Outrora projetado para a patrulha costeira e fluvial do continente africano, a este regressou, celebrando em janeiro quatro anos de missão na República Democrática de São Tomé e Príncipe (RDSTP); tendo largado da Base Naval de Lisboa, a 03 de janeiro de 2018, rumo a sul, atracou no dia 22 de janeiro de 2018 no porto comercial de São Tomé.
Neste 4.º ano de presença em STP, período em que o NRP Zaire comemorou o seu 50.º aniversário, foi dada continuidade à missão de Fiscalização Conjunta e Capacitação Operacional Marítima da Guarda Costeira de STP, sendo que neste último ano de missão, aumentou consideravelmente a sua atividade, tendo percorrido 8593,6 milhas náuticas e contabilizado 1095 horas e 25 minutos de navegação (representando o equivalente a 235% da sua atividade do ano transato) tendo sido empenhado em diversas ações, nomeadamente de segurança marítima, de apoio humanitário e sanitário, de apoio logístico e de busca e salvamento no mar.

Paralelamente, o navio desenvolveu várias ações junto das autoridades locais e da população em geral, havendo a destacar a rendição do contingente militar da Região Autónoma do Príncipe (RAP), constituído por 58 militares, o reboque das lanchas RODMAN 33 entre ilhas para repor uma lancha operacional no Príncipe, a formação em Suporte Básico de Vida aos militares e civis da Guarda Costeira, pessoal da Embaixada de Portugal, Bombeiros e Polícia de STP, e no âmbito de cariz social foi entregue diverso material escolar, brinquedos, roupa, entre outros, a várias instituições de STP.

Em termos de apoio à administração do porto comercial de São Tomé, realça-se o combate ao alagamento no rebocador “Ana Chaves”, que se encontrava atracado no porto e a meter água pela casa das máquinas.
No âmbito da Segurança Marítima, os ataques por pirataria no Golfo da Guiné e, principalmente dentro das águas de jurisdição de STP, aumentaram drasticamente comparativamente aos anos anteriores. Neste sentido, esta Unidade Naval esteve empenhada em sete ações no âmbito da Segurança Marítima, desde o apoio aos navios que foram vítimas de ataques de pirataria, à realização do acompanhamento da navegação mercante, de modo a prevenir futuros ataques, e também a monotorização e acompanhamento do “MOTHERSHIP” que tinha servido para realizar alguns desses ataques.
Nas ações que se enquadram na busca e salvamento, o NRP Zaire prestou auxílio a uma embarcação de pesca desaparecida, com duas pessoas a bordo, na zona de Neves, uma das maiores comunidades piscatórias do país. Para além desta, auxiliou dois navios nas águas de São Tomé: o MV “Bonsai” que se encontrava com um alagamento na casa da máquina do leme e que resultou no resgate de seis tripulantes, e o MV “Andrea” que se encontrava sem hélice, tendo sido rebocado até à Baia de Ana Chaves, em São Tomé.

Adicionalmente, deu-se continuidade à capacitação dos militares da Guarda Costeira, com a formação dos militares embarcados a bordo do NRP Zaire, na área da reparação de embarcações miúdas, através de um elemento destacado, em permanência, da Unidade de Meios de Desembarque dos Fuzileiros e de um contentor Oficina de botes instalado na Guarda Costeira, e na área da abordagem, através de um elemento do Pelotão de Abordagem dos Fuzileiros, destacado no NRP Zaire e que garante a formação e treino contínuo das equipas de abordagem santomenses, tanto a bordo como no Centro de Instrução Militar das Forças Armadas de STP, que conta já com a passagem de três guarnições e vários observadores santomenses, no total de 74 militares (12 oficiais, 13 sargentos e 49 praças).
O navio português, prossegue a sua missão de Capacitação da Guarda Costeira de STP, contribuindo para o garante da soberania e exercício da autoridade do Estado de STP nas suas águas, ilustrando a importância do treino e da cooperação bilateral, contribuindo indubitavelmente para a segurança marítima na região do Golfo da Guiné.
Fonte : Adido de Defesa da Embaixada de Portugal em STP