomense (COS) na pessoa do seu presidente o Sr. Aguiar. O nosso parceiro naquela altura era o Vitória Futebol Clube do Riboque e o Bairro Unidos Futebol Clube de Caixão Grande ambos clube da primeira divisão nacional, onde alinhavam os nossos jovens jogadores. Até que no ano 2002 decidimos assinar um protocolo com a direcção do Sporting clube de S. Tomé que vigora até hoje.

Quantas equipas existem actualmente no clube. De competição e de formação?

O Sporting Clube de S. Tomé tem duas equipas: a equipa sénior e a equipa júnior produtos da formação na Escola de Futebol de S. Tomé. Os escalões menores: Infantis, Iniciados e Juvenis jogam na conta da própria academia.

Que apoios tem a colectividade para seguir em frente o seu importante trabalho?

Praticamente não temos nenhum apoio sustentável. Beneficiamos esporadicamente de alguns apoios de algumas individualidades e instituições. Sabes, os clubes não têm recursos financeiros e não conseguem encontrar o caminho da independência financeira. Há poucas receitas nos jogos de campeonato nacional, até os gastos de um clube em jogos oficiais são 20 vezes superiores aos ingressos resultantes das receitas de jogos. Há uma verba que o Estado põe a disposição das federações, mais não chega para assegurar uma autonomia financeira aos clubes. Até agora a federação santomense de futebol entrega materiais aos clubes, sem os quais não haveria campeonato. Podes imaginar o grau da dependência dos clubes nacionais. É de facto lamentável no cenário do futebol actual em pleno século 21. Urgente torna-se reflectirmos profundamente sobre está questão para encontrarmos soluções para o bem do futebol nacional.

Os treinos são a que dias e horas e em que locais?

Nós treinamos todos os dias com os diversos escalões: a equipa júnior treina de 2ª a 6 Feira as 15:30 horas, os juvenis treinam 4 vezes por semana: 2ª F 4ª F 6ª F as 14:00 horas e aos sábado as 7:00 horas. Os infantis só treinam aos sábados as 8:00 horas. Os treinos são realizados no Estádio Nacional 12 de Julho e no Centro de Estágio de Federação Santomense de Futebol.

A escola participa em torneios, campeonatos mais jovens?

Sim,a Escola participa em muitos torneios organizados a nível nacional, e sempre que a Federação São-tomense de Futebol organiza campeonatos jovens esporadicamente, costumamos participar. Também a Escola costuma reforçar os clubes nacionais e as selecções em torneios internacionais de futebol.

Entendes que o futuro do futebol de São Tomé e Príncipe passa pela aposta nas Escolas de Futebol e na formação de jovens jogadores?

Sem dúvida. Sem uma aposta séria num programa de desenvolvimento de jogadores de alto nível bem estruturado o futebol santomense não irá sair do estágio actual em que se encontra, nem tampouco se colocará ao nível das exigências da evolução do futebol mundial. A criação de escolas de futebol nos diversos distritos seria uma parte integrante dum tal programa.

Já sairam jogadores da escola para alinharem em outros paises?


Sim o primeiro foi “Tuka” antigo jogador dos Bairros Unidos Futebol Clube de Caixão Grande, ele alinhou na equipa do Benfica “B” em Portugal. Infelizmente não teve a tal sorte necessária para confirmar seu estatuto de jogador profissional.

Depois saíram o Willker Bolonha para a Academia do Sporting em 2007, o Hamilton Soares, Vander Ramos Pinto para academia do Sporting em 2008. Aplyton Bastos e Charles Mendes Pereira para a Academia do Benfica em Seixal em 2008. José da Silva Varela, Jair Nunes e Cerqueira Lima Afonso no Atlético de Alagoinhas no Brasil.

Como analisas o actual estado do futebol em São Tomé e Principe?

O futebol santomense está desorganizado, sem programa, sem calendários, sem campeonato nacional há 1 ano e 5 meses e sem base de dados. Há clubes que não têm sede própria nem dirigentes. Os clubes ainda dependem da federação para poder arrancar a época desportiva. STP tem um sistema de campeonato regional. A Ilha de S. Tomé com 14 equipas na 1ª Divisão, a Regiâo Autonóma de Príncipe possui 6 equipa na 1ª divisão. A 2ª divisão em S.Tomé tem 16 clubes, transitam dois para a 1ª divisão para ocuparem os lugares das 2 equipas que baixam de divisão. Os vencedores regionais de São Tomé e de Príncipe disputam o título nacional para apurar o campeão nacional num único jogo, hora em S.Tomé hora no Príncipe. A mesma fórmula é observada na Taça de S. Tomé e Príncipe. Necessário torna-se pensar num novo modelo de calendarização que possa assegurar um equilíbrio competitivo as equipas de S. Tomé e Príncipe.

O que é que faz falta?

A lei-quadro que deve regular o desporto nacional e a lei de mecenato. Talvez com a aprovação desses dois instrumentos os clubes possam conseguir patrocínio que os tornaria menos dependente como é o caso neste momento.

Uma palavra á população de São Tomé e Príncipe?

A população de S. Tomé e Príncipe é muito acolhedora, alegre e sempre ao serviço a todos. Enfrenta algumas dificuldades no ponto de vista sócio-económico, semelhante a todas as nações do mundo, mais demonstra claramente que está amadurecendo e não tem inveja no que acontece noutra paragem, muito pelo contrário está lutando e trabalhando para fazer erguer bem alto o bom nome de São Tomé e Príncipe no cenário das pequenas grandes nações do mundo.

Gustave Clément Nyoumba

Director de Futebol de Formação da Escola de Futebol de S. Tomé.

    7 comentários

7 comentários

  1. Franz K

    14 de Dezembro de 2010 as 15:31

    Espero que o governo, as empresas publicas e privadas comecem a olhar para esta modalidade e o desporto em geral com maior atenção e responsabilidade, como forma de combater parte dos problemas sociais que hoje os jovens enfrentam em STP.

  2. visão de domingo

    18 de Dezembro de 2010 as 10:03

    Obrigado Mister!! As coisas vão mudar para bem

  3. josé da silva

    24 de Dezembro de 2010 as 23:35

    valeu pai grande boas palavras concerteza tamos lutando firme e forte para que o nome de são tomé ao nível do futebol possa ser visto por mundo fora de uma forma diferente daquela que se vê atualmente….e concerteza iso está perto de acontecer…

  4. Hondeley do nascimento

    11 de Janeiro de 2011 as 12:15

    Admiro te muito mister, independentemente das condiçôes do treino nunca deixaste de lutar por aquilo q fases,o deus esta ctg,as coisas vão melhorar,podes crer,solizetenascimento@hotmail.com

  5. kilson

    8 de Fevereiro de 2011 as 18:55

    olá mister! aqui o craque kilson ficou mto satisfeito em ler esses teus paragrafos. ocho que com essas palavras o mundo todo ficara a saber das dificildades reais do futubol santomense,e dos atletas santomenses em alem fronteira.e espero que tenhas mto sucesso nesse teu projeto,isto porque só tu na realidade tens feito algo necessario e util pra desenvolver a capacidade tecnica,mental e moral desses sofredores jogadores da bola,naquele pais que me vio nascer( S.tomé e Principe). fico por aqui cum um forte abraço desse admirador teu que ensinaste os truques todos da bola. por isso um muito obrigado Mister Clente.( guarana )…

  6. fanon

    8 de Fevereiro de 2011 as 19:16

    ola mister li a entrevista que deste, gostei imenso ao mesmo tempo e de louvar por teres realmente ter dito tudo um pouco a serca do futebol em s.tome. Abraco.

  7. Butauê

    13 de Novembro de 2011 as 14:11

    Gostaria que alguém me dissesse se existe ou não ligações entre sporting,porto ou benfica com alguma institituição ,clubes ou escolas de S.Tomé e Príncipe.

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