O Hospital Central Dr Ayres Menezes (HCAM) pode ser visto, sim, como um protótipo urbanístico de uma cidade, pois lá existe o essencial.
Lá existem edifícios devidamente orientados, existem ruas, avenidas, praças, passeios, esgotos, árvores de sombra, etc.
Ora, destruída porque é assim que se encontra e deve ser vista em termos de urbanização.
Na verdade o HCAM está destruído tanto em termos de saúde como em urbanização. Mas, falo aqui só um pouco da desurbanização. Não do aspeto relacionado com os edifícios mas sim das vias.
Do que sabemos, é que numa rua, avenida ou praça, há componentes essenciais que são: PAVIMENTO, PASSEIO e ESGOTOS. O não funcionamento de um desses componentes, implica, necessariamente, o não funcionamento dos outros.
No HCAM todos esses componentes estão podres. Não se sabe qual foi o primeiro, mas isso não interessa. O que interessa é que estão todos podres. E há muito tempo que estão podres.
– O pavimento no HCAM está uma porcaria. Pedras, barros, brita, buracos, etc, etc por todo o lado.
– Os passeios no HCAM estão outra porcaria.
– Os esgotos no HCAM parece não existirem. Se pudermos observar nos espaços “reservados” aos esgotos, mesmo que seja apenas de rompante, veremos que estão todos entupidos, cheios de barros, pedras, britas, lixos, etc que vêm de passeios e pavimentos já destruídos.
Os Presidentes da República, os Primeiros-ministros, os ministros, os diretores e todas autoridades hospitalares sempre conviveram com essa podridão, ao longo dos anos, supostamente, como se nada estivesse a acontecer.
Também é verdade que as autoridades hospitalares não podem fazer milagres, já que os governos não têm permitido que as instituições estabeleçam uma projeção real do seu desenvolvimento, o que só pode ser feito através do OGE.
Se decidirem que alguma coisa seja feita agora, nesse aspeto de urbanização, certamente que será feita através de um PROJETO financiado a partir do EXTERIOR, não através do esforço sustentável e orçamental da instituição, do Estado.
O OGE será sempre ignorado, no que diz respeito ao funcionamento e crescimento da instituição. Mas isso não interessa. Voltemos aos componentes atrás mencionados.
Ora, se o Estado não consegue fazer o seu melhor urbanisticamente em uma pequena cidade, como é o caso do nosso Hospital, será que pode fazer isso no país inteiro?
As estradas e ruas das principais cidades do país estão perpetuamente degradadas, cheias de buracos, enviando pedras, britas, barros, areias, etc aos ESGOTOS.
Os passeios das cidades do país estão perpetuamente esburacados enviando barros, pedras, britas, areias, etc para os ESGOTOS.
Podem os esgotos ter melhor sorte?
Uma pequena chuvada origina grande enchente e intransitabilidade na cidade capital, mas as autoridades culpam as Mudanças Climáticas, fazendo o povo acreditar que é isso, esquecendo que o entupimento dos ESGOTOS é a principal causa.
Até parece que as autoridades ignoram tais componentes.
Não há poder financeiro é claro, pois o país não tem. Sabe-se. Mas no faseamento das atividades é possível. E nesse faseamento pode-se equacionar projetos e encontrar financiadores.
Portanto, uma das primeiras coisas a fazer é permitir que a instituição, HCAM, possa estar em condições de se basear no OGE para o seu funcionamento e crescimento e satisfazer, sustentavelmente, as suas necessidades, independentemente de qualquer projeto que puder vir a ser implementado nesse sentido.
O HCAM deve ter a sua proposta do OGE que permita a solução de seus problemas ainda que seja em fases, tomando em conta a degradação atual.
Sem isso, não há projeto nenhum no qual se possa basear para esse crescimento, pois os projetos começam e terminam.
É claro que na situação que o HCAM se encontra, um projeto deve servir de PONTAPÉ DE SAÍDA. Mas é muito importante a efetivação de qualquer projeto em paralelo com o efetivo cumprimento do OGE no que diz respeito ao funcionamento e crescimento sustentável dessa instituição.
Pois se o Estado não consegue organizar urbanisticamente, de forma sustentável, uma pequena cidade, não será possível, nunca, organizar o país.
Essa reflexão é simplesmente um exemplo do que acontece com todas as instituições do Estado onde não se tem permitido, consciente ou inconscientemente, que elas cresçam, sustentavelmente, o que só pode ser conseguido através de um perfeito e efetivo cumprimento do OGE.
Enquanto não se consegue proceder de maneira que as instituições cresçam através do OGE, não será nunca possível que essas instituições se desenvolvam. Por mais que se inventem projetos milionários, bilionários ou multibilionários.
E o país, infelizmente, há de continuar na mesma.
JuvêncioAO