Sociedade

Mensagem da AJS pelo Dia Internacional do Jornalista

CIDADÃS E CIDADÃOS
CARAS E CAROS COLEGAS
O Dia Internacional do Jornalista, que se assinala hoje, é uma homenagem a todos os profissionais da comunicação social pública e privada, cuja tarefa principal é lidar com notícias e factos para manter o público informado.

Marca também o 3.º aniversário da institucionalização da Associação dos Jornalistas Santomenses.
É igualmente um tributo àqueles profissionais que perderam a vida, estão presos e são perseguidos em vários países por esse mundo fora, seja em zonas de conflitos, nas ditaduras ou em pseudo-democracias.

Recorde-se que o 8 de setembro foi instituído pelas Nações Unidas em homenagem ao jornalista checo Julius Fucik, assassinado nesta data em 1943. Ele foi membro da resistência contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial. Fucik revelou-se um acérrimo defensor da liberdade de imprensa e inspirava nos seus despachos a luta contra o fascismo e advogava ideais de independência dos povos oprimidos, o que lhe valeu, em 1950, o prémio da paz, a título póstumo, outorgado pelo Conselho Mundial da Paz.

A efeméride proporciona um momento de reflexão. A situação dos jornalistas e profissionais da comunicação social santomense e da liberdade de imprensa e de expressão no país já foi diagnosticada. É bem conhecida. Censura, auto-censura, medo e pressões de todo o tipo são marcantes. Lamentavelmente, nos 43 anos de independência, dos quais 27 de instauração da democracia não houve uma evolução significativamente positiva para os jornalistas e técnicos que lidam com palavras, sons e imagens.

A classe não conseguiu sequer que os decisores, ao longo destes anos, a inse-risse no quadro privativo, com autonomia administrativa e financeira. Continua com o estatuto de funcionário público clássico, incompatível com o perfil da profissão, que exige estar no ar também nos fins de semana e feriados, como por exemplo, os quadros da saúde e os da defesa e segurança.

Alguns foram beneficiando de algumas formações avulsas e de curta duração, com o apoio de parceiros. As instituições de formação começaram a oferecer recentemente cursos em que o jornalismo é uma das vertentes. A Associação e o Sindicato de Jornalistas e Técnicos já têm propostas sobre o Estatuto de Jornalista e o Código Deontológico para submeter aos decisores.

Sonho antigo! Estão a trabalhar na proposta de criação de uma Comissão de Carteira Profissional e o seu Estatuto, reconhecendo, entretanto, que a Lei de Imprensa precisa ser atualizada. Esses diplomas, assim como as leis da Rádio e da Televisão, têm o condão de dissuadir aqueles políticos que têm apetência de intrometer excessivamente no trabalho dos jornalistas, desde que estes, por sua vez, respeitem na sua atividade profissional os princípios estabelecidos e universalmente aceites: isenção, responsabilidade e a procura constante da verdade.

Este ano, a celebração no país tem uma particularidade. Estamos a um mês das eleições legislativas e locais. Todos os profissionais conhecem o Código de Conduta Eleitoral que deve ser respeitado. Foi adotado em 2011. De lá pra cá não houve uma alteração profunda dos princípios que devem nortear a atuação dos jornalistas e técnicos.
A diferença é que as redes sociais assumiram uma maior importância no fluxo da informação. Seja como for, a veracidade da mesma deve ser verificada antes da sua difusão.
Neste contexto, a AJS gostaria de celebrar o seu aniversário dando uma contribuição mais positiva. Procurou parcerias para a realização de debates antes da campanha eleitoral, sobre alguns temas, na nossa perspetiva importantes, que contribuíssem para melhorar o ambiente de diálogo entre os atores políticos entre si, e entre aqueles e a sociedade civil. Mas não foi possível!

Temas de caráter económico ligados à Agricultura e Desenvolvimento Rural. Transformação de produtos, abastecimento interno e exportação. Opção pela produção biológica. Produção e transformação de recursos haliêuticos. Turismo. O papel e o reforço do setor privado. Diplomacia económica, no âmbito da política externa.
No que respeita à reforma do Estado, por exemplo, o questionamento se a atual divisão política e administrativa é a mais adequada? Crescimento demo-gráfico e urbanização. Qualidade da Educação para o Desenvolvimento e a Dimensão cultural do desenvolvimento, entre outros.

A ideia era envolver jornalistas, especialistas, a sociedade civil organizada, universitários e a classe política neste processo dialogante e de troca de ideias.
Para as eleições de 2014, a então Direção da TVS e os colaboradores foram mais além do que a lei previa. Criaram espaços de debates, tanto para as
eleições locais como para as parlamentares. Foi a primeira vez, na história da televisão pública, apesar das limitações.

A AJS está preocupada com as condições existentes para que os jornalistas e técnicos façam uma cobertura decente, justa e equilibrada da campanha eleitoral, incluindo a realização de debates previstos na lei eleitoral.

Entretanto, a confiança e a esperança devem ser a nossa bússola. Precisamos acreditar que dias melhores virão. Mas teremos que continuar a luta para que as coisas aconteçam!
DESISTIR, NUNCA!

São Tomé 08 de Setembro de 2018
_______________________________________________________
Juvenal Rodrigues
Presidente do Conselho Directivo da AJS

Em formato PDF _ MENSAGEM DIA INTERNACIONAL DO JORNALISTA

    4 comentários

4 comentários

  1. Armindo antunes

    9 de Setembro de 2018 as 7:20

    Espero que no futuro, ou seja depois de sete de outubro a imprensa e o jornalismo santomense possa voltar a luz do dia e se credibilizar. Nao tivemos a verdadeira comunicacao social nos ultimos quatro anos senao panfletos e propagandas de uma duzia de gatos pingados. Este pais ja teve a verdadeira liberdade de imprensa mas o “me-dubay” matou.a. o mais triste foi ver alguns ditos jornalistas feito autenticos marionetes do poder esquecendo do exercicio da profissao. Quero nesta data felicitar os jornalistas que o partido adi obrigou a fazer a travessia do deserto como juvenal rodrigues, sao lima, adelino lucas, jose boucas, silverio amorim, manuel dende, manuel barros e eugenia menezes. Forca.

  2. ONDE MESMO?

    10 de Setembro de 2018 as 9:00

    Em primeiro lugar é para felicitar os jornalista santomenses pelo dia internacional do jornalista. Em segundo lugar estava a espera que a AJS fosse mais contundente na sua mensagem ao que ao lê-la fiquei extremamente desiludo porque matéria para tal não falta. Em terceiro lugar apelar a toda a classe jornalística para deixarem de ser simples marionetas nas mãos do governo e seguirem exemplos dos antigos colegas da década de 80 que nunca se deixaram subjugar pelo poder político. Exerçam o vosso papel do quinto poder.

  3. Arlecio Prazeres

    10 de Setembro de 2018 as 9:33

    Muito bem AJS. Esta associação embora tenha nascido tardiamente tem sido mais amiga dos jornalistas e técnicos da comunicação social do que o dito sindicato dos jornalistas.
    Ao menos assim, esta data para os jornalistas não se passou de forma despercebida. Por isso digo, viva o Juvenal Rodrigues e todos os outros que estiveram na origem da criação da Associação dos Jornalistas de STP. Da mesma forma digo abaixo senhor Helder Bexigas e a cambada de incompetentes que com ele fazem parte do dito sindicato que se vendeu ao ADI.
    O fututo que se pensava que estava longe, esta hoje mais perto do que nunca e vou querer ver a cara dos paus mandados do ADI que tomaram a radio e a TVS e fizeram casa de mãe joana. Kinga com voces todos que desprezaram os vossos proprios colegas e se venderam a politicos sem escrupilos. Viva o povo de S.Tomé e Principe que sabe o que quer. Um povo que sabe testar para depois jogar a sua cartada.

  4. Tartaruga Ninja

    10 de Setembro de 2018 as 9:46

    A prepositivo dos jornalistas e da liberdade de imprensa, ou melhor da não liberdade de imprensa em STP, há informações de que a grande maioria dos jornalistas e técnicos da comunicação social andam muito aborrecidos com o poder governativo do ADI. Em quatro anos, nada, mas nada de concreto foi feito nem a favor dos profissionais nem a favor das instituições Radio e TVS. Não se observou nenhum investimento e nem mesmo compra de materiais/equipamentos. Os directores desses orgãos passaram a vida a viajar, elegeram a arrogância para seus mandatos, um deles teria monopolizado viatura da instituição e no seio dos próprios õrgaos, deixaram de ter voz activa e se tornaram “persona nom grata”.
    A ser verdade isto é muito mau, pois a comunicação social deve ser feita em perfeita harmonia e cumplicidade dos colegas da classe.

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