Uma empresa sediada na ilha do Príncipe, denominada Baixo Impacto, é acusada de ter recebido fundos do Estado para a execução de uma empreitada numa das vias de acesso da região, sem que até ao momento tenha realizado qualquer obra. O gestor da empresa, deputado, é acusado de ter abandonado a ilha e de se ter refugiado na Assembleia Nacional.
A denúncia, classificada como grave, marcou a última sessão plenária da Assembleia Nacional.
“Existe uma empresa na Região Autónoma do Príncipe chamada Baixo Impacto. Esta mesma empresa recebeu dinheiro do Estado para fazer a estrada da reta de Porto Real. O Estado depositou o dinheiro e até hoje não se vê a estrada. Todos aqueles que forneceram material à empresa continuam à espera do pagamento, os motoristas que transportaram materiais também aguardam, e o parlamentar refugiou-se nesta casa parlamentar e nunca mais regressou à Região Autónoma do Príncipe”, declarou Elácksio Afonso, deputado da bancada parlamentar do MLSTP.
A identidade do deputado em causa não foi revelada e não houve qualquer reação às acusações durante a sessão. Contudo, o Téla Nón apurou tratar-se de um deputado do ADI, gestor da empresa em questão.
“A Região Autónoma do Príncipe pede a devolução do valor ou a conclusão da obra e espero que a Senhora Ministra da Justiça e dos Assuntos Parlamentares tome nota disso”, alertou o deputado Elácksio Afonso.
As denúncias ligadas a alegados casos de corrupção continuam a marcar o debate político em São Tomé e Príncipe, num contexto em que persistem críticas à atuação da justiça.
“Temos código penal com crimes de corrupção e nunca um político foi julgado e condenado pela prática de crime de corrupção, nenhuma empresa foi julgada e condenada por crime de corrupção”, lamentou Levy Nazaré, deputado do Basta.
Para Levy Nazaré, sem uma justiça funcional será difícil assegurar o processo de desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.
José Bouças