O Presidente da Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe, Abnilde Oliveira, é um dos principais focos da crise evolutiva que se despoletou no seio do partido no poder, a ADI.
Ex-líder da bancada parlamentar da ADI, e membro da direcção do partido, Abnilde Oliveira abandonou o barco em fevereiro passado, posicionando-se como deputado independente. Antes de confirmar o seu novo estatuto, ainda no mês de fevereiro foi eleito pela nova maioria parlamentar como o novo Presidente da Assembleia Nacional, após a destituição da sua companheira Celmira Sacramento.
A crise evolutiva no partido dos “Companheiros” colocou Abnilde Oliveira no meio do furacão. Na sessão plenária de terça-feira , 7 de abril, o deputado que preside a Assembleia Nacional, denunciou 2 jornalistas da ex-RDP África como militantes acérrimos da ADI, e que estão a fazer uma campanha contra a sua pessoa.
O leitor pode confirmar a denúncia feita na sessão plenária da Assembleia Nacional.
Os companheiros se zangaram entre si, e o público começa a saber de muitas coisas. Abnilde Oliveira é jornalista de formação, e tudo indica que sabe bem o que disse.
A crise evolutiva na ADI tem feito transbordar para a sociedade são-tomense, um clima de alta tensão entre a facção que apoia Patrice Trovoada, o presidente do partido, e a facção que se rebelou contra a liderança. Interessante é notar, que também se instalou uma tensão entre a facção que se rebelou e a ex-RDP-África.
Em fevereiro último, Abnilde Oliveira, ainda na qualidade de Presidente Interino da Assembleia Nacional tinha denunciado a ex-RDP África, na sessão plenária que debateu e aprovou o orçamento geral do Estado.
O presidente interino da Assembleia Nacional abriu e encerrou a sessão plenária com a denúncia a ex-RDP África.
A deputada Beatriz Azevedo, líder da bancada parlamentar da coligação MCI/PS/PUN que foi visada na notícia da ex-RDP África como tendo sido expulsa da sessão anterior, esteve presente no plenário e não contestou a denúncia feita pelo presidente interino. Facto que legitimou a denúncia como sendo em nome dos 55 representantes do povo de São Tomé e Príncipe.
Aliás, o jornalista do Téla Nón esteve presente na sessão plenária da Assembleia Nacional, e em nenhum momento registou a expulsão da deputada Beatriz Azevedo, pelas forças de segurança. O áudio divulgado pela ex-RDP África é neste caso desmentido pela força e o poder das imagens.
Quando falou da necessidade de chamar as forças de segurança, para retirar os deputados revoltosos, Abnilde Oliveira dirigia-se aos 3 deputados da coligação MCI/PS/PUN, que discutiam e ameaçavam o deputado Gaudêncio Costa, que na altura estava no uso da palavra no púlpito do parlamento. Os 3 deputados estavam já na porta de saída da sala do plenário. A deputada Beatriz Azevedo permaneceu na bancada parlamentar a discutir, e voluntariamente abandonou o plenário. Uma ordem que ela própria tinha dado ao seu grupo parlamentar. Factos que podem ser comprovados visualmente pelas imagens.
A denúncia ou desmentido feito pelo Presidente da Assembleia Nacional à ex-RDP África, foi um facto político de grande relevância para o país, e para toda a comunicação social são-tomense. Foi acompanhado por todos os são-tomenses através da emissão em directo da TVS e da Rádio Nacional, sem falar da transmissão também em directo nas redes sociais.
Mas, a tensão entre a facção rebelde da ADI e a ex-RDP África parece ter começado em janeiro de 2026. Após uma visita a Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe, o Presidente da República Carlos Vila Nova, ex-deputado da ADI, pôs em causa a política editorial da ex-RDP África e o papel do seu correspondente em São Tomé e Príncipe.
Carlos Vila Nova respondeu à pergunta colocada pelos jornalistas da Rádio Nacional e da TVS, únicos órgãos de comunicação social que estavam presentes no local.
«Parece-me actos encomendados, parecem encenados, a retórica é a mesma. Do lado jornalístico sempre os mesmos protagonistas», afirmou o Presidente da República em resposta a pergunta dos jornalistas da TVS e da Rádio Nacional, sobre a entrevista de 26 minutos que a ex-RDP África concedeu ao ex-Primeiro Ministro e Presidente da ADI Patrice Trovoada.
Questionado sobre os programas de debate e de sondagens, que foram organizados pela ex-RDP-África na sequência da transmissão e retransmissão da entrevista de 26 minutos, o chefe de Estado são-tomense considerou que a então RDP-África deveria fazer uma introspecção. «E ver se os objectivos para os quais a RDP-África foi criada estão a ser cumpridos», frisou.
Na entrevista à TVS e à Rádio Nacional, Carlos Vila Nova, questionou também sobre a ausência no território nacional do correspondente da então RDP-África.
De notar que é a primeira vez, na história da democracia pluralista em São Tomé e Príncipe, que os companheiros da ADI tecem críticas ao trabalho dos jornalistas são-tomenses da ex-RDP África.
Abel Veiga
Jxecove
9 de Abril de 2026 at 10:42
O texto de Abel Veiga é um excelente exemplo de como não fazer jornalismo: confunde opinião com factos, mistura suposições com narrativa e ainda tenta vender tudo como verdade absoluta. Mais do que informar, o autor parece empenhado em tomar partido, esquecendo princípios básicos como rigor, contraditório e imparcialidade. Se isto é jornalismo, então é na versão mais fraca-quase um exercício de militância disfarçada.
E o povo é culpado por votar!!!
San Ponhá
9 de Abril de 2026 at 22:08
Jeronimo Moniz e Oscar Medeiros são militantes de Patrice Trovoada .