A Morte de Chico Paleio

É um artigo espupendo de Adelino Cardoso Cassandra. Um artigo para ler, reler e reflectir.

A Morte de Chico Paleio

Nos primeiros anos, após a independência nacional, estava na moda um certo reformismo cultural, educativo e desportivo suportado, a montante, pela ideologia política que todos conhecemos.

O Liceu Nacional era o Santuário privilegiado para o experimentalismo, embrionário e caseiro, deste propósito, e exaltação, individual e colectiva, de loucuras identitárias.

Foi neste tempo que aparece, o Futebol Clube de S.Tomé, com figuras incontornáveis, do nosso desporto, como o Silvino Palmer, Bano, Nado, Trigueiros, Chalino, Martins Pereira, Dinho, entre outros. Foi neste tempo, também, que se institucionalizou, no Liceu Nacional, a moda dos campeonatos de Futebol de Salão inter-turmas. Havia alguns encontros, deste torneio de futebol, que o Liceu, literalmente, parava. Lá dentro do campo, separado por uma rede apinhada de adolescentes, em fervor clubístico-grupal e hormonal, jogava-se o futebol de salão, mas, também, uma oportunidade pessoal rara de acrescentar valor ao status decorrente do desempenho individual e colectivo conseguido.

Foi nestas andanças que o Liceu descobriu o Chico Paleio depois deste se ter transformado, dois anos consecutivos, no melhor marcador do referido campeonato. Nestes dois anos, o Chico Paleio transformou-se, fruto do seu desempenho futebolístico momentâneo, na pessoa mais influente do Liceu Nacional. Todos os adolescentes queriam imitar os passos seguros e cadenciados, a camisa branca e abotoada nos punhos e calças vincadas e invariavelmente azuis do Chico Paleio, que, não abdicava de um porta-chaves sonoro, nas mãos, para colorir e marcar o seu território.

O corredor central, que ligava o ginásio ao edifício central do Liceu, transformou-se, nestes dois anos, numa autêntica galantaria para o monumental Chico Paleio. Foi nesta altura que o cognome Chico Paleio começou a ganhar fama, poder e credibilidade no Liceu Nacional. Aqui e acolá, começou a germinar, de forma tímida mas segura, bolsas de claques femininas que entoavam cânticos como este: Chico Paleio, o Liceu está contigo…

Estes dois anos foram de glória para Chico Paleio que coleccionou namoradas, prestígio futebolístico e social e, até, imaginem, reconhecimento político, tendo em conta a conjuntura que se vivia na altura.

No terceiro ano, do referido campeonato, o Chico Paleio já era uma estrela que, dentro do seu calção e camisola de marca Adidas e ténis de marca Puma, ensombrava o brilho de alguns craques do futebol de onze do país.

Neste dia jogava-se uma meia-final e, mais uma vez, o Liceu parou. Não era preciso decretar a paralisação geral das actividades lectivas para que tal acontecesse, bastava, para tal, saber-se que a turma do Chico Paleio iria participar nesta meia-final. O jogo começa, entre cânticos e olês ensurdecedores dirigidos ao Chico Paleio e desprezo, por vezes humilhante, aos adversários.

O Chico Paleio parecia um pavão, de papo cheio, em cortejo fatal para a confirmação da glória. Passados quinze minutos do jogo, o cenário à volta da vedação do campo, apinhado de adolescentes, muda completamente: passou-se, rapidamente, de uma histeria sincronizada de olês para o comprometimento fatal da esperança de uma estrela que acabara de nascer. Toda a gente gritava: olha as cuecas! Olha as cuecas! As raparigas tapavam os olhos com as mãos, entre gritos e avisos estridentes, dirigidos ao epicentro da referida desgraça e os rapazes contorciam-se de risos perante o inusitado acontecimento.

Chico Paleio, entretido no cortejo momentâneo que a bola lhe proporcionava, não ouvia nem entendia a amplitude e significado daquelas mensagens. Nesta altura, as cuecas do Chico Paleio já se encontrava quase na linha dos joelhos do mesmo, por baixo dos calções Adidas, quando ele se apercebeu da tamanha desgraça e tentou recompor-se do susto, de forma envergonhada, puxando-as para cima, com tanta fúria, que esta dividiu-se em dois pedaços. De seguida, acabou-se o jogo e, com ele, a glória do Chico Paleio.

Desfeita a mobilização estudantil, e os comentários em volta do caso, no caminho para a casa, na entrada da roça do Julião, eu em direcção à Quinta de S.António e o Chico Paleio em direcção ao Pantufo, este me confessara, completamente triste e abatido: kéi, hoje eu morri! Contive o riso e, momentaneamente, tentei confortar o Chico Paleio desprezando a amplitude da desgraça que abatera sobre ele. Pura ilusão! Chico Paleio desapareceu do Liceu e refugiou-se, definitivamente, no seu Pantufo.

Estando de férias, este ano, em S.Tomé, estive com o Chico Paleio e rimo-nos desalmadamente, entre copos de cerveja, deste episódio rocambolesco que acabou por lhe roubar a glória. Confessou-me, entretanto, que deixou de estudar, desde aquela altura, e tornou-se num exímio pescador local.

A vida do Chico Paleio tem algo semelhante com a vida do actual governo da República. Após a glorificação eleitoral, este governo, com alguma energia, começou a trilhar um caminho que, não sendo suficientemente sólido, em termos de projecto, capaz de acabar com os nossos maiores constrangimentos estruturais actuais teve, pelo menos, o mérito inicial, de agitar consciências e fazer renascer a esperança do povo.

Só por isso, acho que valeu a pena a mudança, num país que se afundava, todos os dias, no pântano. Todavia, ninguém compreende, depois deste impulso avulso e expectável, inicial, a aposta, insistência e teimosia, no “paleio”, para impressionar a plebe, correndo o governo o risco de, rápida e desnecessariamente, se transformar num embuste, bem vestido, com cuecas pelos joelhos e morrer cedo, como o Chico Paleio, com a glória desfeita. Seria trágico para o país, que tal acontecesse, e tenho dificuldades em compreender os contornos desta autoflagelação que, não sendo um gesto momentâneo, e eventualmente perdoável, de inocência, pode comportar, entre outros, sérios riscos para a nossa democracia.

Temo que não seja um acto de inexperiência, inocência ou ingenuidade na medida que as contradições entre aquilo que o governo se propôs fazer, sustentado em fontes documentais, entrevistas ou mensagens públicas, do senhor primeiro-ministro e do seu ministro secretário-geral, e o comportamento político do mesmo, denunciam preocupação e um condenável repúdio público.

Depois da moda do “Banho”, com todas as consequências negativas que comporta para o aprofundamento da nossa democracia, o senhor primeiro-ministro resolveu inaugurar outra moda que se chama “Paleio” e já começa a fazer escola no país. Quais são os traços caracterizadores do paleio?

Munido de astúcia eleitoral suficiente e défice de escrúpulo chega-se a uma região ou distrito, do país, tenta-se convencer um número razoável e representativo de pessoas, do referido contexto, sobre as vantagens políticas, decorrentes do apoio político-partidário necessário, em troca de garantias contratuais escritas, para a referida região ou distrito, que minimizem, os problemas estruturais, ai existentes.

Foi assim que o senhor primeiro-ministro reagiu com uma parcela significativa da população da ilha do Príncipe debitando “Paleio” aos residentes e jurando, a pés juntos, que cumpriria a promessa de aumentar, significativamente, o orçamento da região, assim que fosse eleito, tendo em conta os problemas económicos e sociais, decorrentes da dupla insularidade que caracteriza a região autónoma do Príncipe.

Mal foi eleito, metido no seu elegante fato primo-ministerial, decidiu fazer exactamente o contrário, ou seja, reduzir o orçamento da referida região não obstante a constatação, in loco, dos problemas ai existentes e do respeito, honorabilidade e seriedade política que deveriam nortear a atitude dos signatários do referido contrato. Estava assim inaugurado uma nova forma de fazer política no país.

Momentaneamente, estando em campanha política, outra vez, para as presidenciais, ou a sondar as condições políticas que sustentem uma decisão neste sentido, resolveu minimizar as consequências do “Paleio” anterior, com mais “Paleio”, convencidíssimo que a população do Príncipe é tão distraída quanto o seu défice de seriedade e honorabilidade. Vai daí, já anunciou que iria mandar construir, ainda no próximo ano, um porto de pesca, na ilha do Príncipe, devidamente apetrechado em termos de equipamentos e outros meios, facilitadores da vida dos pescadores locais, sem, no entanto, orçamentar a referida actividade nem apresentar as premissas do respectivo projecto.

O senhor primeiro-ministro está tão distraído no jogo que não vê que as suas cuecas já começaram a aparecer, por baixo do seu facto primo-ministerial, e ele corre o risco de, “Paleio em “Paleio”, desbaratar toda a glória eleitoral e acabar por “morrer” novo e cedo como o Chico Paleio.

No Príncipe já há signatários do referido contrato, assinado com o senhor primeiro-ministro, que estão a convocar uma alvorada para, de casa em casa, desmascarar o “Paleio” do senhor primeiro-ministro. Ao contrário do “Banho”, as consequências políticas deste acto, que acaba de ser inaugurado pelo senhor primeiro-ministro, serão severas para o nosso aprofundamento democrático porque descredibiliza, ainda mais, os políticos nacionais, junto da opinião pública, e afasta os cidadãos em relação às preocupações com a nossa vida comunitária. Para além da compra de consciência nos momentos eleitorais passamos a ter mais um drama público com consequências gravosas para a nossa democracia.

Como se isto não bastasse, o senhor ministro secretário-geral do governo anunciou, há dias, em jeito revoltoso, que o dinheiro correspondente à venda de trinta mil barris de petróleo, cedidos pela Nigéria, que deveria entrar nos cofres do Estado, não entrou, ou melhor, entrou por intermédio de uma empresa fantasma que ninguém conhece os donos nem a respectiva sede social.

Na mesma ocasião o país ficou a saber que há empresas nacionais de petróleo que participam em concursos relacionados com a exploração do referido produto, da nossa zona económica exclusiva, e que, ninguém, também, conhece os donos ou a respectiva sede social. Ou seja, estamos no domínio do secretismo e do fantasma e a forma que o governo encontrou para exorcizar esses males, que nos afligem, foi, ele próprio, convocar e realizar uma manifestação contra a corrupção no país e, simultaneamente, limitar, de forma vergonhosa, a liberdade de informação criando condições para o saneamento e humilhação pública da melhor jornalista do país contando com a colaboração de alguns dos seus pares.

A classe jornalista do país, salvo algumas brilhantes excepções, esquece, ou não sabe, que o crescimento da sua importância social e emancipação progressiva, por oposição ao descrédito nacional da classe política, só pode ser efectuada, neste contexto cultural concreto, salvaguardando a sua independência face ao poder político. A liberdade de imprensa não existe para proteger os interesses momentâneos de qualquer governo ou partido político, mas, sim, para proteger o nosso interesse público comum.

Que interesse público se defende quando se tenta sanear e humilhar a melhor e mais culta jornalista nacional produtora do único programa televisivo que procura confrontar os políticos com os demais problemas sentidos pela nossa comunidade?

Todo o bom jornalismo deve ter, como premissa fundamental, num contexto em definhamento cívico, ético e moral, como o nosso, o empenho em reaproximar as pessoas da vida pública. Era isto que a São Deus Lima vinha fazendo, com inteligência, e estava a contribuir para minimizar os efeitos de uma cultura, ainda impregnada na nossa sociedade, de secretismo em detrimento do escrutínio público e de “censuras” em detrimento da liberdade.  Infelizmente, teve de pagar o preço que qualquer cidadão nacional, doravante, terá de pagar pela ousadia e sonho de lutar por um país mais democrático e justo.

Este não é, portanto, um problema específico da São Deus Lima ou apenas dos jornalistas Santomenses. Como diria Glasser: “A vida em comunidade não é o que a democracia gera mas o que a democracia é. E a política não é o que o Estado e seus funcionários fazem, mas o que as pessoas privadas fazem na sua capacidade de cidadãos.

Estamos metidos num grande sarilho institucional, sobretudo, porque os nossos políticos, ciclicamente, recusam responder aos problemas e expectativas das mossas populações em detrimento de um “Paleio” que só contribuí para a sua engorda, satisfação passageira e “morte” precoce.

Adelino Cardoso Cassandra

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    Pico Papagaio Responder

    Foi o senhor Carlos Cassandra vulgo Number e os seus pares que de forma abusiva assinou aquele memorando em nome da população do Príncipe acho que nenhum filho do Príncipe tem o direito de assinar nada em nome do povo do Príncipe, paira no Príncipe também uma certa prepotência e abuso de aqueles que acham ser donos desta ilha. Qual era objectivo deste senhor? Ver o seu nome na lista de deputado e a má língua diz por aí que ele será nomeado novo embaixador de STP em Taiwam, todos que estiveram na assinatura deste memorando estão bem da vida, Ângela Costa foi nomeada Ministra corta fita da Saúde, e povo de Príncipe ficou a chupar no dedo, tendo como prenda corte do seu orçamento por parte do seu 1º ministro que não fez nada mais se não falta com a sua palavra. Tudo isso já era esperado não foi por falta de aviso, filho de peixe sabe nadar.

    Ainda recordam como Miguel Trovoada apelidou o povo do Príncipe? Se não sabem eu digo-vos:

    “Carneiros” foi assim que fomos tratados por pai desse senhor 1º Ministro.
    Bem feito para povo do Príncipe, somos sempre enganos por alguns senhores da ilha de ST, mais mesmo assim não aprendemos.
    Porquê que Presidente do Governo regional não exige lugares para jovens do Príncipe nas empresas estratégicas do país?
    O nome deste país é STP e por isso não devemos ser tratados como uma zona qualquer da ilha ST.
    Na ilha ST chama-nos de irmão, da mesma forma como chamam um angolano, Cabo verdiano etc.. Um português tem mais direito em STP que povo do Príncipe!
    Para não falar de bolsa de estudo para França, Taiwam, Líbia, USA, Portugal, formação de superação dos funcionários públicos, só são beneficiados filhos da ilha de ST tudo isso com a conivência do senhor 1º ministro. Eles nem nos dão satisfação, das ajudas que chegam ao país.
    Será que não somos parte do mesmo território?
    O Tó Zé tem que vestir calça, e defender interesse do Príncipe junto a esses senhores que se julgam dono da terra.

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      Januário d´Apresentação Júnior Responder

      Senhor Pico Papagaio

      Embora concordasse com algumas coisas que o senhor afirmou, eu não tenho uma perspectiva sectária, oportunista e redutora quanto à sua, em termos de abordagem dos problemas que afligem S.Tomé e Príncipe e, sobretudo, a ilha do Príncipe. É óbvio que o país tem imensos problemas para resolver e o Príncipe, pelas suas características, ainda tem mais problemas do que cá em S.Tomé.
      Mas, eu mesmo, não sendo do Príncipe, tenho que reconhecer que o Tozé Cassandra tenho feito um trabalho extraordinário no Príncipe. Antigamente, eu reconheço isto, ninguém lembrava ou ouvia falar do Príncipe nos noticiários ou mesmo nos interesses que afectam a região. Eu, mesmo dentro do meu anterior partido, sentia que havia uma atitude de esquecimento ou desleixo perante a ilha do Príncipe. Muitas vezes questionei os meus camaradas acerca deste problema. Mas agora, só um cego não vê o trabalho que o Tozé tem feito.
      Talvez seja por isso que ele já foi vítima de achincalhamentos públicos, por parte de alguns politicos cá de S.Tomé, por defender muito a sua terra. Lembram-se daquilo que o Patrice lhe fez? Lembram-se daquilo que a Elsa Pinto lhe fez?
      Não conhecí nenhum outro plítico que tenha lutado tanto e sofrido tanto pela defesa dos interesses da sua terra.
      Quantos estudantes do Príncipe não foram estudar ultimamente para o estrangeiro devido às pressões do Tozé? Antigamente nem sequer ligavam os estudantes do Príncipe.
      Quem não se lembra o tempo que vocês andaram a lutar para o estatuto político administrativo da vossa terra? Recordam-se desde quando vocês andaram a lutar por causa deste estatuto? O Tozé em três anos de poder conseguiu aquilo que os outros numa dúzia de anos não conseguiram? Isto tem de ser reconhecido. Só um cego não vê isto.
      Eu que trabalho cá no ministério de agricultura reconheço as pressões que o Tozé faz para que assuntos do Príncipe sejam resolvidos, coisa que antigamente não se verificava.
      É óbvio que ainda existem injustiças relativamente à muitos assuntos, bolsas de estudo, lugares para jovens, etc. Mas lembram-se como antigamente as coisas funcionava? E isto não é só um problema do Príncipe. É também de Angolares, Neves e outras zonas do país. O senhor Pico Papagaio não deve ter ideia de nada porque vive, com certeza, no exterior do país.
      Eu, como cidadão deste país, e natural de S.Tomé, tenho gostado bastante do trabalho do Tozé. Acho mesmo que ele é, actualmente, um dos maiores politicos nacionais. Se vocês não quiserem ele ai no Príncipe, por favor, mande cá para nós. Eu tenho a certeza que ele faria melhor do que muitos daqueles que estão cá no geverno central a fazer uma quantidade de disparates. Pundá deço, mandé dá nóm.
      FUI
      Januário D´Apresentação (Janú)

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      Isso não vai dar em nada... Responder

      Meu caro Pico Papagaio,
      Preste atenção nesta frase extraída do teu próprio texto “… somos sempre enganos por alguns senhores da ilha de ST, mais mesmo assim não aprendemos…” É surpreendente a forma como tudo que acontece de errado no Príncipe é da responsabilidade do pessoal de ST. Acho que deverias sim, é ter vergonha de dizer tamanha barbaridade, visto que os subscritores do tal acordo, como o tal “SENHOR” que confesso, ter nojo de pronunciar o seu nome, é a mesma elite de sempre da ilha Príncipe que sempre viveram bem em detrimento de muitos pobres da ilha, sempre usaram a população da Ilha para atingir os seus objetivos.
      Achas que a contrapartida decorrente da assinatura desse acordo foi só o Cargo de Ministro (Ângela Costa) e a colocação de alguns “PÉ- RAPADOS” (Carlos Cassandra “Mamber”) na lista de deputado? Claro que não meu caro, houve desbloqueio de Dinheiro em grande quantidade para cada um.
      Continuo a não compreender como é que um grupo de pessoas que não foram eleitas teve a coragem, sem mandato do povo, assinar um acordo em seu nome? Isso é mesmo um conto de vigário.
      Já esta claro que os responsáveis imediato pelos meles do Príncipe, são os próprios filhos da ilhas
      Portanto, para de chorar pelo leite derramado e sancione os vossos lideres regionais.

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      Chico Paleio Responder

      Pico Papagaio tem razão, eu nunca compreendi o porquê do pessoal da ilha de ST chamar o pessoal de Príncipe irmão sabendo que são todos do mesmo País. Quando nós mesmo chamamos os Angolanos de irmã e por ai for.
      Somos todos cidadão de um mesmo país.

      Eu trabalhei no Ministério da educação, uma vez questionei o ministro na época a propósito de 5 bolsas para USA para curso de economia, agronomia, e informática.
      Falei o ministro da necessidade de atribuir pelo menos uma bolsa ao Príncipe, ele virou e disse-me:

      “A bolsa já tem destinatários e gente de Príncipe não precisa ir até USA para estudar”.

      Verifiquei que muitas informações que chegava ao ministério relativamente a bolsa de estudo superior, apoio a escola nunca comunicavam o pessoal do Príncipe.

      Eu acho que deve haver um equilíbrio na distribuição dos apoios que chegam ao país.

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        kidaleôôôôô Responder

        Respondeu muito bem a Ministra, porque gente de Príncipe é Sao-tomense e como tal não tem que ter tratamento especial ou diferenciado, deve concorrer em igual oportunidade que qualquer cidadão nacional…

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          Veneno de Cobra Preta Responder

          Mais é preciso que essas informações saia para fora, para todos terem conhecimento e poderem candidatar.

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    Celsio Junqueira Responder

    Melhor é impossivel, sempre com qualidade, observador atento e com muita acutilância intelectual.

    Um Grande Abraço!!!

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    Batepá Responder

    Comentar para quê, está tudo dito.

    Força

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      Sequeira Responder

      Concordo consigo! Está tudo dito e de forma soberba e racionalmente compreensível e fundamentada.
      Continua a deliciar-nos com estes textos de grande alcance argumentativo e pedagógico.
      A nossa democracia sairá mais forte com participações desta natureza.
      Um bem haja a todos.
      Sequeira

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    Abilio Neto Responder

    Cassandra,

    Agradece-se a tua lucidez e pausa, no meio de tanta gritaria e reset generalizado, haja vozes a propor, mesmo assim, vias para o restart.

    Abraços,

    Abílio Neto

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      Adelino Cassandra Responder

      Olá, Abílio!

      Depois da companhia dominical atenta, através da nossa RDP-África, emprestando-nos, de forma solidária, crítica e perspicaz, análises e comentários pertinentes, é com prazer que vejo-te por aqui.
      A vida em democracia é mesmo assim: conversação.
      Acho que é Carey que observou: «…quando um povo não se sente a fazer parte da conversação pública, quando não existe uma arena onde possa ser visto e escutado, ele retira-se procurando prazeres individuais…»
      Felizmente, ainda há pessoas como tu que resistem.
      Um forte abraço para ti.
      Adelino Cassandra

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    Horácio will Responder

    Olá Cassandra!
    Foi agradável e profundo o teu artigo. Agradável… desculpa, porque usaste um estilo arrojadamente leve para o leitor a fim de dizer coisas que não podem ser agradáveis. São necessitadas de correcção.
    Quanto à demissão de minha predilecta jornalista são-tomense, preferi não comentar porque sinto um choque muito grande de quem não acompanha de perto a nossa realidade e tem necessidade… grande necessidade de acreditar que já está em curso o processo de mudança do desastroso rumo que a nossa terra foi seguindo. A colisão entre alguém de quem espero muito pela necessidade de acreditar, com alguém que eu tão bem conheço e estimo tanto, atingiu-me e paralisou-me.
    Voltando ao Chico Paleio, continuo a pensar que somos quase todos Paleio em STP devido a aspectos culturais que já não se justificam nos nossos tempos.
    O Chico valia pelos golos e valia alguma coisa. Temos doutores que valem pela formação técnica e valem. Temos pessoas endinheiradas que valem pelos recursos económicos e valem. No tocante à conduta social encontramos o nosso grande problema: como gerir a imagem que as qualidades nos proporcionam se não tivemos orientação para demonstração de valores humanos?
    Perdemos as cuecas.
    Os nossos filhos continuarão a perdê-las e os nossos netos talvez nem as coloquem se continuarmos a pensar que somos homens por termos filhos (o que qualquer consegue ter até sem querer muitas vezes)sem nos lembrarmos que é altura de se ser HOMEM pela responsabilidade na educação dos nossos filhos dedicada à noção de respeito, justiça, construção e conservação.

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      Adelino Cassandra Responder

      Olá Horácio!

      Prazer em em ver-te por estas bandas.
      Subscrevo, na íntegra, o teu comentário. E este défice (conduta social) que mencionas cujas causas e consequências seria desejável diagnosticarmos e interiorizarmos (individual e colectivamente) para arrepiar caminhos, (médio e longo prazos) não faz parte de investimento da nossa elite e, consequentemente, do nosso sistema educativo, por exemplo, para além de tiradas avulsas e sem qualquer conteúdo estratégico. Estando as “famílias” num contexto de “miserabilismo crónico” amputadas de instrumentos, formais e informais, que pudessem contribuir para acrescentar valor às competências sociais das nossas crianças e jovens seria desejável que a escola não se demitisse, consciente ou inconscientemente, das suas funções. Mas, infelizmente, não é isso que se verifica.
      Um forte abraço para ti
      Adelino Cassandra

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    pagagunu Responder

    Excelente , Patrice Paleio Trovoada um dia destes manda feixar o tela non…

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    Hugo Lima Responder

    STP.Para além das tantas desordens, ainda há gente com visão. Valeu.
    Como disse o Batepá, Comentar para quê, só não vê quem não quer. ou apenas o que lhe convêm.

    Parabens.

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    fulufulu Responder

    gostei da escrita, da satirá e aproveito para lhe convidar a trabalhar cá na terra. só assim perceberá e viverá os nossos fracasos e desiluções…..
    um dia havemos de chegar lá.. daí a 100 anos.

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    Luis Silva De Sousa Responder

    Excelente,simplesmente excelente…

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    Luis Silva De Sousa Responder

    excelente….

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    J. Maria Cardoso Responder

    Um filme da nossa realidade revisitado por um filho da terra k nos traz épocas diferenciadas com a esperança na sua morte lenta devia ser “koisa pá ri.”
    Todavia, avivar as consciências no meio de balas k soam sempre k ao debate é chamado nú e crú o desnorte do país k a todos é pertença, deixa troçar a mente com a fatídica realidade heróica do Chico Paleio desvanecida na pobreza k persiste em não libertar a nossa sociedade.
    Quero acreditar k o paleio governativo ainda é a busca desesperada em encontrar soluções para os gritantes problemas k nos afectam a todos os níveis nas mais pequenas e belas ilhas de S.Tomé e Príncipe. Exemplo disso (já usei menção anteriormente) é a saída do Ministro da Justiça a rua na passada semana à frente da tal manifestação contra a corrupção.
    Aonde chegamos? Palhaçada né?
    Coisas da nossa Democracia!
    Um abraço ao Adelino Cassandra.

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    sankhara Responder

    só posso dizer em sintese que dada a longura do artio, ap rincipio senti preguica de le-lo; mas menos mal que por fim ganhei tempo para o fazer e desta feito e sucintamente poder dize-lo amigo Cssandra que, TU ESCREVES MUITO BEM. e mesmo que nao tenhas toda a razao em tudo o que dizes, sempre vale a pena ler os teu artigos.

    abracos!

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    Manga safú Responder

    Pessoal do Príncipe vende-se por dinheiro, cargos de ministro, cargos de embaixadores, e lugar no Governo.

    Depois vem ai lamentar, Patrice pagou muito dinheiro a Number e Ângela Costa e outros para assinar acordo e apoiar ADI a ganhar eleições no Príncipe.

    O quê que vocês querem mais, o trabalho foi pago. Se querem mais dinheiro vão trabalhar ou peçam ao Number ou a Ângela Costa e seus amigos.

    Recorda que ele vos enganou que o dinheiro da cooperação com Taiwam ia ser entregue ao Príncipe 600 mil dólar anualmente, independente do OGE. Vocês caíram como patinhos.
    È o que dá ser otários.

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      Januário D´Apresentação Responder

      Cá na minha Terra Manga safú é sinónimo de “gente pequena”, sem brilho, que passa a vida nos copos (cacharramba) esperando que as próximas gravanas traga caprichos de alguma felicidade pessoal e profissional. Pelo conteúdo da sua escrita só pode ser alguém desta estirpe. Deus lhe proteja perante tanta ignorância.
      FUI
      Januário D´Apresentação

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    Aoaní d'Alva Responder

    Então é esse o mal que nos aflige, paleio. Fico a saber. Gostei do texto, pintou muito bem o quadro em que se vive em STP. Obrigada.

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    minu da ilha Responder

    Câmara,
    Sem querer contrariar o seu artigo de opinião, senhor Adelino, o senhor tem muitas razões sobre muitos aspectos aí mencionados. De facto esses governo tem me saído uma boa…. E já começo arrepender de dar meu voto a senhor “Pequeno Ditador”, mais tudo isso porque não tínhamos mais opção e Rafael Escuro está cada vez mais escuro. Esse governo já está a nos atropelar e muito.
    Mais quanto ao termo que usou de Chico Paleio, digo ao senhor, que o verdadeiro Paleio não é 1º ministro nem tão pouco o Mamber e Ângela como muitos dizem. O verdadeiro Chico Paleio é Tozé Cassandra seu irmão, e outro Chiquinho Paleio que O Digo que anda aqui a arruinar nosso EMAI.
    Mais uma coisa é certa, o Tozé, esse sim, é mesmo só Paleio. Fala, fala e não faz nada. Já disse e repito esse homem anda cá no príncipe, mais na verdade quem governa é um grupo de gatos pingados, chamado núcleo duro ou elite. E senhor Jôzé Paleio Cassandra serve para fazer discurso. O rancor do Jôzé Paleio Cassandra e os demais da “Elitizinha” é porque o Patrice está acabar com abuso de usar dinheiro públicos a “torta e direita” enquanto o povo anda cá a passar mal. Meus amigos, sabem porquê que Patrice cortou confiança com Gov. de Jôzé Paleio Cassandra? È porque esse, contrariamente do dizem, recebeu o maior bolo para fazer campanha e mesmo assim, traiu Patrice e fez campanha p outro partido. Esse sim, não tem palavra, é só Paleio. Desde 1º mandato de Jôzé Paleio Cassandra, que eu ando aqui a criticar e já estou farto de criticar a maneira como dinheiro público tem vindo a ser usado. Eu defendo que Gov. de Jôzé Paleio Cassandra tem que apresentar projecto concretos e ser fiscalizado para ter verba com excepção de verbas que tem a ver com salários dos verdadeiros funcionários, como é meu caso.

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      António D. Responder

      Senhor Minu da Ilha

      De facto, há muito tempo que eu reparo que o senhor tem criticado e ninguém lhe liga nenhuma. O senhor sabe porquê? Advinha! É concerteza porque as suas críticas não são compatíveis com a realidade. O senhor já reparou que ninguém lhe liga? Porque será? Pense nisso senhor Minu da Ilha.
      Eu conheço-vos todos muito bem. Eu não sou do Príncipe mas conheço-vos todos muito bem desde o nosso tempo de Cuba. O meu amigo lembra-se disso?
      Já te ouvi a dizer coisas mais ingratas sobre o Tozé Cassandra que eu fiquei indignado. Lembras-te? Foi em tua casa, num almoço. Quando eu fui para Portugal ouvi o meu querido amigo Danilo Salvaterra a dizer o mesmo do Tozé. Eu tive a preocupação de perguntar ao Danilo Salvaterra qual era a razão dele dizer tão mal do Tozé e ele não me soube responder.

      Eu acho que o vosso problema no Príncipe é ciúme, muito ciúme e inveja, uns dos outros. Desde o nosso tempo de Cuba eu já notava isto em relação a vocês do Príncipe.
      Não quer dizer que isto não existe aqui em S.Tomé. Só que S.Tomé é um bocado maior e estes problemas existem mas são mais diluidos. Mas eu sei quem tu és e sei a razão porque falas assim do Tozé.
      Meu amigo não sejas assim. O rancor, ódio e inveja não devem, fazer companhias das pessoas sérias e cultas. Não sejas assim.
      Tu és formado e tens um bom emprego. És médico de profissão. Se quiseres ir para política vá com a tua consciência limpa. Não tens necessidade de estar cego por ódio, inveja e rancor desnecessário.
      Vá concorrer também para o governo regional do Príncipe ou entre para um partido grande e faça alguma coisa pela tua terra sem ódios nem rancores.
      Você faz-me lembrar aquele moço do Príncipe, irmão do Quaresma Costa, que foi candidatar ao governo Regional e descobriu-se que ele andou a roubar dinehiro numa Associação Sul em Aveiro. O rapaz ficou cheio de vergonha perdeu as eleições e dizem que ele não pode entrar em Portugal. Por isso não se deve colocar o rancor e ódio na política.

      Um abraço meu grande amigo

      António D.

  16. img
    Joker Voz do Povo Responder

    E assim vai São Tomé e Príncipe.
    Vai… Vem … Vai… Vem…
    E até aonde, não sei. Não sabemos. Mas vai… vem …
    Até quando? Até quando?
    É muito triste.

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