O pânico já se instala entre a população da Região Autónoma do Príncipe. O bloqueio do único porto da ilha, provocado pelo afundamento do navio de cargas inter-ilhas, Rehoboth, ameaça o abastecimento de bens e combustíveis.
“Se não se apressar com isso, vamos ter uma crise no Príncipe. Crise de mercadorias, essencialmente comida, combustível e de tudo um pouco”, alertou o comerciante Fernando Sousa.
Nas bombas de combustível já se registam sinais de açambarcamento.
“Já há muitas filas nas bombas. A população começa a prever a rotura de stock e está a comprar em grandes quantidades, em bidões e bidões, para o que der e vier”, relatou Wilson Santana, motoqueiro.

As autoridades regionais e centrais procuram uma solução urgente para um problema que, além de comprometer o abastecimento, apresenta riscos ambientais.
“Embora a EMAE tenha retirado todo o seu combustível, constata-se ainda a presença de algum produto a flutuar no interior do navio, o que nos preocupa face a um eventual derrame capaz de provocar desastre ambiental”, disse Ezequio Napoleão, Secretário Regional das Infraestruturas.
O acidente volta a colocar em discussão a velha questão da construção de um novo porto na ilha.
“O que nós temos que fazer no Príncipe é não ir às eleições no dia 27 de setembro até que nos deem garantias de termos um porto em condições e um reservatório de combustível, que são as coisas que nos fazem sofrer aqui na ilha”, apelou o comerciante António Barros.
O acidente ocorreu ao cair da noite de quinta-feira, quando a embarcação, carregada de mercadorias provenientes da capital, São Tomé, sofreu um rombo no casco durante a manobra de atracagem e acabou por afundar.
José Bouças