Subscrevo inteiramente a visão política e intelectual do #Ussumane_Sonko, Primeiro-ministro cessante do Senegal.
Ora, África deve abandonar a utopia da independência. Impor a civilização ocidental à África é algo inaceitável, e não podemos continuar nesta situação. Ou seremos independentes, ou haverá mudança ou continuidade.
Como dizia Marcelo Caetano: “Portugal que levou a civilização para a Guiné-Bissau, para Angola, para Moçambique”. Isto é totalmente falso. Antes da colonização, África tinha a sua própria civilização.
Infelizmente, até agora uma boa parte da elite política e intelectual africana entende isso assim, pois foi formatada pelo Ocidente e não consegue emancipar-se intelectualmente, tornando-se serviçal do Ocidente.
Tanto no passado como no presente, a França sempre usou alguns ‘intelectuais’ africanos e alguns chefes de estados africanos para defender os seus interesses na África em troca, estes beneficiam de promoção internacional.
Todos os intelectuais e políticos africanos que defendem uma verdadeira independência política, económica e cultural da África são perseguidos e assassinados pelo Ocidente, como Amílcar Cabral, Kwame Nkrumah, Patrice Lumumba, Cheikh Anta Diop, entre outros. Só sobrevivem aqueles ao serviço do Ocidente e que mantêm uma visão única do Ocidente.
O ocidente impôs-nos até práticas culturais contranatura, nós nos acomodamos, mas rejeitaram os nossos valores sociais, as nossas civilizações que são perfeitamente moralizadoras da sociedade. Além disso, após a nossa “falsa” independência, continuaram a pilhar os nossos recursos naturais através de rebeliões armadas financiadas por multinacionais ocidentais, instalaram ditadores no poder em África para servirem os seus interesses económicos, como no Congo-Brazzaville, Costa do Marfim, Camarões, Gabão, Chade, Guiné-Conacri, Benim; agora, reintegra a lista de países serviçais da França o Senegal, entre outros.
Faz-me lembrar a minha avó materna, que dizia: ‘Não brinquem com os brancos, eles não são como nós, negros.’ Pois compreendia-se que a minha avó vivia no seu mundo, mas o que dói ainda são aquelas pessoas diferentes da minha avó, porém que tiveram oportunidade de serem escolarizadas para melhor compreender e interpretar o mundo e, infelizmente, não conseguem fazê-lo.
Por: Bacar Camará, jornalista& Docente